Eleições na Costa do Marfim: Democracia sob escrutínio
23 de outubro de 2025
O favoritismo recai sobre o Presidente-cessante, Alassane Ouattara, que concorre a um quarto mandato - após as alterações constitucionais de 2016 terem redefinido os limites dos mandatos na Costa do Marfim.
A votação ocorre num contexto tenso, marcado pela exclusão de figuras proeminentes da oposição, como o ex-Presidente Laurent Gbagbo ou Tidjane Thiam - que era considerado o adversário mais forte de Ouattara.
O analista político nigeriano Alkassoum Abdourahamane disse à DW que o que está em causa nestas eleições é a estabilidade, não só do país, mas de toda a região da África Ocidental.
"As eleições deste ano na Costa do Marfim constituem um verdadeiro teste à estabilidade, não só da Costa do Marfim, mas também da CEDEAO, uma vez que, quando analisamos a validação das listas, houve uma exclusão. Só quatro candidatos outsiders, dois dos quais independentes, foram aprovados para apoiar a possível vitória de Alassane Ouattara para um quarto mandato."
Os partidos excluídos da votação têm levado a cabo protestos nas ruas de Abidjan, algo que não se deverá repetir, uma vez que, na sexta-feira passada, o governo proibiu, por um período de dois meses, todas as manifestações ou reuniões de partidos políticos, com exceção dos cinco candidatos às eleições.
Esta é uma das medidas da "Operação Esperança" lançada pelo Governo e que visa manter a ordem durante todo o processo eleitoral.
Tensão persiste
A A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) destacou observadores para o país para monitorizar o processo e ajudar a prevenir conflitos.
O analista Landry Kuyo diz que a tensão que se sente no país faz temer um regresso ao período mais sombrio da crise pós-eleitoral de 2010.
"A realização das eleições presidenciais vai além da escolha do próximo Presidente", destaca. "É submeter o povo da Costa do Marfim ao exercício de decidir sobre a forma de acesso ao poder. É um teste à renovação das instâncias dirigentes. O povo da Costa do Marfim admite que só existe um caminho, que é o das eleições, ou admite que existem outros meios além das eleições?"
Entre os quatro candidatos da oposição qualificados para enfrentar Alassane Ouattara estão Simone Gbagbo, ex-primeira-dama, Jean-Louis Billon, ex-ministro do Comércio e dissidente do PDCI, Henriette Lagou, uma candidata independente que já concorreu em 2015 e o ex-ministro Ahoua Don Mello.