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Como África pode lucrar com a corrida ao ouro?

Cai Nebe
7 de fevereiro de 2026

Construção de fábricas de refinação de ouro em África e o controlo das fugas ilícitas ajudariam significativamente os governos africanos a beneficiar da sua riqueza em ouro, diz analista.

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O ouro está a sair dee África a baixo preço, alerta analista
O ouro está a sair dee África a baixo preço, alerta analistaFoto: IMAGO/Pond5 Images

A alta no preço do ouro fez com que países africanos produtores se apressassem para capitalizar. Mas será que conseguirão ajustar se com rapidez suficiente? Como África pode lucrar com a corrida ao ouro?

Os principais produtores de ouro de África estão a procurar lucrar com a subida do preço do ouro, que aumentou 65% em 2025 e ultrapassou os 5.580 dólares por onça (cerca de 31 gramas) na semana passada.

O Burquina Faso, por exemplo, registou uma produção recorde de 94 toneladas de ouro em 2025, ou seja, um aumento de mais de 30 toneladas em comparação com os números de 2024.

"África está bem posicionada em termos de reservas", explica Marvellous Ngundu, investigador do Instituto de Estudos de Segurança (ISS), com sede na África do Sul.

Segundo ele, "o continente produz mais de 1/4 do ouro global, o que significa que os benefícios se acumulam como resultado das receitas de exportação, receitas fiscais e também do aumento das entradas de moeda estrangeira".

"Mas isso só acontecerá se as fugas ou os fluxos financeiros ilícitos associados ao ouro forem controlados", alerta.

Garimpeiro ilegal lava terra em busca de ouro.
Garimpeiro ilegal no Gana lava terra em busca de ouroFoto: Cristina Aldehuela/AFP/Getty Images

Gana: Alterar as leis de mineração

O Gana, o maior produtor de ouro de África, está a alterar as leis de mineração para obter maior participação nas receitas do ouro. Autoridades locais afirmam que condições fiscais deixam o Estado com uma participação limitada.

Mali, República Democrática do Congo e a Tanzânia também endureceram as leis mineiras para aumentar o controlo estatal sobre minerais críticos.

Além dos investidores ocidentais, a China e a Rússia investiram na mineração de ouro, incluindo nos países do Sahel.

No ano passado, o Burquina Faso concedeu à gigante mineradora russa Norgold uma concessão para desenvolver a mina de Bissa-Bouly, a cerca de 85 quilómetros a norte da capital, Ouagadougou.

Para o analista Ngundu, o aumento do preço do ouro, embora bem-vindo para as mineradoras africanas, representa uma faca de dois gumes para os Governos.

"Uma receita inesperada proveniente do ouro pode alimentar a sobrevalorização da moeda e excluir outras exportações, a menos que seja gerida. Veremos que, no final deste trimestre, as exportações de África serão elevadas, especialmente para aqueles que exportam ouro", disse.

República Democrática do Congo Luhihi 2023
Garimpeiros numa mina de ouro na República Democrática do CongoFoto: Alexis Huguet/AFP/Getty Images

Paradoxo africano

África vive um paradoxo: Embora produza mais ouro do que qualquer outro continente, detém apenas 2% das reservas mundiais. Em termos comparativos, os Estados Unidos têm 8.133 toneladas em reservas de ouro, seguidos da Alemanha, Itália e França. Enquanto isso, o país africano com a maior reserva, a Argélia, tem apenas 174 toneladas.

Mas Ngundu alerta que o ouro está a sair do continente - e está a sair a baixo preço. "O problema é que está a ser vendido a outros países na sua forma bruta. Em seguida, passa o valor para outros países que o compram para fins de refinação e o mantêm como reserva", explica.

Para o investigador, "a construção de fábricas de refinação de ouro em África e o controlo das fugas ilícitas ajudariam significativamente os Governos africanos a beneficiar da sua riqueza em ouro", argumenta.