Campanhas eleitorais europeias são marcadas por desinformação | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 19.05.2019
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Internacional

Campanhas eleitorais europeias são marcadas por desinformação

O Facebook é uma das principais plataformas digitais utilizadas para a divulgação de conteúdo falso. Investigadores defendem a ampliação do acesso a dados para que seja possível identificar as fontes de desinformação.

Um post ainda disponível no Facebook acusa o partido alemão Os Verdes de utilizar um cartaz com a mensagem "Morte aos homens brancos alemães" num escritório de campanha na cidade de Donauwörth, no sul da Alemanha. São imagens falsas que buscam difamar o partido e desestabilizar a sua base eleitoral.

Entretanto, quem deseja compartilhar a informação recebe um alerta sobre a falta de autenticidade do conteúdo. A análise deste post foi feita pela organização independente de jornalismo investigativo Correctiv e pelo serviço de checagem de fatos da agência de notícias alemã DPA, que firmaram uma parceira com o Facebook na Europa para investigar conteúdo questionável nas redes sociais.

O exemplo da Baviera é apenas um entre muitos. No geral, tenta-se espalhar desinformação para influenciar as opiniões políticas dos cidadãos. O quão eficaz isto realmente é ainda não é possível mensurar. No mínimo, pode-se esperar que as eleições serão influenciadas por campanhas direcionadas.

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Campanhas eleitorais europeias marcadas por desinformação

No final de maio, os cidadãos dos 28 países da União Europeia (UE) irão eleger os membros do novo Parlamento Europeu e, assim, determinar o futuro do bloco. Durante a campanha eleitoral, a principal plataforma utilizada para espalhar desinformação está a ser o Facebook, que tem milhões de usuários europeus.

"Nós começamos relativamente mal neste tema com a campanha presidencial dos EUA em 2016", afirmou Semjon Rens, diretor de políticas públicas do Facebook para a Alemanha, Áustria e Suíça, numa conferência em Hamburgo. Um relatório produzido pelo investigador Robert Mueller mostra que atores russos, como a Agência de Pesquisa na Internet (IRA), usaram a rede social para disseminar desinformação em favor de Donald Trump.

Desde então, o Facebook está a investir em equipas especializadas em combater a desinformação nas redes. Um dos principais desafios é encontrar os interlocutores certos em cada país. Enquanto o Escritório Federal Alemão de Segurança da Informação foi rapidamente sensibilizado sobre o tópico, a busca por interlocutores em outros países tem sido mais difícil.

Recentemente, o Facebook lançou uma "biblioteca de publicidade". A ferramenta permite aos usuários entender os interesses políticos que estão por trás do conteúdo da plataforma. É possível encontrar informações sobre quais atores políticos colocaram os anúncios, e quando e quanto pagaram. "Este é um passo na direção certa", afirma Alexander Sängerlaub, analista em desinformação digital da Fundação Neue Verantwortung, em Berlim.

Amplo acesso

Entretanto, anúncios segmentados e pagos por partidos políticos são apenas uma das muitas categorias de conteúdo político, e muitos não são disponibilizados para acesso público. Ainda assim, é possível fazer uma análise individual de páginas que presumivelmente desinformam. Mas isso não é suficiente. "Estamos a voar às cegas nas eleições europeias", reclama Alexander Sängerlaub. "Será difícil descobrir de facto quanta desinformação circulou pelas redes."

Facebook-Profil der EU-Kommission

Perfil da Comissão Europeia no Facebook

"Frequentemente, muitas vezes não está claro quais atores estão a transmitir determinadas mensagens em campanhas de desinformação. É preciso identificá-los e sistematizar esse processo. Investigadores precisam ter acesso a grandes quantidades de dados com métodos estatísticos, e isto está a ocorrer de forma muito limitada", explica o analista.

O Facebook fechou uma das interfaces para a análise de publicações públicas depois do escândalo da Cambridge Analytica em 2017, quando os dados de milhões de usuários foram utilizados sem autorização para influenciar a opinião de eleitores em vários países. Depois, o Facebook voltou a permitir o acesso a dados para alguns analistas que fazem pesquisa nesta área, mas não está claro qual é o critério de seleção.

Mais difícil do que no Facebook e no Instagram é rastrear a disseminação de informações falsas no WhatsApp. "O WhatsApp é criptografado de ponta a ponta, ou seja, os dados não são armazenados pelo Facebook", afirma Semjon Rens, do Facebook.

"Em outras palavras, as oportunidades de identificar agentes maliciosos são muito limitadas e temos que depender dos feedbacks dos usuários. No final, o quanto queremos intervir em tais serviços torna-se uma questão política. Precisamos de um debate fundamental sobre qual deveria ser a relação entre segurança e privacidade", acrescenta.

Quem compartilha conteúdo falso?

Informações manipuladas ou mentirosas são geralmente postas em circulação por perfis falsos. O Facebook sempre exclui esses perfis, mas Rens pondera: "Nunca conseguiremos excluir todas as contas falsas da nossa página. Estamos a lidar com sistemas de direitos eleitorais completamente diferentes entre os 28 países da UE".

"Acho que está claro que estamos a falar de políticas de segurança e esta é como uma corrida armamentista entre atores do mal e nós", complementa.

No entanto, a desinformação não se restringe apenas a perfis falsos, mas é também disseminada por veículos de comunicação tradicionais. Um exemplo disso é uma publicação do tablóide Bild sobre uma suposta carta elaborada por 100 médicos especializados em pulmão sobre os riscos à saúde causados por motores a diesel. O jornal não averiguou a veracidade do documento, que se provou falso. Por fim, é também responsabilidade dos cidadãos questionar de forma crítica por que acreditam ou não numa determinada informação.

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