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Xitiki: Poupança rotativa que sustenta famílias moçambicanas

29 de abril de 2026

Em Moçambique, o xitiki é mais do que poupança: ajuda famílias a enfrentar despesas, investir e até reforçar laços sociais. Uma prática baseada na confiança que continua a marcar o dia a dia de muitos cidadãos.

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Metical, moeda moçambicana
O xitiki movimenta poupanças e sustenta o dia a dia de muitas famílias em Moçambique.Foto: Delfim Anacleto/DW

Em Moçambique, existe uma prática tradicional de poupança e crédito rotativo conhecida como xitiki. Trata-se de um sistema amplamente utilizado por diferentes grupos sociais, geralmente compostos por cinco, dez ou até 12 pessoas, que contribuem mensalmente com uma parte do seu salário para beneficiar um membro do grupo em cada período.

Há várias formas de designar o xitiki, mas pode ser entendido como um crédito informal rotativo — mensal, semanal ou mesmo diário — e sem juros.

Esta prática é comum entre vendedores informais, funcionários públicos, grupos de amigos e familiares.

Como funciona o sistema

Alguns participantes afirmam que o xitiki permite o acesso a montantes significativos, dependendo das regras definidas pelo grupo.

Por exemplo, num grupo de 10 membros em que cada um contribui com o equivalente a 100 euros por mês, cada participante poderá receber 1000 euros quando chegar a sua vez.

João Machel, que trabalha por conta própria, destaca as vantagens do sistema:

"É uma maneira de guardar dinheiro para depois quando cair, ir levantar esse dinheiro e dar continuidade ao negócio. Estica como salário é como trabalhar para o salário", disse.

Utilização do dinheiro e impacto

Os valores recebidos são, geralmente, utilizados para pequenos investimentos, melhorias na habitação ou aquisição de bens de maior valor. No entanto, também servem para responder a situações imprevistas.

Beatriz António explica:

"Por exemplo, tens um filho que do nada adoece, então podes levar aquele dinheiro para comprar medicamentos. Ou podes do nada perder emprego e podes começar um negócio", disse.

Para algumas pessoas, o xitiki ajuda a garantir necessidades básicas. Anselma Cumaio afirma que, graças a esta prática, já não depende exclusivamente do salário para despesas essenciais:

"Tenho cesta básica desde açúcar... é diferente quando por exemplo tenho 2 mil meticais, não vou conseguir tirar para batata. Mas quando faço aquele xitiki há possibilidades de ter batata, açúcar, frango. Ajuda nem", disse.

Os perigos do xitiki

O funcionamento do xitiki depende da confiança entre os participantes. Esse elemento é considerado fundamental para garantir o cumprimento dos compromissos financeiros.

Anselma Cumaio destaca a importância desse cuidado, sobretudo com novos membros:

"Se alguém é novo no xitiki em nenhum momento deverá ser o primeiro ou o segundo na lista para receber porque não se sabe o que essa pessoa quer, ou se vai desistir. Se calhar só vinha com um objetivo de ter aquele dinheiro e desaparecer", disse.

Mais do que poupança

Além do aspeto financeiro, o xitiki também desempenha um papel social, aproximando pessoas e fortalecendo laços familiares.

Paulo Raposo sublinha essa dimensão:

"Há famílias que estão distantes, não se visitam, porque ninguém tem tempo. É aí que o xitiki une aquelas famílias. Mas há um dia reservado, aquele sábado, que sabe que nesse dia tenho encontro familiar", disse. 

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Romeu da Silva Correspondente da DW África em Maputo