Kinjeketile Ngwale: Líder espiritual da Rebelião Maji Maji | História de África - Raízes Africanas | DW | 26.03.2018
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História de África

Kinjeketile Ngwale: Líder espiritual da Rebelião Maji Maji

Ngwale assumia-se como um médium espiritual e encorajou, no início do século XX, os povos do Tanganica a fazerem frente aos colonialistas alemães. É considerado um símbolo da resistência na Tanzânia.

Nascimento: Ngarambe, Matumbi no Tanganica, atual Tanzânia. Foi enforcado em agosto de 1905 por oficiais alemães.

Famoso por:

- Ter sido possuído por um espírito chamado Hongo. De acordo com a lenda, Hongo apareceu sob a forma de uma cobra e arrastou Kinjeketile debaixo de água. Quando ele emergiu, 24 horas horas depois, estava seco e começou a profetizar.

- Ter unido grupos étnicos na região e, à medida que a sua palavra se foi espalhando, ter despertado os primeiros sinais do nacionalismo no Tanganica.

- Ter prometido aos seus seguidores que as balas dos alemães não os atingiriam se eles usassem as águas medicinais Maji.

- Ser o iniciador da rebelião Maji Maji, apesar de ter morrido pouco depois do início da guerra. A Revolta de Maji Maji ocorreu de 1905 a 1907 e foi uma das maiores guerras contra o colonialismo em África.

Críticas: Conduziu muitas pessoas até à morte ao dizer que Maji os protegeria das balas. Estima-se que 300.000 pessoas terão morrido durante a Rebelião Maji Maji em resultado dos combates, mas também por causa da fome, reduzindo a população local em um terço.

Inspiração: Em 1969, o dramaturgo tanzaniano Ebrahim Hussein publicou a peça "Kinjeketile", baseada nesta figura histórica e na Rebelião Maji Maji.

Reza a história que há muito tempo atrás, um homem desapareceu num lago e esteve dentro de água durante 24 horas. Segundo a lenda, quando emergiu, as suas roupas estavam secas. Nas suas mãos carregava água que, segundo ele, era mágica e transformava balas em líquido. Esta é a história de Kinjeketile Ngwale.

No final do século XIX, os colonizadores alemães invadiram o território que é hoje a Tanzânia. A população local foi forçada a trabalhar nas plantações de algodão dos ocupantes. Além disso, os colonizadores também introduziram novos impostos, causando grande sofrimento entre a população.

No entanto, em 1904,a esperança surgiu com a chegada de um profeta que encorajou os povos nativos a lutar contra os colonizadores alemães, prometendo-lhes proteção através da sua água medicinal.

Como explica Betram Mapunda, professor do Departamento de Arqueologia e Património Cultural da Universidade de Dar Es Salaam, "Kinjeketile Ngwale foi um médico tradicional fundamental na Rebelião Maji Maji, que decorreu de 1905 a 1907".

Kinjeketile assumia-se como um médium espiritual do deus do povo Matumbi e disse ter recebido instruções para vencer os estrangeiros. A divindade deu-lhe "Maji", uma porção de milhete e água que transformaria as balas dos alemães num líquido inofensivo. Através do passa-palavra, numa campanha que ficou conhecida como "Nywinywila", a mensagem foi-se espalhando e Kinjeketile conseguiu unir diferentes grupos étnicos, vindos de toda a parte, para a resistência aos colonizadores – e que ficou conhecida como Rebelião Maji Maji.

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Kinjeketile Ngwale: Líder espiritual da Rebelião Maji Maji

O poder de Maji

Os seguidores de Kinjeketile envolveram-se numa luta sem tréguas contra os alemães, instigada pela crença de que Maji os protegeria. Em agosto de 1905, logo após o início da revolta, Kinjeketile foi enforcado pelos alemães. Os habitantes locais depressa descobriram que Maji não os protegeria, mas não desistiram. Mudaram a sua tática e a luta continuou até 1907.

Estima-se que tenham morrido 300 mil pessoas em resultado da guerra e consequente fome. No entanto, e como resultado da rebelião, os alemães introduziram uma administração mais liberal no país.

As opiniões acerca de Kinjeketile na Tanzânia são díspares. Para o professor Mapunda, foi um herói. "Há aqueles que pensam que ele mentiu às pessoas. Mas temos que entender que quando se dá a alguém habilidades psicológicas, se constrói a sua fé, as pessoas lutam com firmeza. Na minha opinião, Kinjeketile foi um herói!", afirma.

Julius Nyerere, o primeiro Presidente do Tanganica independente e da Tanzânia, considerou a rebelião Maji Maji o início da luta pela união e liberdade no seu país. Já o escritor tanzaniano Ebrahim Hussein publicou, em 1969, a  obra "Kinjeketile", que se baseia não só na figura de "Kinjeketile", como na rebelião Maji Maji. Este tema é ainda hoje estudado nas escolas da Tanzânia.

O projeto "Raízes Africanas" é financiado pela Fundação Gerda Henkel.

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