Daviz Simango: ″A nossa história toda é mentira″ - entrevista exclusiva - parte 2 | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 20.11.2010

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

Daviz Simango: "A nossa história toda é mentira" - entrevista exclusiva - parte 2

O líder do Movimento Democrático de Moçambique defende a criação de uma Comissão de Acolhimento e Verdade para rever a história da guerra de libertação e da guerra civil moçambicana.

Daviz Simango, o líder do MDM, em Frankfurt

Daviz Simango, o líder do MDM, em Frankfurt

A família de Daviz Simango, fundador do MDM – Movimento Democrático de Moçambique, a terceira força política do país, sofreu muito com a violência nos primeiros anos depois da independência de Moçambique em 1975. Os pais de Daviz Simango foram assassinados em campos de reeducação da Frelimo. O pai, Uria Simango, tinha chegado até a ser o Vice-Presidente da própria Frelimo, mas foi internado à força e morto, pois defendeu uma linha diferente da corrente marxista-estalinista que dominou o partido na altura.

Para Daviz Simango temas como este deveriam ser debatidos livremente no país: "A nossa história toda é mentira. Conseguimos mentir para as crianças através dos livros escolares, por exemplo sobre a morte de Eduardo Mondlane."

Daviz Simango critica: "A história moçambicana é contada de acordo com os interesses de três, quatro ou cinco pessoas – o que é mau!" Para Simango, Moçambique deveria adotar um modelo parecido com o da África do Sul depois do apartheid: "Devíamos fazer uma Comissão de Acolhimento e Verdade e deixar que os acadêmicos investiguem sem reservas."

Simango apela para que a ajuda dos doadores seja mais direcionada

Daviz Simango

Doris Köhn, diretora do banco alemão de desenvolvimento, KfW, com Daviz Simango, Presidente do Conselho Municipal da Beira

O líder do MDM também falou em Frankfurt com a DW sobre a cooperação internacional. Aproximadamente metade do orçamento do estado moçambicano provém da ajuda internacional, parte dela é entregue diretamente ao governo do país. "Entregar diretamente dinheiro ao governo de Moçambique tem trazido problemas para nos, os moçambicanos", critica Simango. Ele acha que a ajuda dos doadores internacionais devia ser mais direcionada para projetos: "O Estado moçambicano está golpeado. O Estado moçambicano confunde-se com o partido no poder: eles usam o dinheiro doado para fins partidários."

Daviz Simango é Presidente do Conselho Municipal da Beira, a segunda maior cidade do país, e esteve na Alemanha a convite da Konrad Adenauer Stiftung, fundação ligada ao CDU, o partido cristão-democrata alemão.

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados