Chevron: Reformados exigem revisão da política de pensões
4 de outubro de 2025
Para os trabalhadores reformados da petrolífera norte-americana Chevron, tendo em conta a perda do poder de compra em Angola, é urgente a avaliação e revisão da pensão de reforma. Atualmente recebem entre 700 e 729 mil kwanzas (entre 650 e 680 euros) e alegam que não tem sido suficiente para suprir as suas necessidades.
Com vista a encontrar soluções para as suas inquietações, o grupo de ex-trabalhadores da Chevron oficializou recentemente a Associação dos Reformados que, até agora, conta com mais de 50 membros.
Em declarações à DW, Humberto Baquissi, presidente executivo da associação, exige uma revisão urgente da política de pensões.
"Fizemos uma grande contribuição para a Caixa Social e agora, reformados, é quase unânime que o que nos dão na reforma não é o que pretendemos receber. Porque alguém que sempre contribuiu, por exemplo, com cinco mil kwanzas e outra pessoa que contribuiu com 500 kwanzas, vão os dois à reforma e no final acabam por receber o mesmo valor. Algo não vai bem", lamenta.
Baquissi lembra que o valor que havia sido estipulado para a reforma na altura era equivalente a 5 mil dólares. Porém, o Governo não indexou a quantia em kwanzas ao dólar, daí a sua desvalorização.
"Agora vamos trabalhar no sentido de sensibilizar e irmos ao encontro de todos os nossos associados, para buscarmos o que pretendemos que é a melhoria de condições de reforma.”
Entretanto, no início deste ano, o Governo angolano prometeu aumentar o valor pago mensalmente pela Segurança Social num curto período de tempo. Mas de lá para cá nada se efetivou.
António Lopes, outro ex-trabalhador da Chevron, também lamenta a situação em que os reformados se encontram.
"Infelizmente não há benefícios adicionais, como transporte, alimentação e seguro. E como se não bastasse, continuamos a pagar certas taxas como o IVA. Há também muitos trabalhadores que acabam por morrer sem gozar integralmente da sua pensão”, diz António Lopes.
Em declarações à DW, o analista Sebastião Binda, apoia a demanda dos reformados.
"Conhecemos a realidade atual do país. Muitos destes reformados ganhavam perto de cinco milhões de kwanzas, para hoje nem um milhão encontrarem nas suas contas? É absurdo. É tempo de se rever essa realidade injusta”, defende.