Caso ″Kalupeteka″: Sentença no Huambo a 30 de março | Angola | DW | 07.03.2016
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Angola

Caso "Kalupeteka": Sentença no Huambo a 30 de março

O Tribunal do Huambo agendou para 30 de março a leitura da sentença do caso envolvendo o líder da seita angolana "A luz do mundo", José Kalupeteka, e nove seguidores. Advogado de defesa duvida que sejam absolvidos.

José Julino Kalupeteka negou todas as acusações

José Julino Kalupeteka negou todas as acusações

Os réus são acusados do homicídio de nove polícias em abril de 2015. O Ministério Público do Huambo exigiu a condenação dos dez homens, enquanto a defesa pediu a absolvição de todos por "insuficiência de provas".

Durante o julgamento, que dura há quase dois meses, José Julino Kalupeteka, de 46 anos, recusou a autoria dos confrontos ou de atos de violência. O líder religioso, detido preventivamente desde abril, está indiciado pela co-autoria material de nove crimes de homicídio qualificado consumado, crimes de homicídio qualificado frustrado e ainda de desobediência, resistência e posse ilegal de arma de fogo. Os restantes elementos da seita são acusados de crimes de homicídio qualificado consumado e frustrado.

Angola Anwalt David Mendes

David Mendes, advogado da associação "Mãos Livres"

"Num processo como este, muito mediático e com muita interferência política, não estou a ver a probabilidade de o tribunal absolver Kalupeteka", disse esta segunda-feira (07.03) à agência de notícias Lusa o advogado de defesa David Mendes, após a sessão final do julgamento, onde teve lugar a leitura dos quesitos (matéria dada como provada).

Para o advogado da associação de defesa dos direitos humanos "Mãos Livres", também ficou "muito claro" que há pessoas que "não tinham nada que ver com o que aconteceu".

David Mendes considera que o julgamento começou de forma "muito tensa", mas foi "acalmando" nos últimos dias, o que, na sua opinião, permitiu mudar "a convicção inicial, não só do tribunal como da sociedade", de "que os indivíduos ligados ao Kalupeteka teriam sido assassínios convictos". Agora, acredita o advogado, "a sociedade já tem uma outra convicção e já repara de forma diferente".

Números contraditórios

Na origem do caso estão confrontos entre fiéis da seita e agentes no monte Sumi, município da Caála, província do Huambo, a 16 de abril de 2015, que terão começado quando a polícia tentou prender José Kalupeteka e outros dirigentes da seita não reconhecida pelo Estado angolano.

Segundo a versão oficial, morreram nove polícias e 13 fiéis. Na altura, a oposição angolana, nomeadamente a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e a Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), denunciaram a existência de centenas de mortos. Também pediu uma investigação internacional - negada pelo Governo.

De acordo com o Ministério Público, os elementos daquela igreja prepararam machados, facas, mocas para atacar os "inimigos da seita ou mundanos". A acusação refere que as mortes dos agentes da polícia resultaram essencialmente de agressões com objetos contundentes, inclusive paus, punhais e catanas, às quais alguns polícias responderam com disparos.

A defesa insiste que não ficou provado que o líder da seita terá desobedecido, resistido às autoridades ou orientado os seus seguidores a criarem postos de vigilância para agredirem os agentes da Polícia Nacional.

Karte Angola Sao Pedro Sume

Confrontos entre a polícia e membros da seita "A Luz do Mundo" ocorreram a 16 de abril de 2015

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