Guiné-Bissau à espera dos resultados oficiais das eleições
24 de novembro de 2025
Horas depois de mais de 966 mil eleitores terem votado nas oitavas legislativas e sétimas presidenciais da história da Guiné-Bissau, a capital viveu momentos de acalmia, com os cidadãos em suspense.
Segundo a Comissão Nacional de Eleições (CNE), a votação decorreu num ambiente pacífico e registou-se civismo por parte da população. O órgão eleitoral destacou ainda a participação ativa e plena das mulheres no processo de votação.
De acordo com o secretário executivo adjunto da CNE, Idrissa Djaló, foram cumpridos os procedimentos previamente estabelecidos e não se verificaram, no dia das eleições, situações que pudessem constituir "irregularidades relevantes”.
Quanto à divulgação dos resultados, Idrissa Djaló apelou a vários setores para que deixem essa responsabilidade à CNE: "Apelamos aos eleitores, aos candidatos concorrentes, aos partidos políticos e coligações, bem como aos órgãos de comunicação social, em particular, para se absterem de anunciar resultados eleitorais, uma vez que esta competência é reservada, por lei, exclusivamente à Comissão Nacional de Eleições."
Também o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Bubacar Turé, fez um balanço positivo do ato eleitoral: "O processo de votação decorreu hoje [domingo] num clima de grande civismo, serenidade e calma. Portanto, o povo guineense está mais uma vez de parabéns por ter demonstrado esta enorme maturidade cívica."
Detenção de Victor Mandinga
No entanto, o dia da votação ficou marcado pela detenção de Victor Mandinga (Nado Mandinga), coordenador da candidatura presidencial de Fernando Dias na região de Bafatá, no leste do país. Foi detido e, horas depois, libertado pelas forças policiais, alegadamente por "ilícito eleitoral".
Revoltado com a situação, o candidato independente Fernando Dias deixou um aviso: "Qualquer tentativa de continuar a deter os nossos apoiantes terá uma reação muito dura da nossa parte. Informamos a comunidade internacional, sobretudo os observadores internacionais, para acompanharem com muita atenção a situação."
Observadores presentes
Para estas eleições, a União Africana (UA) enviou 30 observadores, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) 22 e o Fórum de Mediação de Anciãos da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) tem sete elementos.
A Comissão Nacional de Eleições recusou credenciar os monitores eleitorais das organizações da sociedade civil guineense, alegando que a participação destes como observadores não está prevista na legislação eleitoral do país, embora em processos anteriores tenham participado.
O presidente do Movimento Nacional da Sociedade Civil para a Paz, Democracia e Desenvolvimento, Fodé Carambá Sanhá, lamentou a decisão da CNE, que disse respeitar: "De facto, não temos outra forma de reagir senão afirmar que aquilo que não está previsto na lei deve ser evitado. Por isso, lamentamos e aceitamos a impossibilidade de a CNE nos credenciar.”
Nas eleições legislativas concorreram 14 formações políticas, enquanto para as presidenciais se apresentaram 13 candidatos.