Jorge Carlos Fonseca expõe os ″danos brutais″ da pandemia a Cabo Verde | Cabo Verde | DW | 23.09.2021

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Cabo Verde

Jorge Carlos Fonseca expõe os "danos brutais" da pandemia a Cabo Verde

Presidente de Cabo Verde recorda na ONU que pandemia "desconstruiu de forma brutal" a economia do país. No seu provável último discurso numa Assembleia Geral, Carlos Fonseca defende a reforma no Conselho de Segurança.

O Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, afirmou esta terça-feira (22.09), nas Nações Unidas, que a "primeira prioridade" do arquipélago é "combater" a pandemia de Covid-19 e pediu mais atenção aos problemas dos pequenos Estados insulares.

"Na presente conjuntura, a primeira prioridade de Cabo Verde é combater a pandemia de Covid-19. Ganhos importantes e consistentes têm sido registados, tanto na redução das taxas de transmissão, quanto na taxa de vacinação da população elegível, que já atingiu os 74%, com pelo menos uma dose, sendo nossa meta atingir 85%, da população elegível, totalmente imunizada, até o final de outubro", afirmou

Fonseca discursou na 76.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. O chefe de Estado cabo-verdiano reconheceu que recuperação económica continua a ser uma prioridade para Cabo Verde, "principalmente através da retoma do setor do turismo e das economias conexas".

"O reconhecimento recíproco dos certificados de vacinação e a revisão dos avisos de viagens, são medidas em relação às quais Cabo Verde tem vindo a trabalhar com os parceiros públicos e privados, e orientações internacionais, nesse sentido, só poderão apoiar e encorajar o retorno do turismo", apelou Jorge Carlos Fonseca.

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Estados insulares

Segundo o Presidente, Cabo Verde "tem estruturalmente todas as características" de um Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento (SIDS, na sigla em inglês), nomeadamente "a pequenez física e a dispersão em ilhas, a imersão em grandes espaços oceânicos e o afastamento dos principais mercados", que "fragilizam a sua base económica, acentuam a sua exposição às mudanças climáticas e a outros fenómenos ambientais, como a seca", reduzindo a "resiliência face aos fenómenos naturais e a outros choques externos".

"Nesse âmbito, as manifestações e impacto da Covid-19 somente exacerbaram as condições preexistentes, fazendo dos SIDS os mais afetados pela pandemia", enfatizou. 

"Os SIDS, seus problemas, desafios e soluções, deverão estar presentes na Cimeira do Futuro anunciada pelo Secretário-Geral [da ONU, António Guterres], como parte dos problemas, mas também como parte das soluções. E a oportunidade se nos oferece para a tomada de decisões que venham ao encontro das especificidades e dos legítimos interesses e aspirações deste grupo de países, de entre os mais vulneráveis da família das Nações Unidas, não deixando nenhum para trás", apelou.

Ainda sobre o impacto da pandemia, Jorge Carlos Fonseca recordou que "desconstruiu de forma brutal" a economia de Cabo Verde, devido à ausência total de turismo, após um crescimento económico anual a rondar os 6%, nos últimos anos.

"Causando desproteção social, desemprego e aumento da pobreza. Desregulando os fundamentos da macroeconomia, como a inflação, o défice orçamental, a dívida e a queda vertiginosa do crescimento económico, em suma, gerando uma recessão nunca antes experimentada, traduzindo-se numa redução de 14,8%", sublinhou.

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A reação cabo-verdiana

Disse, no entanto, que Cabo Verde "não reagiu com resignação, mas com determinação, tomando de imediato, e a curto prazo, todas as medidas anticrise recomendadas internacionalmente".

"Para o médio e longos prazos, fizemos um exercício participativo de planificação estratégica, para definir uma visão comum para o horizonte 2030, intitulado Cabo Verde Ambição 2030, para retomarmos o processo do desenvolvimento sustentável e reconstruirmos melhor, a partir dos ensinamentos e oportunidades surgidas da crise, incluindo, no plano do acesso ao financiamento concessional e da atração do investimento direto externo, que continuam a ser os maiores obstáculos nessa direção", acrescentou Jorge Carlos Fonseca, que manteve em Nova Iorque, nos últimos dias, vários encontros paralelos à reunião da Assembleia Geral da ONU.

Recordou que as relações internacionais, a diplomacia em geral, as grandes conferências mundiais e das Nações Unidas, "acostumaram-nos às tradicionais reuniões marcadas pela singularidade da presença física e efusão entre os participantes". 

"As reuniões presenciais, os apertos de mão, os abraços, os diálogos nos corredores, as negociações em bilateral ou em pequenos comités, foram sempre a alma desses encontros da comunidade internacional, que a obrigatoriedade do recurso às comunicações online e digital deixou para trás, há quase dois anos. O facto de nos reunirmos, presencialmente, por ocasião do debate geral desta 76.ª sessão da Assembleia Geral, deve ser interpretado como um sinal da nossa determinação coletiva de tudo fazer para vencer o flagelo da pandemia do Covid-19, na senda de reconstruirmos melhor e termos um mundo mais resiliente", disse ainda.

Naquela que foi a sua última mensagem anual à Assembleia Geral da organização, face à realização de eleições presidenciais em Cabo Verde no mês de outubro -- às quais já não concorre -, Jorge Carlos Fonseca voltou a insistir numa reforma do Conselho de Segurança da ONU. "Entendemos, também, que a revitalização da ONU passa pela necessidade de uma reforma do Conselho de Segurança, que possa conferir uma maior abrangência dos Estados-membros na tomada de decisões atinentes à paz e segurança internacionais. Enquanto, membro da União Africana, Cabo Verde subscreve integralmente o consenso de Ezulwini", disse.

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