Estudantes revoltados com aumento das propinas na Zambézia | Moçambique | DW | 06.03.2020

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Moçambique

Estudantes revoltados com aumento das propinas na Zambézia

Na província moçambicana da Zambézia, estudantes protestam contra o aumento das propinas na Universidade Licungo e dizem que a culpa é da descentralização. Direção afirma que o aumento foi meramente simbólico.

As novas taxas adotadas pela direção da Universidade Licungo, na Zambézia, apanharam centenas de estudantes de surpresa e tem havido reclamações.

"Isso nunca aconteceu! Os valores subiram 100%. No ano passado, a inscrição em cada cadeira era 420 meticais [cerca de cinco euros e meio] para cadeiras atrasadas e 340 [cerca de quatro euros e meio] para cadeiras normais. Agora, as cadeiras subiram para 640 [cerca de oito euros e meio] para cadeiras normais e as atrasadas subiram para 890 [doze euros]. Houve reclamações, mas a situação ainda se mantém", contou à DW África um aluno que prefere manter o anonimato.

No país decorrem reformas em vários setores no âmbito da descentralização política. Por exemplo, a Universidade Pedagógica, com sede em Maputo, antes tinha uma série de delegações em várias províncias. Mas para descentralizar a gestão das universidades, em janeiro, o Conselho de Ministros extinguiu a instituição e criou cinco novas universidades: Licungo, Save, Pungue, Rovuma e Maputo.

Agora, os estudantes culpam a descentralização pela subida das taxas. "Isso não é descentralização, é centralização", critica outro aluno que pediu para não ser identificado. "Os valores sobem quando estamos numa situação difícil. Estamos numa província pobre, estamos a viver de aparências. O resultado será a desistência. É complicada esta situação", lamenta.

Mosambik Universität Licungo Luck Injage

Luck Injage, da Universidade Licungo

Universidade justifica-se

Em entrevista à DW África, o diretor adjunto pedagógico da Universidade Licungo, Luck Injage, reconhece a subida das taxas, mas diz que não está relacionada com a descentralização, como alegam os estudantes. "Como universidade recentemente criada, e como em qualquer outra intituição, houve necessidade de se fazer uma revisão das tabelas. Na verdade, a antiga Universidade Pedagógica era a única pública em que os valores das propinas eram bastantes acessíveis para todos. A nossa subida não foi tão alta assim como se diz", justifica.

O académico e analista político Lourindo Verde analisa as alterações: "A maioria sobrevive de recursos muito exíguos. Era nessas instituições que iam buscar a sua formação académica, a sua formação profissional. A multiplicação de medidas administrativas e financeiras em algum momento não responde à capacidade do cidadão", afirma, acrescentando que as próprias instituições não têm condições para responderem à descentralização.

Há relatos na Universidade Licungo de que alguns estudantes teriam desistido e anulado a matrícula por não terem como pagar as mensalidades e que alguns alunos foram obrigados a estudar no período da noite, contra a sua vontade. Mas o diretor pedagógico diz que não é verdade e adianta que mais reformas curriculares serão introduzidas a partir do próximo ano letivo e haverá novos cursos.

"Neste momento, estamos a finalizar os planos curriculares dos primeiros cursos que iremos abrir na Universidade Licungo em 2021. Uma das principais áreas de excelência da nossa parte são as ciências agrárias", destaca Luck Injage.

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