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PolíticaAlemanha

Angela Merkel fala à DW sobre os 16 anos como chanceler

Max Hoffman | Jens Thurau
8 de novembro de 2021

Em entrevista exclusiva à DW, Angela Merkel fala sobre os seus 16 anos como chanceler da Alemanha. Um balanço sobre os refugiados e as alterações climáticas, a gestão da pandemia, o provável sucessor e planos futuros.

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Foto: R. Oberhammer/DW

Visivelmente relaxada e em paz consigo mesma: foi assim que a chanceler Angela Merkel recebeu o jornalista Max Hofmann no seu gabinete, em Berlim, para uma entrevista exclusiva à DW sobre os seus 16 anos como chefe do Governo alemão.

E não precisou de refletir muito para responder sobre os desafios mais difíceis durante o seu mandato: o fluxo de refugiados que se registou na Alemanha, em 2015, e o combate à pandemia do novo coronavírus.

"Esses foram dois eventos que me desafiaram pessoalmente. O grande número de refugiados que aqui chegavam - na verdade, não gosto de chamar-lhe crise, porque pessoas são pessoas", sublinhou Merkel, recordando que naquela altura a pressão para escapar, principalmente da Síria e dos países vizinhos, era muito forte.

"E agora há a pandemia da Covid-19. Talvez estas tenham sido as crises em que vimos claramente como as pessoas estão a ser diretamente afetadas, onde as vidas humanas estão em jogo. Para mim, esses foram os maiores desafios."

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A "chanceler do clima"

Sobre a questão cada vez mais premente do combate às alterações climáticas, a chanceler admitiu: "Temos de nos tornar muito, muito mais rápidos".

Angela Merkel foi ministra do Meio Ambiente antes de se tornar chanceler da Alemanha e liderou a primeira Conferência do Clima da ONU em Berlim, em 2005.

Apelidada de "chanceler do clima" durante o seu primeiro mandato, tem enfrentado críticas crescentes por fazer pouco e demasiado tarde para evitar uma crise climática global.

Jovens "devem fazer pressão"

Merkel, que participou recentemente na Conferência do Clima da ONU (COP26), a decorrer em Glasgow, na Escócia, até 12 de novembro, admitiu que "Glasgow já produziu alguns resultados, mas, da perspectiva dos jovens, as coisas continuam a andar demasiado devagar".

"Por isso, digo aos jovens que têm de fazer pressão. E temos de ser mais rápidos", disse Merkel, que defende que é preciso seguir com atenção as avaliações científicas e mantermo-nos fiéis ao aquecimento global de 1,5 ºC.

DW Interview mit Bundeskanzlerin Angela Merkel +++ SPERRFRIST 7.11. 18h ++++
Angela Merkel recebeu o jornalista da DW Max Hofmann no seu gabinete em BerlimFoto: R. Oberhammer/DW

Transição tranquila

Angela Merkel concentra-se agora numa transição tranquila. Na reunião do G20 em Itália, no final de outubro, a ainda chanceler apresentou-se várias vezes ao lado do seu provável sucessor, Olaf Scholz, do Partido Social-Democrata (SPD), que é vice-chanceler federal e ministro das Finanças interino do governo que ainda está no poder e está atualmente a negociar em Berlim uma coligação governamental com o Partido Verde e o Partido Liberal Democrático (FDP).

"Pensei que era um sinal importante para Olaf Scholz fazer parte de todas as discussões bilaterais. Se sentirem que há uma boa relação entre a atual e o provável futuro chefe de governo, é um sinal tranquilizador num mundo bastante turbulento".

Na hora da despedida: "Vão habituar-se"

Questionada sobre o que irá fazer quando deixar o poder em breve, Merkel respondeu: "Ainda não sei o que farei depois. Eu já tinha dito que primeiro vou descansar um pouco e depois logo se vê." Ler e dormir muito fazem parte dos planos.

A democrata-cristã já enfatizou várias vezes que acredita ser capaz de se distanciar do poder e voltou a repeti-lo na entrevista à DW, com uma ressalva: "Estou feliz por um lado, mas surgirá certamente alguma melancolia, porque sempre gostei do meu trabalho, ainda gosto de o fazer".

E quando o entrevistador da DW disse que seria difícil imaginar que, depois de 16 anos, Angela Merkel deixaria de estar na chancelaria federal, respondeu, com a sobriedade de sempre: "Vão habituar-se a isso."

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