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Zelenski de colete à prova de balas em meio a soldados
Zelenski apelou à comunidade internacional para que condene o massacre em Bucha como genocídioFoto: Ronaldo Schemidt/AFP/Getty Images

40º dia da guerra: Zelenski visita Bucha e fala em genocídio

5 de abril de 2022

Presidente ucraniano percorreu ruas da cidade alvo de massacre e acusou as tropas russas de estarem por trás das atrocidades cometidas. Kremlin nega e fala em "encenação".

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A segunda-feira (04/04), 40º dia da guerra na Ucrânia, foi marcada pela repercussão internacional do suposto massacre em Bucha e pela visita do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, à cidade, localizada nos arredores de Kiev.

Vestindo colete à prova de balas e cercado por soldados, Zelenski percorreu as ruas de Bucha e acusou as tropas russas de estarem por trás das atrocidades cometidas. Ele pediu à comunidade internacional que reconheça o ocorrido em Bucha como genocídio e afirmou que milhares de pessoas foram mortas e torturadas no local, inclusive mulheres e crianças.

Até o começo da noite desta segunda-feira, as autoridades haviam recuperado mais de 400 corpos de civis, após as tropas russas se retirarem da região. Alguns estavam com as mãos amarradas.

Os Estados Unidos afirmaram que, por enquanto, não viram evidências de que as atrocidades cometidas pela Rússia na Ucrânia alcancem a categoria de genocídio, mas acreditam que devem ser julgadas como crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional (TPI) ou em outro fórum.

"Vimos atrocidades e vimos crimes de guerra. Ainda não vimos uma privação sistemática da vida do povo ucraniano que chegue ao nível de genocídio. Mas isso é algo que continuaremos monitorando", declarou Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos.

Algumas horas antes, Biden também evitou usar a palavra "genocídio" quando questionado sobre o massacre supostamente cometido por tropas russas em Bucha.

Biden defende que haja "um julgamento por crimes de guerra" para que o presidente russo, Vladimir Putin, "preste contas" pelo que aconteceu naquela e em outras cidades ucranianas desde que a invasão começou em fevereiro.

O ministro do Exterior da Ucrânia, Dmytro Kuleba, pediu ao TPI que envie uma missão de investigação para documentar as atrocidades cometidas em Bucha. Kuleba classificou o ato como "o pior massacre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial".

Kremlin nega acusações

O embaixador russo nas Nações Unidas negou as acusações da Ucrânia e afirmou que "nem um único residente de Bucha sofreu qualquer violência por parte dos russos". Ele classificou como uma "encenação" as imagens de cadáveres nas ruas e valas comuns na cidade ucraniana.

"Foi encenado. É uma falsa narrativa apresentada por Kiev", disse Vassily Nebenzia, numa conferência de imprensa que convocou na sede das Nações Unidas, em Nova York.

Dois homens colocam um saco preto em uma va, que já está cheia de corpos.
Voluntários recolhem corpos na cidade de BuchaFoto: REUTERS

Revisão de objetivos

Sullivan também disse nesta segunda-feira que os Estados Unidos acreditam que a Rússia está "revisando seus objetivos" e planeja se concentrar no leste e em parte do sul da Ucrânia em vez de tentar invadir todo o país.

Ele atribuiu essa suposta mudança na estratégia russa ao fato de que os militares e civis ucranianos defenderam seu país "excepcionalmente bem" e que o Kremlin percebeu que "o Ocidente não vai falhar" em seu apoio à Ucrânia.

"Tudo indica que a Rússia tentará cercar e subjugar as forças ucranianas no leste da Ucrânia", destacou Sullivan, prevendo um movimento de tropas russas do norte para a região em torno de Donbas, no leste do país.

Para "proteger qualquer território" que ocupe no leste, a Rússia poderia estender sua presença militar "para além das províncias de Lugansk e Donetsk", para outras áreas próximas da Ucrânia. Também é provável que no norte "mantenha a pressão sobre Kharkiv", após sua retirada de Kiev, explicou Sullivan.

No sul, o assessor acredita que as tropas russas "farão todo o possível para tentar manter a cidade de Kherson", continuar controlando o abastecimento de água à península da Crimeia e "tentar bloquear Mykolaiv", para que as tropas ucranianas não possam retomar Kherson.

A Rússia "provavelmente continuará a lançar ataques aéreos e de mísseis no resto do país" para provocar danos econômicos e "causar terror", algo que pode afetar cidades como Kiev, Odessa, Kharkiv e Lviv, porque o objetivo russo é " enfraquecer a Ucrânia o máximo possível", detalhou.

Sullivan também alertou que, se a Rússia tiver sucesso em sua ofensiva no leste, poderá "regenerar suas forças" e estabelecer novos objetivos, como "tentar controlar ainda mais território dentro da Ucrânia".

Mapa mostra avanço de tropas russas na Ucrânia

Alemanha expulsa diplomatas

Também nesta segunda-feira, o governo alemão declarou 40 diplomatas russos como "persona non grata", o que equivale ao status de expulsão. Os diplomatas, que Berlim acredita serem membros dos serviços de inteligência da Rússia, têm cinco dias para deixar a Alemanha. A decisão foi comunicada ao embaixador russo em Berlim, Serguei Nechayev.

De acordo com a agência de notícias Interfax, que citou fontes do Ministério do Exterior da Rússia, Moscou deve reagir à decisão e expulsar diplomatas alemães. 

Presidente alemão admite erro

Pela primeira vez, o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, admitiu um erro de avaliação por ter defendido a necessidade de levar adiante o gasoduto alemão-russo Nord Stream 2, quando era ministro das Relações Exteriores, durante o governo da ex-chanceler federal Angela Merkel.

"Meu apoio ao Nord Stream 2 foi claramente um erro", disse ele. "Estávamos aderindo a uma ponte na qual a Rússia não acreditava mais e contra a qual outros parceiros nos alertaram".

"Nós falhamos em construir uma casa europeia comum", disse Steinmeier. "Eu não acreditava que Vladimir Putin abraçaria a completa ruína econômica, política e moral de seu país por causa de sua loucura imperial", acrescentou. "Nisto, eu, como outros, estava enganado."

le (EFE, Lusa, Reuters, AFP, ots)