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DesastresMoçambique

Governo moçambicano convoca reunião urgente devido às cheias

16 de janeiro de 2026

Chuvas intensas em Moçambique afetaram em menos de um mês mais de 123 mil pessoas, com oito mortos e 4.000 casas destruídas. Apesar do agravamento nas últimas 24 horas, Governo não atualizou dados. Oposição faz críticas.

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Chuvas fortes causam caos e inundações em Maputo
O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) emitiu um novo aviso vermelho de chuvas muito fortes no centro e sul de Moçambique até ao final desta sexta-feiraFoto: Romeu da Silva/DW

O Governo moçambicano convocou para esta sexta-feira (16.01) uma sessão extraordinária do Conselho de Ministros para avaliar a situação da atual época chuvosa, que já matou 94 pessoas no país desde outubro. 

Segundo o INGD, as chuvas estão a afetar "quase todo o país", verificando-se "cheias, inundações e erosão" que destruíram totalmente 1.088 casas e parcialmente mais 2.701 e mais de 19 mil residências encontram-se inundadas.

Atualmente, o INGD mantém 10 centros de acolhimento, que albergam perto de 4.500 pessoas deslocadas. As informações referem-se ao período entre 21 de dezembro e 13 de janeiro.

No entanto, a situação agravou-se nas últimas 24 horas, sem que tenham sido ainda divulgados dados atualizados sobre o impacto mais recente das cheias, um silêncio institucional que começa a levantar sérias preocupações sobre o trabalho das autoridades diante desta crise. 

Críticas da oposição

Para o político Venâncio Mondlane, as mortes devido às chuvas e inundações em Moçambique resultam da "governação falhada" e da corrupção. “É um problema de política, é um problema de gestão e é um problema de corrupção. É importante que se saiba esta situação que estamos a viver é resultado de uma governação falhada, uma governação que desviou os fundos provenientes do bolso de cada um dos moçambicanos que foram implementados e aplicados nos últimos 20 anos para melhorar a situação”, afirmou, esta quinta-feira (15.01), em conferência de imprensa, em Maputo, o fundador do partido ANAMOLA.

Mondlane também anunciou a abertura de sedes e delegações do seu partido para acolher as vítimas, incluindo nos distritos e localidades, para funcionarem como centros de acolhimento, e pediu o envolvimento dos coordenadores do ANAMOLA na reconstrução de bens públicos destruídos pelas chuvas.

Chuvas fortes causam caos e inundações em Maputo
As fortes chuvas que caem sobre a cidade de Maputo estão a causar caos nas estradas, especialmente nas áreas periurbanasFoto: Romeu da Silva/DW

Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) pediu ontem que se use o helicóptero mobilizado pelas autoridades para travar as manifestações pós-eleitorais para salvar os afetados pelas inundações, face às chuvas que se registam no país. 

"O helicóptero alugado no tempo das manifestações, usado contra o povo, deve hoje ser colocado ao serviço da salvação de vidas. Em tempos de inundações a prioridade deve ser o povo", sugeriu a terceira força parlamentar de Moçambique no Facebook do partido. Segundo a RENAMO, o Governo também devia seguir "o exemplo da África do Sul, que neste momento está a usar helicópteros para evacuar cidadãos afetados pelas inundações."

Novo alerta vermelho

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) emitiu um novo aviso vermelho de chuvas muito fortes no centro e sul, incluindo na cidade de Maputo, até final desta sexta-feira (16.01). O alerta abrange todas as regiões das províncias de Gaza e Maputo, no sul do país, consideradas as mais vulneráveis face à intensidade da precipitação.

A Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos de Moçambique estima que pelo menos 400 mil pessoas estão em risco de serem retiradas compulsivamente das suas zonas de residência, devido ao risco de inundações na província de Gaza, sul do país.

INGD explica estratégia para superar período das chuvas

A chuva torrencial registada em Gaza travou ontem (15.01) um helicóptero que pretendia resgatar 70 pessoas que estão sitiadas desde domingo em Mapai. "Infelizmente o helicóptero não teve como chegar por causa do mau tempo. O helicóptero até tentou vir para cá, mas o mau tempo não ajudou e não foi possível fazer a operação, as pessoas continuam no local", disse à Lusa Maria Langa, administradora do distrito de Mapai.

Barragem de Massingir no limite

Descargas de emergência na barragem de Massingir, que pela primeira vez desde 1977 atingiu a cota máxima, obrigam à retirada da população.

"Nunca tivemos um cenário igual a este, em que estamos numa cota de 127 [metros], que é a cota máxima, e isso significa que o nível de impacto para as cheias é significativo", disse aos jornalistas o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, durante uma visita à infraestrutura na quinta-feira (15.01).

"Vamos ter cheias de alta magnitude", avançou o ministro, explicando que 80% do volume das águas naquela barragem é atualmente proveniente do escoamento das águas dos países vizinhos, sobretudo a África do Sul, situação que ameaça as zonas baixas da província de Gaza, mas também cidades.

Fernando Rafael avisou que não há tempo a perder e que a população "deve imediatamente sair das zonas de riscos, caso contrário, vai ser tarde".

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Silaide Mutemba Correspondente da DW África em Maputo
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