Alemanha: Protestos pelo acolhimento de migrantes do campo de Moria | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 10.09.2020
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Internacional

Alemanha: Protestos pelo acolhimento de migrantes do campo de Moria

Milhares de pessoas foram às ruas na Alemanha pedir o acolhimento de migrantes no país, após incêncio de grandes proporções devastar o maior campo de refugiados da Grécia. Berlim defende solução europeia.

Protesto em Berlim

Protesto em Berlim

Os protestos ocorreram espontaneamente esta quarta-feira (09.09) em várias cidades alemãs para exigir que as autoridades tomem conta dos migrantes afetados pelo incêndio no campo de refugiados grego de Moria.

Um incêndio deflagrou na noite de terça-feira na ilha grega de Lesbos e devastou o insalubre campo de Moria, o maior do país, que albergava cerca de 12.700 pessoas, incluindo quatro mil crianças.

Um novo incêndio deflagrou na madrugada de quarta numa parte do campo que não tinha sido muito atingida, de acordo com informações da agência de notícias AFP.

A ilha de Lesbos, com uma população de 85 mil habitantes, foi declarada em estado de emergência esta quarta-feira. De acordo com as autoridades gregas, pelo menos 3.500 migrantes e refugiados estão agora sem abrigo e foram tomadas medidas de emergência para os acolher.

Protestos na Alemanha

"Direito de residência, em todo o lado, ninguém é ilegal" ou "temos espaço", foram frases cantadas pelos manifestantes em Berlim, Hamburgo, Hanover e Münster.

De acordo com a organização não-governamental de ajuda aos refugiados Seebrücke, só em Berlim 10 mil pessoas saíram à rua, onde os manifestantes reunidos em frente à principal estação ferroviária planeavam continuar a sua marcha até ao Ministério do Interior alemão. A polícia não avançou com uma estimativa sobre o número de pessoas presentes.

Várias vozes levantaram-se esta quarta-feira, incluindo responsáveis políticos locais alemães, para afirmar a vontade de acolher migrantes do devastado campo de Moria.

Compromisso europeu

O Governo alemão rejeitou os apelos, dizendo que queria um compromisso europeu sobre a distribuição dos migrantes no continente.

Por seu turno, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou a sua "profunda tristeza", sublinhando que a União Europeia (UE) está "pronta a ajudar" a Grécia, sem acrescentar pormenores.

A Amnistia Internacional exigiu uma ação europeia imediata face à "emergência humanitária" no campo de refugiados, atribuindo às "políticas imprudentes" da UE o desencadear da atual situação.

Situação em Moria

Milhares de refugiados do campo de Moria ficaram expostos na noite de quarta-feira ao mau tempo que se fez sentir na Grécia, à espera de transferência das instalações destruídas pelos incêndios.

Muitas pessoas foram colocadas provisoriamente em tendas precárias depois de o fogo ter destruído os locais onde viviam e aguardam novas instalações, na ilha de Lesbos. Muitas famílias pernoitaram nas estradas que rodeiam o campo, com mais de 13 mil pessoas.  

De acordo com a imprensa local, as forças policiais delimitaram com cordas o perímetro exterior do campo para evitar que os refugiados se desloquem para a cidade de Mitilene, tendo utilizado granadas de gás lacrimogéneo para travar as tentativas de fuga. 

Os grupos mais vulneráveis, cerca de mil requerentes de asilo, vão ser acolhidos pela Marinha de Guerra, que enviou para o local duas embarcações da Armada e um ferry comercial.

Covid-19 no campo

De acordo com informações do Governo de Atenas, o grande incêndio destruiu 80% do recinto interno do campo de Moria. O centro de acolhimento encontrava-se sob quarentena depois de terem sido detetados 35 casos de contaminação de Covid-19.

O incêndio começou depois de os contágios terem sido anunciados pelas autoridades. O Governo acredita que o fogo foi provocado.

Segundo o ministro das Migrações, Notis Mitarakis, até ao momento as autoridades apenas localizaram oito das 35 pessoas contaminadas com SARS-CoV-2, estando as restantes misturadas junto dos grupos que tentaram fugir do campo durante o incêndio.  

Assistir ao vídeo 03:35

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