Angola: Líder islâmico aponta ″excesso de zelo″ no encerramento de mesquitas | NOTÍCIAS | DW | 18.05.2019

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NOTÍCIAS

Angola: Líder islâmico aponta "excesso de zelo" no encerramento de mesquitas

Líder da comunidade islâmica em Angola comenta alegado encerramento de mesquitas em três províncias. David Ja classifica o ato como um "excesso de zelo" das autoridades, apesar de não confirmar os tais acontecimentos.

O líder da comunidade islâmica em Angola garante que os muçulmanos estão a cultuar sem nenhuma restrição no país. Sobre o relato de mesquitas que estão a ser encerradas nas províncias da Lunda Norte, Malange e Uíge, David Ja classifica o ato como um "excesso de zelo na atuação das autoridades", apesar de não confirmar e nem desmentir os tais acontecimentos.

Os muçulmanos estão em época de ramadão. E em Angola há informações de que alguns islâmicos na pronvíncia da Lunda Norte foram obrigados a cumprir o jejum na República de Demócratica do Congo (RDC) devido ao encerramento das mesquitas. Mas, segundo o dirigente religioso, nenhum cidadão que professa o islão está a ser discriminado.

Falando à DW África, David Ja esclareceu  que as alegadas restrições que estão a ser denunciadas não têm a ver com a decisão oficial do Governo angolano. Com exceção da Lunda Norte, Malange e Uíde, em Luanda, que é capital do país, e em outras províncias como Benguela e Lunda Sul, não há nem uma queixa de encerramento de locais de cultos.

Entretanto, há negociações a decorrer entre a comunidade islâmica e as autoridades a fim de se resolver o assunto. "Estamos a realizar o ramadão, as mesquitas estão abertas, é bem verdade que existe estes relatos mas é numa proporção menos alarmante. Estamos a falar da província da Lunda Norte, província de Malange e a província do Uíge, que em algumas mesquitas está a ser interrompido o percurso normal do culto num mês como esse de ramadão. Mas não acreditamos que isto seja uma política oficial do Estado para restringir a liberdade religiosa aos muçulmanos", afirmou o líder religioso.

Mesquita com obras embargadas

Angola Luanda Muslimin

Mulher muçulmana em Luanda, capital de Angola

Por seu turno, Nlandu Panzo José, um dos quatro muçulmanos condenados em 2017 pelo Tribunal Provincial de Luanda sob acusação de organização terrorista e fidelidade ao grupo extremista Estado Islâmico, disse que os locais de cultos em Malange, Uíge e Lunda Norte estão a ser encerrados por falta de legalização.

O jovem angolano que se considera divulgador do islão em Angola denuncia ainda que no Uíge as autoridades estão a impedir a construção de uma mesquita. Nlandu afirma que a administração local pretende ceder o terreno para um supermercado.

"Não encontramos até agora razão que impeça a conclusão da construção da mesquita. As autoridades alegam que a religião não está reconhecida. Mas estamos a tratar de um assunto de fórum administrativo, que é a construção de um espaço e que não é o culto.  A lei que usam para impedir a construção fala de culto, mas nós não estamos a fazer o culto, é simplesmente a construção", defende Nlandu Panzo José, que ressalta: "havia aí uma máfia criada no sentido de coagir os muçulmanos a cederem o espaço, porque um supermercado da região pretende alargar o seu parque de estacionamento".

Para Nlandu Panzo José, apesar de existir uma lei sobre a liberdade religiosa no país, o Governo tenta impedir a expansão do islão.

"Há uma política de contenção para que o islão não se expanda no país. Daí que temos assistido a essas atitudes das instituições, de encerrar aqui e ali as mesquitas. Relativamente à Luanda, penso que é uma questão estratégica, porque temos as embaixadas aqui na capital. O islão é uma religião reconhecida internacionalmente, e penso que não fazem porque temem a pressão internacional. Já noutras províncias, a situação como é muito latente, vão criando estes tipos de situações", frisou.

Reconhecimento à vista

Ouvir o áudio 03:08

Angola: Líder islâmico aponta "excesso de zelo" no encerramento de mesquitas

Angola aprovou em novembro do ano passado a Lei sobre a Liberdade de Religião, Crença e Culto, que visa regular o exercício da atividade religiosa e definir o regime de constituição, modificação e extinção de instituições de natureza religiosa, bem como proteger a liberdade de crença dos cidadãos, prevista na Constituição.

Entretanto, a norma divulgada na semana passada no Diário da República obriga as confissões religiosas a uma subscrição mínima por 60 mil fiéis e proibindo-as de cobrar por "bênçãos divinas".

Segundo David Ja, líder da comunidade islâmica angolana, Angola é o único país africano que ainda não reconheceu o islão. Entretanto, acredita que o reconhecimento está próximo:

"O reconhecimento da religião islâmica é também uma obrigação do Estado, pois é uma religião reconhecida internacionalmente. O único país ao nível de África que ainda não reconheceu o islão é Angola, quiçá ao nível do mundo. Portanto, vamos encontrar esta abertura. Nós, os muçulmanos, somos poucos, e também dentro do princípio dos direitos humanos e da declaração dos direitos do homem há uma política de defesa das minorias. Somos a minoria e então temos algum privilégio", argumentou David Ja.

 

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