Trump dá ultimato a militares venezuelanos | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 19.02.2019
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Mundo

Trump dá ultimato a militares venezuelanos

Presidente dos EUA convoca forças venezuelanas a aceitarem anistia proposta pelo interino Juan Guaidó ou correr o risco de "perder tudo". Maduro anuncia chegada de ajuda humanitária da Rússia.

Presidente dos EUA, Donald Trump, discursa para apoiadores e expatriados venezuelanos em Miami

Presidente dos EUA, Donald Trump, discursa para apoiadores e expatriados venezuelanos em Miami

O presidente americano, Donald Trump, instou as Forças Armadas da Venezuela a aceitarem a oferta de anistia feita pelo líder da oposição, o autoproclamando presidente interino Juan Guaidó, e a deixarem de apoiar o regime de Maduro. Caso contrário, afirmou, correrão o risco de "perder tudo".

"Vocês não podem se esconder da escolha que agora lhes confronta", disse Trump em mensagem aos militares venezuelanos em discurso para um grupo de apoiadores e expatriados venezuelanos em Miami. "Vocês podem escolher a generosa oferta de anistia do presidente Guaidó de viver suas vidas em paz com suas famílias e seus compatriotas", continuou o americano.

"Ou vocês podem escolher o segundo caminho: continuar a apoiar Maduro. Se escolherem esse caminho, vocês não terão um porto seguro, não haverá alternativa fácil ou uma saída. Vocês vão perder tudo", afirmou. O americano deu prazo até sábado para que o regime de Maduro permita a entrada de ajuda humanitária.

Antes mesmo de se autonomear presidente interino da Venezuela, Guaidó já havia acenado aos militares com uma oferta de anistia aos que abandonassem o regime de Maduro para apoiar o novo governo transitório. A iniciativa permanece válida, apesar das críticas por parte de alguns setores da oposição.

"Quem é o comandante das Forças Armadas, Donald Trump, de Miami?", questionou Maduro sobre a convocação de Trump aos militares. "Eles acham que são os donos do país." O venezuelano afirmou que a Força Armada Nacional Bolivariana "está autorizada para responder com toda sua moral" ao líder americano.

Maduro rechaçou o discurso "ao estilo nazista para proibir as ideologias" do presidente americano, que lançou críticas aos regimes socialistas de Cuba, Nicarágua e da própria Venezuela. "Donald Trump quer proibir as ideologias, a diversidade política e quer impor o pensamento único dos supremacistas brancos da Casa Branca", afirmou, acrescentando que os EUA querem "escravizar os venezuelanos".

Ajuda humanitária da Rússia

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou nesta segunda-feira que uma grande remessa de ajuda humanitária da Rússia está a caminho do país, reforçando sua rejeição aos carregamentos de alimentos e medicamentos vindos dos Estados Unidos que a oposição fazer com que possa entrar no país. 

"Na quarta-feira chegarão 300 toneladas de ajuda e assistência humanitária da Rússia", disse Maduro em pronunciamento transmitido pela televisão, afirmando que o envio inclui "medicamentos de alto custo".

Ele voltou a criticar a ajuda a ajuda humanitária americana e de outros países enviada a pedido de Guaidó, dizendo se tratar de uma "armadilha para caçar tolos". Ele disse que o carregamento enviado pelos EUA seria de "comida podre e contaminada, para intervir na Venezuela, se infiltrar pela fronteira e ocupar espaços".

Guaidó lançou uma campanha para reunir voluntários para ajudar na entrada de ajuda humanitária através da fronteira

Guaidó lançou uma campanha para reunir voluntários para ajudar na entrada de ajuda humanitária através da fronteira

O presidente afirmou que o carregamento russo, que, segundo afirma, foi pago por seu governo, entrará legalmente no país. "Esse sim, que pagamos com dignidade, da Rússia, China, Turquia, do mundo inteiro, através da ONU", afirmou. Ele disse ter aceitado através da ONU a oferta de ajuda de outros países com o envio de produtos farmacêuticos ou matéria prima para a produção de medicamentos, que deverá ser anunciada nos próximos dias.

A Venezuela atravessa uma das maiores crises política e econômica de sua história, enfrentando a escassez de alimentos e medicamentos em meio a uma hiperinflação devastadora. Segundo a ONU, desde 2015. 2,3 milhões de venezuelanos deixaram o país em busca de ajuda nos países vizinhos.

Atenções se voltam a Cúcuta

A oposição prepara para este sábado mobilizações em todo o país para acompanhar os voluntários que vão em caravana até a fronteira com o Brasil e a Colômbia para tentar fazer com que toneladas de remédios e alimentos possam entrar no país.

Guaidó lançou uma campanha para reunir um milhão de voluntários para ajudar na entrada da ajuda humanitária através da fronteira. Até o momento, 600 mil pessoas já haviam se registrado. "No dia 23 de fevereiro, temos a oportunidade de salvar as vidas de centenas de milhares de venezuelanos", afirmou o líder oposicionista.

A cidade de Cúcuta, onde se acumulam toneladas de ajuda humanitária na fronteira com a Colômbia, estará no centro das atenções neste fim de semana, quando a oposição e o governo realizarão ao mesmo tempo eventos de grande porte visando a distribuição de ajuda humanitária na região.

Após o empresário britânico Richard Branson anunciar a realização do concerto beneficente Venezuela Live Aid com a participação de grandes nomes da música latina, Maduro disse que realizará um "grande show" na mesma região, acompanhado da distribuição de assistência médica e alimentos à população. O evento do governo se chamará "Mãos fora da Venezuela".

RC/afp/ep/ap/afp

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