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Lisboa: Alegado sequestro marca protesto de guineenses

2 de novembro de 2025

Guineenses em Portugal saem às ruas de Lisboa contra Presidente Umaro Sissoco Embaló. Alegado rapto de 12 ativistas, ocorrido na madrugada deste sábado em Bissau, foi atribuído ao governo de Sissoco Embaló.

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Portugal Lissabon 2025 | Protest gegen die Diktatur in Guinea-Bissau | Demonstration von Guineern
Foto: Joao Carlos/DW

Um grupo de guineenses da diáspora voltou às ruas de Lisboa para denunciar o que chamam de "ditadura" do Presidente Umaro Sissoco Embaló e exigir democracia e respeito pelos direitos humanos na Guiné-Bissau.

A manifestação, promovida pelo coletivo "Firkidja di Pubis", decorreu em solidariedade com os ativistas do Movimento Revolucionário "Pó di Terra", depois do alegado rapto de 12 dos seus membros, ocorrido na madrugada deste sábado em Bissau, e que o grupo atribui ao regime de Embaló.

O coletivo "Firkidja di Pubis" responsabiliza o regime de Umaro Sissoco Embaló pelo rapto, na madrugada deste sábado (02.11), de 12 guineenses pertencentes ao Movimento Revolucionário "Pó di Terra", que planeava realizar uma manifestação nacional de protesto.

Segundo Yussef, integrante do movimento, o sequestro foi cometido por homens fortemente armados entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado, em Bissau.

Em articulação com organizações políticas e sindicais da Guiné-Bissau e da diáspora, o "Pó di Terra" pretendia organizar, no dia 1.º de novembro, uma grande manifestação em todo o país — com destaque para a capital — para denunciar "as atrocidades cometidas pelo regime de Umaro Sissoco Embaló desde 27 de fevereiro de 2020 até hoje".

Falando à DW em nome do grupo promotor da concentração realizada no Rossio, em Lisboa, Yussef afirmou que o coletivo responsabiliza diretamente "Umaro Sissoco Embaló e as forças de defesa e segurança do Estado da Guiné-Bissau pela integridade física e moral dos concidadãos sequestrados".

Manifestantes preparam cartaz em Lisboa
Manifestantes preparam cartaz em Lisboa onde lê-se "Fora Sissoco, Fora Sissoco"Foto: Joao Carlos/DW

Protestos em Lisboa

Em Lisboa, os cartazes refletiam o descontentamento da diáspora guineense, que voltou a protestar no exterior, já que o regime tem impedido manifestações internas de opositores.

"Fora Sissoco", "Abaixo a ditadura" e "Abaixo generais oportunistas" foram algumas das palavras de ordem ouvidas na concentração promovida pelos coletivos "Firkidja di Pubis" e "Movimento Revolucionário Pó di Terra (MRPT)".

Entre os participantes estava Samanta Fernandes, recém-licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa, que se juntou por iniciativa própria ao protesto "contra os desmandos do regime ditatorial do Presidente Umaro Sissoco Embaló".

Os organizadores condenaram com veemência o afastamento de forças políticas da corrida eleitoral, nomeadamente a coligação PAI–Terra Ranka e o PAIGC, liderado por Domingos Simões Pereira, excluídos pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) das eleições legislativas e presidenciais de 23 de novembro.

Segundo decisão do STJ, de outubro, foram admitidas 12 candidaturas à Presidência da República, incluindo as de Umaro Sissoco Embaló, José Mário Vaz, Baciro Djá, Fernando Dias e João Bernardo Vieira, dissidente do PAIGC. Ficaram de fora o PAIGC, a coligação PAI–Terra Ranka e a API Cabaz Garandi, uma das principais forças da oposição.

Manifestante em Lisboa
Manifestante em Lisboa Foto: Joao Carlos/DW

"Instrumentalização do Supremo"

Para Samanta Fernandes, as eleições "já são um ato consumado", mas a estudante lamenta o que considera a "instrumentalização do Supremo Tribunal de Justiça".

"O Supremo deveria ser um órgão que preza pela legalidade e pelos princípios do Estado de Direito democrático - o que não está a acontecer", afirmou à DW.

Amadeu da Silva, outro manifestante, disse ter participado "porque a Guiné-Bissau precisa". "As coisas não estão bem e podem piorar. Mas é preciso fazer alguma coisa", afirmou.

Descontente com o rumo do país, Amadeu rejeita "o regime ditatorial de Umaro Sissoco Embaló" e apela à mudança: "Estamos em Portugal de passagem, mas queremos voltar à Guiné. Como voltar com esse regime?", questionou.

O jovem considera "absurdo" o afastamento das principais coligações das eleições de novembro e defende que a democracia implica eleições transparentes e inclusivas.

"Todos devem participar sem exclusão, para o bem da democracia guineense."

Apesar do ceticismo, Amadeu mantém alguma esperança: "Ainda não é um facto consumado. O Supremo está em silêncio, mas acredito no poder do povo guineense. É o povo quem vai decidir."

Umaro Sissoco Embaló assumiu a presidência em 27 de fevereiro de 2020, após vencer a segunda volta contra Domingos Simões Pereira, então apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que governava o país desde a independência de Portugal, em 1973.

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João Carlos Correspondente da DW África em Portugal
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