Guiné-Bissau é um dos piores países no atendimento médico infantil | NOTÍCIAS | DW | 12.09.2011
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Guiné-Bissau é um dos piores países no atendimento médico infantil

A organização não governamental Save the Children produziu um ranking com os melhores e piores países do mundo no atendimento médico infantil.

Save the Children - uma ONG internacional que luta pelos direitos das crianças

Save the Children - uma ONG internacional que luta pelos direitos das crianças

O levantamento foi realizado em 161 países e, de acordo com a lista, dos 20 últimos colocados, 13 são africanos. Um deles é a Guiné-Bissau, que ficou em 148° lugar. Já Angola ocupa a 138° posição, Moçambique a 131° e Cabo Verde ficou classificado em 100° no atendimento médico infantil.

No topo da lista estão Suíça, Finlândia e Irlanda e os últimos colocados são o Laos, a Somália e o Chade. A ONG analisou o alcance e o impacto do número de profissionais de saúde em cada país, os índices de vacinação infantil e de atendimento de emergência para gestantes durante o parto.

Segundo a organização, as crianças que vivem em países das 20 últimas posições na lista têm cinco vezes mais chance de morrer que aquelas que vivem em regiões que ocupam o topo da lista. Para Maya Dähne, da Save the Children na Alemanha, um dos principais problemas nos países da África é a escassez de profissionais de saúde.

"Em todo o mundo, mil milhões de pessoas nunca viram um profissional de saúde durante toda a vida, especialmente na África. Há uma escassez de 3,5 milhões de médicos, enfermeiras, parteiras e outros profissionais de saúde nos 49 países mais pobres do mundo", afirma Maya Dähne.

Dähne ressalta que "todos os dias, 22 mil crianças morrem antes de completar os cinco anos de idade e, com o tratamento correto e prevenção, a maioria dessas mortes poderiam ser evitadas".

Kinder vor einem Fahrzeug des Malteser Hilfsdienstes

22 mil crianças no mundo morrem diáriamente antes de completar os cinco anos de idade

Baixa remuneração faz com que médicos trabalhem em outros países

Outro problema, segundo a Save the Children, é a distribuição dos profissionais de saúde. A maioria trabalha nos centros urbanos e as crianças que vivem nas regiões mais pobres do interior ficam sem atendimento médico.

Os baixos salários ofertados e as más condições de trabalho também fazem com que os médicos prefiram trabalhar em outros países. Maya Dähne afirma que em Moçambique, por exemplo, 81% dos médicos trabalham no exterior. "Não é só uma questão de contratar mais profissionais de saúde com habilidades adequadas, mas esses profissionais precisam receber salários justos. Um médico na Zâmbia, por exemplo, pode ganhar 25 vezes mais se trabalhar nos Estados Unidos. Então, por que eles deveriam ficar nos seus países se podem ir para o exterior ganhar 25 vezes mais?", questiona a gerente de comunicações da Save the Children.

O Brasil ficou em 35° lugar no ranking e ocupa a 3ª colocação na América Latina, atrás apenas de Cuba (8º) e Uruguai (31º), mas bem à frente de países como México (65º), Argentina (77º) e Chile (80º).

Hilfsaktion Noma constrói centro médico na Guiné-Bissau

Guinea Bissau Afrika Krankenhaus

Pediatria do Hospital Simão Mendes em Bissau.O atendimento médico infantil é muito precário na Guiné Bissau

A organização não governamental alemã Hilfsaktion Noma promove atividades de prevenção, vacinação e apoio contra a desnutrição das crianças na Guiné-Bissau. A presidente Ute Winkler-Stumpf diz que o atendimento infantil é muito precário no país, mas a organização tem alcançado progressos: "A situação médica melhorou um pouco, por que temos médicos formados. Isso significa que quando uma doença ocorre, pode ser tratada. Também podemos ajudar pessoas com próteses, mas ainda não podem ser tratadas com cirurgia", afirma Stumpf.

Hilfsaktion Noma está constuindo um novo centro médico na Guiné-Bissau, segundo Ute Winkler-Stumpf. "O centro terá uma sala de operação integrada, unidades de cuidados intensivos bem como um espaço de treinamento para equipe médica. Mas ainda falta dinheiro para terminar a construção. O próprio país é muito aberto e tenta ajudar", explica a representante da ONG.

Autora: Daniella Zanotti
Edição: António Rocha

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