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Foto: Ramusel Graça/DW
PolíticaSão Tomé e Príncipe

Futuro governo são-tomense conhecido nas próximas horas

Ramusel Graça
26 de setembro de 2022

Apuramento geral dos resultados das eleições deste domingo ainda decorre em São Tomé e Príncipe. Movimento de Cauê é a terceira força mais votada, num ato que ficou marcado por um protesto contra a falta de água potável.

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Em São Tomé e Príncipe contam-se os votos das eleições legislativas, autárquicas e regionais deste domingo (25.09).

As primeiras projeções avançadas pelas emissoras estatais de rádio e televisão indicam que o futuro governo de São Tomé e Príncipe vai estar entre a Ação Democrática Independente (ADI, oposição), de Patrice Trovoada, e o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP/PSD), de Jorge Bom Jesus, candidato à sua sucessão, mas tudo está ainda em aberto.

O professor universitário Eugénio Tiny avança que o Movimento de Cidadãos Independentes de Cauê, partido socialista que está coligado com o Partido de Unidade Nacional, com grande predominância no distrito de Cauê, sul da ilha de São Tomé, são os grandes vencedores destas eleições.

Disputa renhida

"A disputa está muito taco a taco", disse em entrevista à DW África. "Há uma força que me surpreende bastante, o MCI, movimento de cidadãos que me parece que vai ficar na terceira posição, pelos resultados que estamos a ouvir até agora, podendo até decidir quem vai governar o país nos próximos anos. Isto é uma surpresa ninguém estava a contar com isto. Mas eu previa isto porque depois das últimas eleições houve muitos problemas e o país ficou dividido."

Comissão Eleitoral diz que processo decorreu
Comissão Eleitoral diz que processo decorreu "conforme as expetativas"Foto: Ramusel Graça/DW

Domingos Monteiro e António fundaram, em 2018, o Movimento de Cauê. Eram antigos donos da Cervejeira Rosema, batalha que perderam na para o angolano Mello Xavier. Agora são eles que vão ditar o futuro governo - as projeções provisórias dao-lhes quatro a cinco deputados.

"O caso Rosema manchou muito o país. Penso que isto terá contribuído para ascensão desta força que é liderada pelos irmãos Monteiros", considera Eugénio Tiny.

Respeitar "a vontade do povo"

O Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, já apelou às forças políticas concorrentes a aceitarem os resultados que serão divulgados.

"Apelar a todos, os autores políticos, todos os são-tomenses, toda sociedade que seja respeitada a vontade do povo. O que o povo escolher deve ser aceite por todos.", sublinhou o chefe de Estado.

Estas eleições contaram, pela primeira vez, com o maior número de observadores de vários países e organizações internacionais. A missão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), é chefiada pelo embaixador do Brasil em Angola.

"Do ponto de vista da missão eleitoral, o pleito decorreu acima das expetativas. Entendemos que as expetativas do eleitorado foram cumpridas", disse Rafael Vidal.

"O que o povo escolher deve ser aceite por todos", disse o Presidente Carlos Vila NovaFoto: Ramusel Graça/DW

Protesto contra falta de água potável

O processo ficou marcado por um boicote às assembleias de voto pelos residentes do Bairro do Hospital, nos arredores da capital, que exigem acesso à água potável em troca de votos.

Quatro das mesas de voto cerca de um terço de dois mil 469, eleitores do círculo eleitoral número 13 do distrito de água grande não puderam votar porque a população impediu que fossem abertas as assembleias de voto.

Um ato condenado pelo primeiro-ministro Jorge Bom Jesus e pelo Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova.

"A gestão da água é um problema em são Tomé e Príncipe e no mundo também. Vamos tirar eleições de tudo isso e vermos como poderemos com o apoio naturalmente da população ter uma política mais eficiente e eficaz.", disse Bom Jesus.

"Interromper ou impedir que os outros são-tomenses possam votar não é uma forma de protesto", criticou Vila Nova.

 

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