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Duas mulheres estão em um local escuro em Lviv, na Ucrânia. Elas estão próximas de uma vela, acesa devido aos apagões que tem ocorrido no país devido aos ataques russos.
Em Lviv, no oeste da Ucrânia, mulheres trabalham à luz de uma vela em um estabelecimento comercialFoto: Maxym Marusenko/NurPhoto/picture alliance

Ucrânia diz que 10 milhões estão sem energia após ataques

18 de novembro de 2022

Quase metade do sistema de energia ucraniano foi danificada por bombardeios russos, afirma Kiev. Com aproximação do inverno, ONU alerta para possível desastre humanitário.

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Sucessivos e intensos bombardeios russos com mísseis e artilharia pesada danificaram quase metade do sistema de energia da Ucrânia, afirmou nesta sexta-feira (18/11) o primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal, durante conletiva de imprensa ao lado do vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, que visitou Kiev para discutir ajuda financeira emergencial por parte do bloco europeu.

De acordo com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, cerca de 10 milhões de habitantes – de uma população total pré-guerra de 44 milhões – estão às escuras e sem aquecimento.

Com a aproximação do inverno e a chegada da primeira neve da estação, a ONU alerta para uma possível catástrofe humanitária em território ucraniano devido à falta de energia e de limitações também no abastecimento de água.

Enquanto autoridades trabalham para restabelecer a distribuição de energia, as batalhas continuam principalmente no leste e no sul do país. Em algumas áreas, autoridades ordenaram apagões emergenciais forçados.

Volodimir Kudrytskyi, diretor executivo da Ukrenergo, empresa responsável pela distribuição de energia na Ucrânia, afirmou à TV estatal que funcionários trabalham para diminuir o tempo sem energia no país. Mas ele não acredita que a instabilidade irá deixar de ser uma realidade tão cedo.

"É preciso se preparar para o pior. Entendemos que o inimigo quer destruir nosso sistema de energia em geral para causar falta de energia prolongada [...] Faremos de tudo para garantir que as interrupções não sejam muito longas", disse.

Ainda segundo Kudrytskyi, a distribuição de energia em instalações fundamentais, como hospitais e escolas, já havia sido estabilizada.

A capital Kiev é uma das áreas que enfrenta "grande déficit energético", segundo informou o prefeito Vitali Klitschko à agência Associated Press. Entre 1,5 milhão e 2 milhões de pessoas – de uma população total de quase 3 milhões de habitantes – têm enfrentado apagões periódicos, com as autoridades alternando o abastecimento de energia de um bairro para outro.

"É uma situação crítica", disse Klitschko, acrescentando que, aparentemente, os estrategistas militares do presidente da Rússia, Vladimir Putin, esperam "levar-nos todos à depressão", a fim de fazer com que as pessoas sintam-se inseguras e pensem em desistir da luta contra a invasão russa. Mas, segundo o prefeito de Kiev, isso não irá funcionar.

"É uma visão equivocada de Putin. Depois de cada ataque, eu converso com as pessoas, com civis. Eles não estão deprimidos. Eles estão com raiva e prontos para ficar e defender nossas casas, nossas famílias e nosso futuro", afirmou Klitschko.

Ataques em diferentes regiões

O sistema de energia da Ucrânia teria sido atingido com força por pelo menos seis ataques de larga escala com mísseis entre os dias 10 de outubro e 15 de novembro. A agressividade de Moscou contra alvos ligados à infraestrutura civil preocupa as autoridades ucranianas diante do inverno que se aproxima.

Nesta quinta-feira, o sistema de distribuição de energia foi novamente atingido, apenas dois dias depois de a Rússia promover ataques em várias regiões da Ucrânia com mísseis e drones.

De acordo com Oleh Syniehubov, governador da região de Kharkiv, no leste do país, instalações foram alvo durante a noite no nordeste, e equipamentos de energia foram danificados. Oito pessoas, incluindo membros do setor de energia e policiais, teriam ficado feridas enquanto limpavam escombros.

Os mais recentes ataques russos, segundo o gabinete presidencial ucraniano, foram perpetrados com mísseis, drones, artilharia pesada e aviões, e teriam deixado ao menos seis civis mortos, além de outros seis feridos.

Na região de Zaporíjia, que, em parte, segue sob domínio russo, os ataques teriam atingido dez cidades e vilarejos. O número de mortos de um ataque russo contra um prédio residencial no município de Vilniansk, nesta quinta-feira, subiu para dez, incluindo três crianças, conforme informações divulgadas pela procuradoria-geral ucraniana.

Em Nikopol, cidade localizada às margens do rio Dnipro e próxima da usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa, ataques com pelo menos 40 mísseis russos teriam danificado diversos edifícios, casas e redes elétricas.

O Ministério da Defesa da Rússia alegou que suas forças utilizaram armamentos de longo alcance para atingir instalações industriais, a exemplo de fábricas de mísseis na Ucrânia.

As forças ucranianas, por outro lado, informaram que nas últimas 24 horas derrubaram sete mísseis russos e pelo menos cinco drones de fabricação iraniana.

Acusações de ambos os lados

Após a retirada das forças russas de Kherson, no sul do país, a Rússia intensificou seus ataques na região de Donetsk, no Donbass, no leste do país.

Segundo a Defesa russa, as tropas do país teriam assumido o controle de localidades como Opytne, Solodke, Volodymyrivka e Pavlivka. A cidade de Bakhmut, um dos principais alvos de Moscou para tomar toda a região de Donetsk, continua a ser cenário de batalhas intensas, segundo o governo local.

Depois da retirada russa de Kherson, autoridades ucranianas visitaram a região e disseram ter encontrado 63 cadáveres com sinais de tortura.

O comissário de direitos humanos do Parlamento ucraniano, Dmytro Lubinets, divulgou um vídeo do que disse ser uma câmara de tortura usada por militares russos na região de Kherson, incluindo um pequeno quarto onde até 25 pessoas teriam sido mantidas por vez.

Zelenski afirmou que as forças ucranianas que retomaram a cidade encontraram evidências de mais de 400 crimes de guerra cometidos por tropas russas na região.

A Rússia, por sua vez, acusou a Ucrânia de executar pelo menos dez prisioneiros de guerra russos com tiros na cabeça.

No escuro, com pouca iluminação pública acesa, pessoas atravessam uma rua sobre uma faixa de segurança em Kiev, na capital da Ucrânia.
A capital Kiev é uma das áreas que enfrenta "grande déficit energético", segundo o prefeito Vitali KlitschkoFoto: picture alliance / AA

Encontro entre Putin e Biden "fora de cogitação"

Nesta semana, o diretor da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), William Burns, transmitiu uma mensagem de advertência ao chefe da inteligência russa, Serguei Naryshkin, sobre as consequências do uso de qualquer tipo de armamento nuclear na guerra na Ucrânia.

O fato ocorreu em Ancara, na Turquia, durante o primeiro encontro pessoal de alto escalão entre EUA e Rússia desde o início da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.

Nesta sexta-feira, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, telefonou para Putin argumentando que as conversas em Anacara ajudaram a evitar uma escalada "descontrolada" do conflito.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Ryabkov, disse que Moscou não descarta outras futuras reuniões de alto nível com os Estados Unidos sobre "estabilidade estratégica", um termo usado para conceituar a redução do risco de guerra nuclear.

Mas Ryabkov também afirmou que não há nada a ser conversado diretamente com Washington a respeito da Ucrânia. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reforçou que qualquer hipotética cúpula entre Putin e o presidente dos EUA, Joe Biden, está "fora de cogitação no momento".

gb/lf (Reuters, AP)

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