Acordo nuclear: Trump alerta que "o tempo está a esgotar-se"
29 de janeiro de 2026
O Presidente norte-americano, Donald Trump, voltou, esta quarta-feira (28.01), a ameaçar o Irão, dizendo que o tempo para negociar um acordo nuclear "está a esgotar-se".
Numa mensagem publicada nas suas redes sociais, Trump fez saber que a frota da marinha norte-americana enviada para o Médio Oriente, no seguimento dos protestos que abalaram o Irão no último mês, já chegou à região de Golfo e está "pronta para cumprir a sua missão", "se necessário, com violência”.
A resposta não se fez esperar. O Irão está disposto a negociar, mas não sob ameaças de uma ação militar, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi.
"A nossa posição é clara. As negociações não podem ter lugar num clima de ameaças. As conversações requerem que deixem de lado as ameaças e exigências excessivas”, sublinhou.
A posição voltou a ser defendida mais tarde num comunicado da missão do Irão na ONU, mas desta vez, com o mesmo tom de ameaça. Teerão reforçou que, se for encurralado, vai defender-se e responder "como nunca".
Regime com "dias contados"
A troca de mensagens hostis voltou a agitar o cenário internacional.
Em declarações no Conselho de Segurança da ONU, o representante da China, Fu Cong, apelou aos Estados Unidos para que "evite deitar achas para a fogueira”.
"Qualquer aventureirismo militar só levará a região a um abismo de imprevisibilidade. Apelamos a todas as partes para que respeitem os propósitos e princípios da Carta da ONU, se oponham à interferência nos assuntos internos de outros países e rejeitem a ameaça ou o uso da força nas relações internacionais”.
Esta é a segunda vez que Washington ameaça atacar o Irão. Na primeira – e depois de prometer aos manifestantes iranianos que a "ajuda estava a caminho” – Donald Trump acabou por recuar dizendo ter garantias que as autoridades iranianas teriam concordado com o cancelamento das execuções de manifestantes.
No entanto, organizações não-governamentais insistiram, nos últimos dias, que a repressão dos mais recentes protestos no país fez mais de seis mil mortos.
Em declarações, esta quarta-feira, em Berlim, o chanceler alemão, Friedrich Merz, voltou a deixar fortes críticas ao regime de Teerão.
"Um regime que só consegue manter-se no poder através da violência e do terror contra o seu próprio povo tem os dias contados. Pode ser uma questão de semanas, mas este regime não tem legitimidade para governar o país".
Reunidos hoje em Bruxelas, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia deverão aprovar um "pacote substantivo" de sanções aos responsáveis pela repressão. Deverão também decidir se designam a Guarda Revolucionária do Irão como organização terrorista, depois da França ter ontem admitido dar esse passo.