Concessões anunciadas pelos militares no Egito encaradas com desconfiança | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 23.11.2011

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Internacional

Concessões anunciadas pelos militares no Egito encaradas com desconfiança

Os militares egípcios cederam à pressão popular e deram luz verde a um calendário para a transferência de poder para os civis. A oposição suspeita das intenções dos generais e garante que as manifestações continuarão.

Mohamed Hussein Tantawi, chefe da Junta Militar egípcia afirmou que os militares querem transferir o poder até julho de 2012

Mohamed Hussein Tantawi, chefe da Junta Militar egípcia afirmou que os militares querem transferir o poder até julho de 2012

Na terca-feira (21.11), na Praca Tahrir, no centro do Cairo, voltaram a viver-se momentos de tensão durante os protestos contra o Conselho Superior Militar. Dezenas de milhares de manifestantes mostraram que não acreditam nas promessas de democratização do regime anunciadas por Mohammed Hussein Tantawi, o marechal que chefia a junta militar que governa o país.

Khaled Abdullah, um dos ativistas pró-democracia presente na manifestação foi peremptório "os manifestantes não querem o marechal Tantawi. Eles não querem o conselho militar nem querem o exército. O futuro do Egito pertence aos milhares de pessoas que estão nas ruas. Tantawi anunciou que está disposto a abandonar o poder. Se for assim que saia já, antes que sejam mortas mais pessoas. Isto não pode continuar. Os militares não têm qualquer autoridade para governar. Nós vamos afastá-los. Não sairemos daqui até que se vão embora."

"Os militares abandonarão o poder, o mais tardar, até julho de 2012"

A oposição suspeita das intenções dos generais e garante que as manifestações continuarão no Cairo e em todo o país

A oposição suspeita das intenções dos generais e garante que as manifestações continuarão no Cairo e em todo o país

As eleições legislativas começam na próxima segunda-feira como estava planeado e o governo demissionário do primeiro-ministro Essam Sharaf continuará em funções até à nomeação de um governo provisório. Numa comunicação televisiva o marechal Tantawi, anunciou que os militares abandonarão o poder, o mais tardar, até julho de 2012, após as eleições presidenciais. Desde o primeiro dia, queremos transferir o poder para um governo civil, livre e democraticamente eleito".

O marechal parece no entanto não ter convencido os egípcios. O chefe da junta militar defendeu o exército. Disse que os soldados nunca agiram de forma agressiva mesmo quando foram atacados e insultados pelos manifestantes.Tantawi, para além de desmentir com veemência as críticas da oposição, fez acusações. "A oposição quer destruir a grande confiança que existe entre o povo e os militares, construída ao longo de muitos anos. Eles querem destruir a nação egípcia.“

Poucos minutos depois deste discurso, a tropa voltou a carregar sobre os ativistas pró-democracia, na Praça Tahrir. Resultado - mais três mortos – revelou um médico citado pela agencia France Press.

Alemanha critica os militares

Rolf Mützenich (SPD) disse que o governo de Angela Merkel e a Comissão Europeia devem exigir a libertação imediata de todos os manifestantes presos

Rolf Mützenich (SPD) disse que o governo de Angela Merkel e a Comissão Europeia devem exigir a libertação imediata de todos os manifestantes presos

A violência dos soldados e a impunidade de que gozam por parte do poder militar que governa o Egito estão a desencadear crescentes reações de repudio por parte da comunidade internacional.

Na Alemanha, o especialista em política externa do Partido Social-Democrata, Rolf Mützenich, exigiu a Berlim e Bruxelas que dêem uma resposta inequívoca ao comportamento da junta militar egípcia. “Acho que é necessário um discurso mais claro. Necessita-se de uma postura conjunta com a União Européia. Bruxelas deve dar uma resposta a uma só voz sem intervenção dos governos nacionais. Eu penso que isto é muito importante e acredito que os manifestantes egípcios também esperam isso.”

O politico social-democrata alemão acrescentou que o governo de Angela Merkel e a Comissão Europeia devem igualmente exigir a libertação imediata de todos os manifestantes presos.

Na ótica de Mützenich a violência dos soldados e da policia é a principal causadora da instabilidade política que se vive no país. Sem uma forte pressão externa sobre os detentores do poder militar,dificilmente a paz e a estabilidade voltarão ao Egito", acrescentou o político alemão.

Autor: Hans Ehl / Pedro Varanda de Castro
Edição: Helena Ferro de Gouveia/António Rocha

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