Federação de jornalistas lusófonos pede ″libertação imediata″ de colega preso em Moçambique | Moçambique | DW | 06.03.2019
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Moçambique

Federação de jornalistas lusófonos pede "libertação imediata" de colega preso em Moçambique

Federação de Jornalistas de Língua Portuguesa pede ao Presidente de Moçambique "imediata libertação" do jornalista Amade Abubacar, detido em Cabo Delgado quando fotografava famílias que abandonavam a região.

Symbolbild Afrika Presse (picture-alliance/dpa/M. Schmidt)

Foto ilustrativa

Em carta dirigida a Filipe Nyusi, a Federação de Jornalistas de Língua Portuguesa (FJLP) requer ao Presidente moçambicano os "seus esforços" para "a libertação imediata do jornalista Amade Abubacar, preso pelo Estado moçambicano".

"A medida é urgente e fundamental para que esse profissional possa, com liberdade, exercer o seu trabalho, tendo assegurado pela nação o seu direito constitucional", refere a carta.

Com sede no Brasil, a FJLP agrega jornalistas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Macau (China) e Goa (Índia).

"Na era da globalização, o mundo precisa de saber das atrocidades que são cometidas contra as comunidades na região norte de Moçambique e, exatamente por esse motivo, o trabalho dos jornalistas locais e internacionais reveste-se de extrema importância", prossegue a carta.

Condena ação levada a efeito pelos militares

A FJLP lembra que as organizações internacionais de defesa dos direitos humanos condenam "a ação levada a efeito pelos militares contra jornalistas no exercício da sua profissão".

Symbolbild das gefährliche Leben von Journalisten

"Esta manifestação não tem por objetivo questionar a ação militar do Estado moçambicano na defesa da soberania, mas sim o direito de os cidadãos moçambicanos e a comunidade internacional terem acesso a informações que lhe são importantes para a própria vida", adianta a FJLP.

Sustenta ainda a necessidade de o Estado garantir o "trabalho em segurança dos jornalistas".

Amade Abubacar foi detido a 05 de janeiro na vila de Macomia, no centro de Cabo Delgado, quando fotografava famílias que abandonavam a região com receio de ataques armados.

Jornalistas detidos

Em fevereiro foi detido outro jornalista, Germano Daniel Adriano, da Rádio e Televisão Comunitária de Macomia, também na província de Cabo Delgado, no âmbito da cobertura que estava a fazer à violência armada que assola aquela região do país.

Germano Daniel Adriano foi acusado de violação do segredo de Estado e instigação pública a um crime, os mesmos crimes atribuídos a Amade Abubacar, também da Rádio e Televisão Comunitária de Macomia.

Em dezembro do ano passado, três jornalistas estrangeiros e um moçambicano foram detidos durante 48 horas pelo exército moçambicano, a caminho do distrito de Palma, em Cabo Delgado, apesar de estarem credenciados pelas autoridades para trabalhar na zona.

Distritos recônditos da província de Cabo Delgado, no extremo nordeste do país, a 2.000 quilómetros da capital, têm sido alvo de ataques de grupos desconhecidos desde outubro de 2017.

140 pessoas já morreram

De acordo com números oficiais, pelo menos 140 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança, morreram desde que a onda de violência começou.

Organizações nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos têm manifestado preocupação com a violação dos direitos humanos por parte das Forças de Defesa e Segurança na sua resposta aos ataques que têm vindo a ser protagonizados por grupos armados em alguns distritos da província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, desde outubro de 2017.

 

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