Jovens angolanos fazem parte dos ″77 por cento″ da DW África | Angola | DW | 23.11.2018
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Angola

Jovens angolanos fazem parte dos "77 por cento" da DW África

"Os 77 por cento", projeto da DW África sobre a juventude africana, foi apresentado em Luanda. A Voz da Alemanha e a sua parceira em Angola, TV Zimbo, juntaram jovens para falar sobre o futuro do país e de África.

Projeto multimédia Os 77 por cento - Em busca do futuro foi apresentado em Luanda pela jornalista Madalena Sampaio, da DW África

Projeto multimédia "Os 77 por cento - Em busca do futuro" foi apresentado em Luanda pela jornalista Madalena Sampaio, da DW África

A atividade começou esta quinta-feira (22.11) com apresentação do documentário sobre Luanda, no âmbito do projeto "Os 77 por cento". Também na sala da Mediateca 28 de Agosto, os jovens levantaram a voz para se discutir a construção do futuro de Angola e de África. 

O projeto "Os 77 por cento", idealizado pela DW África, quer refletir sobre o papel da juventude no desenvolvimento do continente, já que 77% dos africanos têm menos de 35 anos.

Miguel Buila é um dos mais aclamados músicos do estilo gospel em Angola. O artista é portador de deficiência. "Tive de passar pela lixeira para poder ir à escola, estudar sem nenhuma cadeira de rodas, [viver] numa rua e numa casa à volta de lixo. Sonhava como muitos outros jovens e a forma que eu encontrei para sobreviver a tudo isso primeiro foi estar na igreja", disse.

Também Katiliana é cantora angolana de jazz. Ela contou a sua experiência como imigrante em Portugal, dizendo que "não conhecia muito bem a definição da palavra racismo até chegar ao país". "O tempo já lá se foi, mas para quem é angolano sabe perfeitamente a situação de um imigrante lusófono passa. Foi um pouco difícil para mim", lembrou.

Claudio Kiala é empreendedor, autor de um livro e rapper. Para ele, as plataformas digitais podem mudar Angola e África. "Por exemplo, o Facebook. Podia-se dizer que era só para quem tem acesso à internet, mas agora temos o Facebook zero (plataforma que permite usar a rede social sem gastar o pacote de dados do telemóvel). E agora eu pergunto: Como é que cada um de nós usa essas pequenas ferramentas que podiam nos dar a liberdade, seja em nosso beneficio como em beneficio de outrem?".

MCK é um dos rostos mais famosos do rap angolano. Cresceu nos becos do Chabá, no Prenda, um dos bairros mais pobres de Luanda. O autor do tema "O país do pai banana" também contou os motivos da sua revolução, que no debate chamou de exercício de cidadania.

"A minha infância tem a memória de dois amigos e eles tinham todas as coisas que eu não tinha: tinham motorizadas, tinham [sapatilhas] All Star, tinham as melhores namoradas, mas também eram gatunos, também tinham armas e destes só sobreviveu um, o Kota Pindura. Então, eu pensei: não posso ser um mero jovem do Chabá, eu tenho de inverter essa lógica e pegar nesse exemplo para salvar outras pessoas".

Soluções para os jovens

Qual é o denominador comum entre os jovens africanos e que soluções apresentariam? "Acho que todos nós vivemos uma frustração social e política. Acho que cada país tem os seus problemas e jovens para reclamar os problemas", começa por responder Cláudia Kiala.

Kataliana também sugeriu uma solução. "Como africanos, devemos lutar pela nossa sobrevivência, pela nossa identidade, muitas das vezes. Muitas das vezes acabam por ser esquecidas".

Ouvir o áudio 04:17

Jovens angolanos fazem parte dos "77 por cento" da DW África

O blogger Danilo Castro aponta o regresso ao pan-africanismo com uma das soluções para África. "Os europeus põem sempre o europeu no centro da questão. O africano coloca o país dele no centro da questão. Eu acho que devemos também olhar para os africanos sem reflexos. Faz-me um pouco de confusão nós olharmos para os congoleses e dizermos ‘esse é langa'. Isso é pejorativo. Estamos a falar sobre umas das culturas mais ricas de África", destacou.

Por sua vez, MCK diz "basta" ao simples envio de matéria-prima africana ao estrangeiro. "África continua ainda a ser o primado fornecedor de matéria-prima, entretanto essas matérias-primas não se traduzem em emprego".

Já Miguel Buila deixa uma mensagem de esperança para o continente. "Vamos mostrar àquelas pessoas que perderam a esperança por causa de uma mina que lhe tirou as pernas. Há coisas que ninguém vai fazer. Se não ando com as pernas ando com a consciência".

Depois da intervenção dos preletores, seguiu-se um momento de perguntas e respostas. A sala da Mediateca 28 de Agosto, na capital angolana, estava repleta de gente que participou ativamente no debate. No fim do evento, houve um espetáculo musical. A iniciativa foi da DW África, em parceria com a TV Zimbo, um dos canais mais vistos em Angola.

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