A política da AfD para o islão | Alemanha decide | DW | 22.09.2017
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Alemanha decide

A política da AfD para o islão

Na reta final da campanha eleitoral, candidatos de topo da AfD aumentam o tom contra o "islão" e os estrangeiros. "Segurança interna" justificaria as propostas controversas do partido de extrema-direita.

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Os candidatos de topo da AfD, Alice Weidel e Alexander Gauland, durante conferência de imprensa em Berlim

Com os temas "islão" e "segurança interna", o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), quer destacar-se no Bundestag, o Parlamento alemão - onde deve conquistar espaço nas eleições federais do próximo domingo (24.09). Foi o que ficou claro durante a última aparição dos candidatos de topo do partido, Alexander Gauland e Alice Weidel, na conferência de imprensa federal antes das eleições.

O antigo tema favorito da AfD, a crise dos refugiados, não vai desaparecer - só será tratado de forma diferente: "A segurança interna alemã caiu por terra, e isso é uma consequência direta da política de fronteiras abertas", sugeriu Alice Weidel.

Weidel: Uso da vida privada para fins políticos

Na edição atual da revista alemã "Der Spiegel", Alice Weidel é citada com a afirmação de que teria pesquisado as palavras "homem" e "faca" no Google. Na conferência de imprensa, ela também retratou o perigoso quotidiano na Alemanha. Weidel e sua parceira de vida não teriam coragem de aparecer nas ruas em algumas partes da cidade como um casal visivelmente lésbico.

Stimmung vor der Wahl - Anti-Merkel-Potest

Simpatizantes da AfD protestaram durante uma ação de campanha de Angela Merkel, em agosto

Nos bairros problemáticos marcados pela presença de muçulmanos aconteceriam ataques violentos contra homossexuais, relatou Weidel. Lá morariam pessoas que "não estão nem aí para a Constituição alemã". Isso teria a ver com a "charia", a lei islâmica, que rejeita fortemente a homossexualidade, segundo Weidel. A AfD teria sido o único partido a falar isso claramente. Os direitos de liberdade estariam em perigo "e isso eu não gostaria que acontecesse", afirmou.

Até agora, Alice Weidel havia dito quase nada sobre sua vida privada. Por isso, durante muito tempo, especulou-se na Alemanha, por que uma lésbica declarada envolveu-se em um partido como a AfD, que defende o casamento clássico acima de tudo. Agora se torna claro: Weidel usa sua vida privada para fins políticos. Isso lembra o Partido para a Liberdade do holandês Geert Wilders.

Desde 2006, ele conquista votos com sucesso, ao fomentar nas pessoas o medo de perder as liberdades por meio da alegada islamização. Desta forma, Wilders conseguiu obter acesso a classes sociais burguesas nas quais não prevalecia a preocupação com a perda de valores materiais - como acontece nos clássicos meios sociais populistas dos pequeno burgueses e do novo proletariado de prestação de serviço -, mas para as quais o bem-estar também é definido por valores ideais, como a liberdade sexual.

Deutschland AfD Spitzenkandidatin Alice Weidel

Alice Weidel: Muçulmanos "não estão nem aí para a Constituição alemã"

"Lei e ordem"

Assim, Alice Weidel antecipa como seria a divisão de tarefas entre ela e Alexander Gauland no novo Bundestag. Se ambos fossem eleitos para o topo da bancada parlamentar, conforme planeado, Gauland faria a ligação com os novos eleitores da direita, Weidel seria uma voz mais moderada para acoplar os ex-eleitores da coligação entre a União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã (CSU) e os do Partido Social Democrata (FDP).

Mas isso não significa que Weidel realmente atue de forma moderada. Pelo contrário, ela aprimorou-se numa retórica muito especial nas últimas semanas, com o uso de muitos e audíveis sinais de exclamação e uma nitidez agressiva.

Conteúdo e forma combinam. Quando Weidel explicou o que entende por um "politicamente seguro golpe de libertação", ela mostrou uma lista de demandas para a polícia e a Justiça, que vai muito além da política usual de lei e ordem: fim da proteção de dados para infratores, vigilância por vídeo com reconhecimento facial, centralização da polícia e diminuição da maioridade penal para 12 anos.

Kopftuch Symbolbild

Mesquita em Berlim

O foco principal seria, claramente, combater os crimes praticados por estrangeiros. Para criar espaço nas prisões, os migrantes e os refugiados deveriam ser acomodados em prisões estabelecidas em países-terceiros, mas administradas pela Alemanha.

De lá, os infratores seriam então deportados para os seus países de origem. Quando perguntada sobre qual país-terceiro seria esse, Weidel confiou a resposta a um "profissional" ao seu lado. Isso seria uma questão de dinheiro, disseram.

Às vezes, é simplesmente na linguagem que se reconhece o radicalismo da AfD. Fala-se sobre uma "cambada de criminosos afegãos" ou de que eles "não são nossos filhos e filhas". Ou pergunta-se: "Como conseguiremos tirar criminosos estrangeiros do país?"

De acordo com Weidel, a Alemanha teria se tornado um país seguro para criminosos e terroristas de todo o mundo, no qual se pode entrar facilmente e onde se goza da proteção contra a deportação.

Gauland: "O islão é imperialismo religioso"

Também Alexander Gauland aumentou o seu tom na reta final da campanha eleitoral. Recentemente, ele falou sobre as conquistas militares dos soldados das forças armadas da Alemanha Nazista (entre 1935 e 1945) e recebeu muitas críticas públicas.

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Alexander Gauland, candidato de topo da AfD

Até então, a estratégia de relações públicas praticada pela AfD foi a de recuar após uma provocação. Mas agora, Gauland defende, com confiança, o que disse: 95% dos soldados alemães não estariam envolvidos em crimes de guerra, eles teriam sido bravos e corajosos. As pessoas deveriam orgulhar-se das vítimas que eles teriam feito, segundo Gauland.

Ao descrever a relação da AfD com o islão, Gauland não foi muito além do que já está no programa eleitoral do partido - e isso é, claramente, islamofóbico. O islão seria uma doutrina política, porque a liberdade religiosa seria estranha a ele, explicou Gauland. A distinção entre islão e "islamismo como abuso do islão", como outros partidos fazem, deveria ser rejeitada.

Os minaretes e os anúncios dos "muezim" (chamada para a oração) deveriam ser proibidos, porque seriam a expressão de um "imperialismo religioso". Aqueles que cultivassem a sua fé muçulmana em privado, poderiam fazê-lo.

Mas não poderia haver imãs financiados do estrangeiro ou treinados em instituições de ensino superior alemãs. Quando perguntado de onde deveriam vir os imãs, foi dito de forma sucinta na conferência de imprensa, isso os muçulmanos teriam que resolver eles mesmos.

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