UE e Liga Árabe condenam ação policial em Jerusalém Oriental | Notícias internacionais e análises | DW | 08.05.2021

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Oriente Médio

UE e Liga Árabe condenam ação policial em Jerusalém Oriental

Com saldo de mais de 200 feridos, investida da polícia israelense na Esplanada das Mesquitas acirra tensões na Cidade Sagrada. Para liga de nações árabes, escolha do mês de Ramadã denota intenção de provocar muçulmanos.

Policiais e populares se confrontam em Jerusalém

Choques entre palestinos e polícia deixaram saldo de mais de 200 feridos

A União Europeia apelou neste sábado (08/05) às autoridades de Israel para que evitem uma escalada da violência em Jerusalém. Segundo a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho, na véspera pelo menos 208 palestinos e seis policiais israelenses ficaram feridos, a maioria na Esplanada das Mesquitas, onde muçulmanos se reuniam para a última sexta-feira do mês de jejum do Ramadã.

"A violência e a incitação são inaceitáveis [...] A União Europeia apela às autoridades a agirem com toda a urgência para uma desescalada das atuais tensões em Jerusalém", declarou o porta-voz de Josep Borrell, chefe da diplomacia europeia. Ele instou os dirigentes políticos, religiosos e comunitários de Israel a mostrarem contenção e responsabilidade, tudo fazendo para acalmar a "situação explosiva".

A UE considera "muito preocupantes" as expulsões de famílias palestinas de Sheikh Jarrah e de outros assentamentos de Jerusalém Oriental, dizendo tratar-se de "ações ilegais à luz do direito humanitário internacional, e que só servem para agravar as tensões na região".

Um porta-voz da polícia da cidade, sagrada tanto para muçulmanos e judeus como para cristãos, relatou que "centenas de manifestantes atiraram pedras, garrafas e outros objetos na direção dos agentes, que retaliaram", no que classificou como "distúrbios violentos".

Explosão em rua com policiais

Bairro Sheikh Jarrah é foco de conflitos

Liga Árabe também condena

Por sua vez, os países da Liga Árabe condenaram o "assalto" à Esplanada das Mesquitas, particularmente a de Al Aqsa, considerando-o uma "provocação" aos muçulmanos durante o mês sagrado do Ramadã.

Em comunicado de seu secretário-geral, Ahmed Abulgueit, a liga criticou severamente as ações das forças de segurança israelenses, um "ataque provoca sentimentos nos muçulmanos em todo o mundo" e "pode causar uma explosão da situação nos territórios ocupados".

Segundo ele, "o fato de as forças de ocupação escolherem esta época, no mês sagrado muçulmano, reflete uma intenção deliberada de provocar os palestinos" e de causar uma escalada. Na avaliação de Abulgueit, o governo israelense seria "completamente cativo dos colonos e sua agenda extremista".

Os confrontos ocorreram num momento em que cresce a tensão no setor oriental de Jerusalém e na Cisjordânia, territórios palestinos ocupados em 1967 por Israel, e desde então objeto de conflito constante no Oriente Médio.

Há uma semana sucedem-se diariamente manifestações em Sheikh Jarrah, marcadas por confrontos com a polícia. A disputa nesse bairro de Jerusalém Oriental habitado por famílias palestinas ameaçadas de despejo está relacionada ao direito à terra onde são construídas casas para colonos israelenses.

av (Lusa,AFP,Reuters,DPA)

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