Ganenses questionam promessa de novos hospitais feita pelo Presidente | NOTÍCIAS | DW | 02.05.2020

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NOTÍCIAS

Ganenses questionam promessa de novos hospitais feita pelo Presidente

O Presidente do Gana, Nana Akufo-Addo, prometeu construir mais de 90 novos hospitais para combater a pandemia da Covid-19 e reduzir desigualdades médias no país. Será que vai cumprir a promessa?

O chefe de Estado do Gana, Nana Akufo-Addo, deixou a promessa de construir, dentro de um ano, 94 novos centros hospitalares, em 88 distritos do país. No seu discurso televisivo, Akufo-Addo acrescenta que será construído também mais seis hospitais regionais de referência.

"Cada um desses estabelecimentos sanitários terá qualidade do padrão exigido, com capacidade para 100 camas, boa acomodação para os médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, afirmou o Presidente do Gana.

Novos hospitais são "irrealistas"

Para o analista político, Ziblim Alhassan, a promessa do Presidente ganês é "irrealista”.

"Um mês após a pandemia do Covid-19 atingir este país, só para criar um único centro de testes, além dos dois que já temos, é ainda um grande problema”, disse o especialista do centro de desenvolvimento e política, com sede em Tamale, capital da região do norte do Gana.

"Ou seja, se o Governo poderia construir 94 hospitais em todo o país, porque é tão difícil para o mesmo Governo instalar centros de testes pelo menos na região norte para servir o resto da zona?”, questiona o Ziblim.

Ghana | Coronavirus | Ziblim Alhassan, Policy Analyst in Tamale

Analista político Ziblim Alhassan

Segundo este analista, as amostras de Coronavírus coletadas em toda a região norte do Gana são levadas para um centro de testes em Kumasi, há sete horas de carro de Tamele e ainda mais longe de outros distritos do Norte. Os resultados levam cinco a sete dias para chegar, segundo disse.

Crise económica

O economista da Universidade de Gana, Godfred Alufar Bokpin, também expressou dúvidas sobre a capacidade do Governo em pagar pelos hospitais.

"Vai ser muito difícil. Todos reconhecemos que ter esses hospitais em todo o país é o caminho a seguir, mas o tempo e a capacidade de entrega dentro desse período de tempo são particularmente desafiadores”, disse à DW África para argumentar que o impacto da doença na economia aumenta o déficit drasticamente.

A demanda por matérias-primas e mercadorias do Gana na China, principal exportador do Gana, caiu desde a pandemia. O Governo do Gana disse esperar um déficit orçamental devido à queda nas receitas do petróleo e do turismo.

O Presidente Akufo-Addo ainda não deu detalhes sobre como vai financiar a construção desses hospitais. O orçamento do Gana para 2020 prevê para infraestruturas de saúde cerca de 7,6 milhões de dólares. 

Casos novos do coronavírus em África (2 de dezembro de 2020)

Casos novos do coronavírus em África (2 de dezembro de 2020)

Gana também não tem médicos 

Mesmo que o Presidente consiga cumprir a promessa em construir os mais de 90 centros hospitalares, a Associação Médica do Gana disse que seria difícil encontrar médicos suficientes para trabalhar nos hospitais.

"Embola possamos construir uma estrutura em 12 meses ou até em uma semana como vimos em Wuhan, na China, mas em média leva três a quatro anos um especialista cuja a educação médica é de seis a sete anos”afirma o secretário da Associação, Titus Beyuo.

Gana tem uma das taxas mais altas do mundo de médicos que deixam o país para trabalhar noutros lugares. O país enfrenta também dificuldades em convencer médicos para ir trabalhar nas zonas rurais. Estima-se que mais de dois terços dos médicos do país pratiquem em Accra ou Kumasi, que é a segunda maior cidade do país.

Isto eleva à desigualdade na área da saúde. Por exemplo, a grande região de Accra tem um médico para casa 3.000 pessoas, enquanto a região do Oriente Médio, uma das mais pobres do país, tem um médico para cada 26.000 pessoas.

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