Irão deixa de cumprir limitações do tratado nuclear | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 06.01.2020
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

Irão deixa de cumprir limitações do tratado nuclear

O Governo iraniano deixará de cumprir as limitações impostas ao seu programa nuclear. O anúncio de Teerão, que significa um retrocesso no acordo alcançado em 2015, surge dois dias depois da morte do general Soleimani.

Central nuclear de Buschehr, no sudoeste do Irão

Central nuclear de Buschehr, no sudoeste do Irão

Segundo o anúncio, transmitido pela televisão estatal iraniana, o Governo  de Teerão  fez saber que não respeitaria os limites estabelecidos no acordo nuclear: "A República Islâmica do Irão, no quinto e definitivo passo de redução de compromissos nucleares, elimina a última restrição técnica, que era o limite do número de centrifugadoras para enriquecimento de urânio. E não enfrentará mais restrições operacionais. Isso inclui a capacidade e percentagem de enriquecimento, a quantidade de material enriquecido, a pesquisa e o desenvolvimento.

No comunicado, o Governo iraniano acrescenta ainda que, "de agora em diante, o programa nuclear do Irão será desenvolvido exclusivamente com base em suas necessidades técnicas."

Na mesma nota, Teerão assegura que a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) será mantida. Assim, as autoridades do  país garantem que vão continuar a permitir as inspeções de especialistas daquele organismo, que tem como missão verificar o cumprimento do acordo nuclear e a implementação do Tratado de Não Proliferação e dos acordos de controlo do programa atómico do Irão.

Ouvir o áudio 03:08

Irão deixa de cumprir limitações do tratado nuclear

O acordo nuclear  limitava o programa nuclear iraniano em troco do levantamento das sanções internacionais. Os Estados Unidos abandonaram o acordo em maio de 2018. 

Em 2015, na altura em que o compromisso foi estabelecido, a chefe da política externa da União Europeia, Federica Mogherini, considerou que se tratava de "um dia histórico" e que era "grande honra" anunciar que se tinha chegado a um acordo sobre a questão nuclear iraniana. "Um compromisso com a paz, para darmos as mãos e tornarmos o mundo mais seguro", disse na altura.

Aumenta tensão entre Washington e Teerão

Hoje, o cenário é diferente com o aumentar da tensão entre Washington e Teerão. A decisão do Governo iraniano também levanta questionamentos sobre o possível desenvolvimento da bomba atómica.

Por sua vez, o Governo iraniano assegura que tem capacidade para voltar rapidamente a enriquecer urânio a 20%, percentagem já alcançada antes da assinatura do acordo. Mas que é, no entanto, muito inferior à necessária para desenvolver a bomba atómica.

Iran Trauerzeremonie für getöteten General Soleimani in Teheran

General Soleimani foi morto num ataque aéreo dos EUA

Apesar de deixarem de cumprir os compromissos do acordo, os iranianos reiteraram, em numerosas ocasiões, que o seu objetivo não passa por fabricar armas nucleares.

Trump ameaça Irão com "enormes represálias"

O Presidente dos Estados Unidos ameaçou no domingo (05.01) o Iraque com sanções "muito fortes" caso as tropas norte-americanas sejam obrigadas a sair do país, na sequência do voto no parlamento iraquiano. 

"Se nos pedirem efetivamente para sairmos, se não o fizermos numa base muito amigável, vamos impor sanções como nunca viram", declarou Donald Trump, a bordo do avião Air Force One.  As sanções ao Iraque vão fazer "parecer as sanções ao Irão como quase fracas", acrescentou. 

Trump reagia assim à aprovação pelo parlamento iraquiano de uma resolução que pede o fim da presença das tropas norte-amercianas no país, pondo fim ao acordo com os Estados Unidos, estabelecido em 2016. 

A decisão do parlamento iraquiano surge na sequência do assassínio na sexta-feira (03.01) do general iraniano Qassem Soleimani, figura-chave da crescente influência iraniana no Médio Oriente, num ataque aéreo que o Pentágono declarou ter sido ordenado pelo Presidente norte-americano.

Além de Soleimani,  morreram também no ataque o "número dois" da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque Hachd al-Chaab, Abu Mehdi al-Muhandis, e mais seis pessoas.

O líder supremo do Irão, ayatollah Ali Khamenei, prometeu vingar a morte de Soleimanie o Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano disse que a vingança ocorrerá "no lugar e na hora certos".

Leia mais