Angola: Quão honesto é Carlos Cunha, membro do Conselho da República? | Angola | DW | 22.01.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

Angola: Quão honesto é Carlos Cunha, membro do Conselho da República?

O Conselho da República conta com um novo membro de índole duvidosa. Trata-se do empresário Carlos Cunha que recentemente foi condenado pela justiça portuguesa a pagar 1.800.000 euros por incumprimento de contrato.

Angola Luanda Präsidentenpalast (AFP/Getty Images/A. Jocard)

Presidência da República - Luanda

No passado dia 3 de janeiro, o Presidente de Angola nomeou o empresário Carlos Cunha membro do Conselho da República. Mas o homem que mereceu a confiança de João Lourenço tem a sua honestidade beliscada. É que o empresário não respeitou um acordo com o empresário espanhol Severino Echarte no âmbito de uma iniciativa que visava levar à Luanda o tenor Plácido Domingo em 2015.

Em causa estava a comemoração dos 40 anos da independência de Angola prevista para 6 de novembro daquele ano. E o que deveria ser um evento histórico para Angola acabou nas barras do tribunal.

O lesado meteu queixa contra Carlos Cunha: "Não só digo eu que é um caso de absoluta má fé, como também as sentenças que foram proferidas pelos tribunais portugueses, e que ditaram a sentença no passado mês de dezembro, acusam-no de autêntica má fé, de total incumprimento do contrato. Tanto ele como as pessoas que estavam ao seu redor."

Ouvir o áudio 04:26
Ao vivo agora
04:26 min

Angola: Quão honesto é Carlos Cunha, membro do Conselho da República?

As desculpas de Carlos Cunha

No 11 de Dezembro de 2018 o Tribunal da Relação de Lisboa validou a condenação do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, de 30 de novembro de 2017, que determinava o pagamento de mais de 1,8 milhões de euros, mais juros e outros custos, por parte da empresa de Carlos Cunha, a Paladar, à Trio Austral Consulting Limited, empresa do espanhol Severino Echarte.

Tudo começou com o incumprimento do contrato entre as duas empresas, a Paladar deveria ter pago duas prestações de 900 mil euros a Trio Austral pelos seus serviços: a primeira até 30 de junho de 2015, e a segunda, até 30 de setembro do mesmo ano.

Segundo Severino Echarte, quando questionado sobre as violações do contrato "ele dizia que estávamos com as mais altas instâncias do país e que era gente de bem e que tudo se iria cumprir até ao último minuto. Mas era tudo mentira, nada foi cumprido, nada."

Nem por via amigável funcionou

Berlin Joao Lourenco Präsident Angola

João Lourenço, Presidente de Angola

O empresário espanhol lembra que a apoiar esta iniciativa estava, por exemplo, a ex-primeira dama de Angola Ana Paula dos Santos e sublinha que um projeto que envolve interesses do Estado, como a celebração da independência, só seria possível com o aval do Governo. Mas nem este se importou com o incumprimento, diz.

Sobre a hipótese de mediar o caso amigavelmente com Carlos Cunha, Severino Echarte garante que se esforçou para tal: "Em várias ocasiões tivemos oportunidade de haver solução e manter perfeitamente intacta a imagem de Angola. Mas nem isso fez."

Carlos Cunha não é o único individuo suspeito a ser indicado para um cargo importante no consulado de João Lourenço. Na apelidada "dança das cadeiras" dirigida pelo Presidente do país, mantêm-se nomes duvidosos, como é o caso do governador do Banco Nacional de Angola José de Lima Massano, o que deixa alguns setores descrentes em relação à governação de João Lourenço.

Quais são os critérios de escolha?

 Placido Domingo

Plácido Domingo, tenor

Deveria haver algum critério a ser tomado em conta antes do Presidente da República indicar gente para cargos da sua confiança e de relevo para o país?

"A questão é que não se utiliza a meritocracia, como critério principal em Angola, mas sim a militância. E depois, na militância aquele que está próximo do fulano é que muitas vezes é puxado porque é um bajulador, endeusa o Presidente, é uma pessoa que não tem a capacidade crítica. Então, é mais ou menos esse tipo de critério que enferma o país", responde o analista David Kissadila.

Espera-se que integrantes de um órgão como o Conselho da República sejam, entre outras coisas, íntegros e honestos. Mas para que tal seja uma realidade é preciso relançar pessoas honestas, considera Kissadila.

Mas o analista recorda que "a questão do MPLA é que a corrupção se tornou uma cultura, o nepotismo tornou-se uma cultura, a bajulação tornou-se uma cultura. Quer dizer que é preciso rever a ética política do MPLA, a ética deve impor-se a política, ou seja, deve haver conduta de cidadania, deve-se promover conduta da moralidade, o que não existe infelizmente."

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados