Julgamento de Kalupeteka ″pode, finalmente, lançar luz sobre os factos″, destaca a HRW | Angola | DW | 20.01.2016

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

Julgamento de Kalupeteka "pode, finalmente, lançar luz sobre os factos", destaca a HRW

Julgamento do caso Kalupeteka permitirá esclarecer os eventos de abril de 2015 no Huambo, marcados por alegações contraditórias das autoridades e de grupos da oposição e ativistas, considera a Human Rights Watch.

Segundo as autoridades, no dia 16 de abril de 2015 confrontos entre agentes da polícia e membros da seita "Luz do Mundo" provocaram a morte de nove polícias e 13 fiéis, mas grupos da oposição e ativistas de defesa dos direitos humanos alegam ter-se verificado um massacre.

Em comunicado de imprensa, a organização não-governamental britânica Human Rights Watch (HRW), sob o título "Houve um massacre no Huambo, Angola?" considera que o julgamento "pode, finalmente, lançar luz sobre os eventos".

3° dia do julgamento

O Tribunal Provincial do Huambo começou, na segunda-feira (18.01), a julgar dez elementos da seita "A luz do mundo" e o seu líder, José Julino Kalupeteka, acusados do crime de homicídio num caso que envolveu confrontos mortais com a polícia.

"Os arguidos enfrentam acusações de homicídio e tentativa de homicídio de agentes da polícia, desobediência civil, resistência à prisão e posse ilegal de armas de fogo. O julgamento será a primeira oportunidade de contarem a sua versão dos factos", destaca a HRW.

Aquela organização de defesa dos direitos humanos salienta ser "evidente que a morte indiscutível de nove agentes da polícia requer justiça e que as autoridades devem certificar-se de que o tribunal é capaz de conduzir o julgamento de forma independente, imparcial e competente".

Transparência no julgamento

A HRW defende ainda que as testemunhas do governo no julgamento "também devem ser transparentes quanto à conduta da polícia e dar resposta às acusações de que dezenas de pessoas desarmadas, incluindo mulheres e crianças, podem ter sido assassinadas a tiro".

"O conflito eclodiu quando a polícia procurou levar Kalupeteka para interrogatório com base em alegações de incentivo à desobediência civil de cerca de 2.000 dos seus fiéis. Kalupeteka liderava uma fação dissidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia que acreditava que o mundo iria acabar em 2015 e havia encorajado os fiéis a abandonar as respetivas vidas e a retirar-se para um campo isolado", recorda a HRW.

Sektenführer Jose Kalupeteka Angola

José Julino Kalupeteka

O governo angolano negou que tenham morrido dezenas de pessoas, como sustentam grupos de oposição e ativistas, mas recusou o pedido de acesso ao local dos acontecimentos feito por grupos da oposição, deputados e do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos "para a abertura de uma investigação independente".

A área é considerada "zona militar"

Após o incidente, as forças de segurança angolanas isolaram a área, "declarando-a zona militar".

"Os ativistas dizem que os soldados enterraram um elevado número de cadáveres em valas comuns e vários familiares de membros da seita declararam que ainda não foram capazes de enterrar os seus entes queridos. Somente duas semanas após o incidente foi concedido acesso ao local a um pequeno grupo de deputados e jornalistas, a quem foi feita uma visita orquestrada e vigiada de perto", acrescenta a HRW no seu comunicado.

"O julgamento de Kalupeteka sublinha a necessidade de justiça, tanto para as famílias dos agentes assassinados como para as famílias dos membros da seita que morreram. O julgamento deverá apresentar as investigações internas do próprio governo sobre os acontecimentos que, de uma forma ou outra, deveriam ser tornadas públicas pelo governo", defende a HRW.

A ONG britânica questiona, em conclusão, que se "afinal nada há a esconder, por que razão deverão os relatórios manter-se confidenciais? E por que não permite o governo uma investigação independente ao que aconteceu?".

Leia mais