Crise política na Guiné-Bissau: Resoluções da CEDEAO serão respeitadas? | Guiné-Bissau | DW | 01.07.2019
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Guiné-Bissau

Crise política na Guiné-Bissau: Resoluções da CEDEAO serão respeitadas?

Partidos políticos e cidadãos congratulam-se com as decisões saídas da cimeira da CEDEAO que deverão permitir o fim da crise política no país. Mas há quem prefira esperar para ver.

A  55ª  Cimeira dos chefes de Estados e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, CEDEAO, que decorreu no sábado (29.06.) em Abuja, Nigéria, ordenou que o Presidente guineense, José Mário Vaz, nomeie o Governo proposto pelo partido vencedor das legislativas de 10 de março passado e designe um novo Procurador-geral da República até quarta-feira (03.07.).

A organização regional determinou também que José Mário Vaz continua como Presidente do país até à realização das eleições presidenciais, marcadas para 24 de novembro, mas sem poderes para se ingerir nos assuntos de governação.

Reagindo às resoluções, o Movimento para Alternância Democrática, MADEM G-15, classificou nesta segunda-feira (01.07.) de pragmática a posição da CEDEAO. Classifica-as como compromisso com a democracia e com o Estado de direito.

Guinea-Bissau Jose Mario Vaz

José Mário Vaz, Presidente cessante da Guiné-Bissau

E a segunda maior força política na Guiné-Bissau elogia ainda a decisão que mantém no poder o Presidente cessante José Mário Vaz até a realização das presidenciais.

Quem também deu nota positiva as decisões saídas da cimeira é o partido da Renovação Social, PRS, a terceira maior força politica no país. Victor Pereira é o porta-voz do PRS: "Achamos que vai por termo aquela farsa política engendrada pela maioria parlamentar e os seus aliados na Assembleia Nacional Popular, portanto esse problema morreu, não há um novo Presidente, há um único que vai manter-se no palácio Presidencial até a eleição de um novo chefe de Estado."

O que pensam os guineenses

As resoluções da CEDEAO agradam também aos cidadãos guineenses que falam mesmo em ganho democrático e politico para o país.

Ouvir o áudio 03:45

Crise política na Guiné-Bissau: Resoluções da CEDEAO serão respeitadas?

Um deles diz que "é uma decisão que todos os guineenses estavam a espera. Não tem de haver interferências, porque um dos pontos acordados na Cimeira da CEDEAO é a não interferência do Presidente da República cessante na governação de Aristides Gomes."

Outro guineense lembra: "Realmente a situação que estamos a atravessar neste momento é complicada. A expetativa era enorme, porque o Presidente da República terminou o mandato e outros queriam que cessasse [as funções] imediatamente, mas também não é assim."

Mas há quem prefere não cantar vitória para já: "Não sei se a decisão da Cimeira de Abuja é vantajosa para nós ou não. O tempo dirá."

Para outro cidadão, a esperança é de que tudo fique claro a partir de agora: "Para mim esta decisão da CEDEAO é positiva, porque havia uma confusão entre os órgãos da soberania, sobretudo na Assembleia Nacional Popular, que aprovou uma resolução em que Cipriano Cassamá, seria o Presidente da República interino. E havia também um Presidente cessante que é José Mário Vaz. Mas eu acho, que depois da Cimeira tudo ficou esclarecido."

Sobre as fricções para a conclusão da constituição da mesa da Assembleia Nacional Popular, o Movimento para Alternância reitera total solidariedade para com o PRS na recuperação do posto de primeiro secretário.

Nesse sentido, a segunda força política reafirma a sua disponibilidade em apoiar as iniciativas constitucionais que visam tirar o país da crise política.

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