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 O premiê do Canadá, Justin Trudeau, ao lado do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e da princesa Anne
Trudeau confirmou que Trump foi tema de diálogo entre os líderes, mas negou que tenha debochado do americanoFoto: picture-alliance/AP Photo/Yui Mok

Trump chama primeiro-ministro canadense de "duas caras"

4 de dezembro de 2019

Presidente dos EUA cancela participação em coletiva na cúpula da Otan após divulgação de vídeo em que Trudeau e outros líderes parecem rir dele. Em declaração final, países falam em solidariedade e união.

https://www.dw.com/pt-br/trump-chama-primeiro-ministro-canadense-de-duas-caras/a-51535328

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (04/12) que o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, tem "duas caras" após a divulgação de um vídeo em que o canadense e outros líderes parecem debochar do americano, durante uma recepção que ocorreu na terça-feira à margem da reunião de cúpula da Otan.

Nas imagens divulgadas por uma TV canadense, gravadas no Palácio de Buckingham, em Londres, líderes do Canadá, França, Holanda e Reino Unido aparecem rindo. Não há nenhuma menção direta ao nome de Trump, mas o diálogo dá a entender que eles estavam zombando do americano por causa de uma longa entrevista coletiva que Trump concedeu durante a cúpula. 

Nas imagens, pode-se escutar o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, perguntando ao presidente francês, Emmanuel Macron: "Foi por isso que chegou tarde?" O premiê canadense então diz: "Chegou tarde porque sua coletiva de imprensa durou 40 minutos."

Na terça-feira, uma reunião bilateral entre Macron e Trump foi precedida por uma longa coletiva de imprensa, na qual os dois líderes demonstraram publicamente suas divergências sobre o papel da Otan.

No vídeo, Macron ainda parece contar uma piada sobre o encontro, diante dos olhares da princesa britânica Anne, filha da rainha Elizabeth 2ª, e do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte – que dá uma longa risada. Mas o francês vira de costas para a câmera, e suas palavras não podem ser ouvidas claramente.

"Eu vi a equipe dele ficar boquiaberta", comenta Trudeau em seguida para os outros participantes da conversa, que não pareciam saber que o diálogo estava sendo gravado.

Mais tarde, após ser questionado sobre o vídeo antes de uma reunião bilateral com a chanceler federal alemã Angela Merkel, Trump voltou sua frustação contra Trudeau.

Segundo o americano, o premiê canadense é um "duas caras". "Eu acho que ele é um sujeito legal, mas a verdade é que eu chamei sua atenção para o fato de que ele não está pagando seus 2%. Acho que ele não ficou contente com isso", disse Trump, mencionando sua exigência de que os países-membros da Otan aumentem seus gastos de defesa em relação à porcentagem do PIB.

Logo depois de criticar Trudeau, Trump alegou que já falou muito com a mídia desde que chegou a Londres na segunda-feira, e anunciou que pretendia voltar "diretamente" a Washington ao final da cúpula, cancelando sua coletiva de imprensa final.

"Quando as reuniões acabarem hoje, vou voltar para Washington. Não vamos fazer a entrevista coletiva no final da Otan porque já fizemos muito nos últimos dois dias. Boa viagem a todos", tuitou o americano.

Após a repercussão do vídeo, Trudeau confirmou que Trump foi mesmo o tema do diálogo entre os líderes, mas negou que tenha debochado do presidente americano e sua longa coletiva de imprensa. Segundo o canadense, seus comentários abordaram um anúncio de Trump de que a próxima reunião do G7 vai ocorrer em Camp David, uma casa de campo que pertence ao governo americano.

De acordo com Trudeau, o anúncio de Trump surpreendeu os outros participantes do G7, e ele estava apenas "relatando" o momento para os outros líderes. "Tenho um relacionamento muito bom com Trump", completou o premiê.

Questionado sobre o vídeo, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse a jornalistas: "Isso é um absurdo completo. Não sei de onde isso veio."

Cúpula

A cúpula da Otan reuniu por dois dias em Watford, nos arredores de Londres, líderes dos 29 países que compõem a aliança militar, que completa 70 anos.

Entre os temas abordados estavam o terrorismo, a China e a Rússia, a intervenção turca na Síria iniciada sem consulta dos outros membros da aliança e a insistência americana em compartilhar mais o financiamento da segurança coletiva.

Trump falou longamente em várias ocasiões durante suas reuniões bilaterais antes da cúpula. Ele deu o tom de uma cúpula difícil, chamando de "muito ofensivas" as declarações de Macron, que disse no mês passado que a Otan está em estado de "morte cerebral".

Ao chegar em Watford na terça-feira, o presidente francês "assumiu totalmente" seus comentários, muito criticados por seus aliados. "Eles ajudaram a levantar um debate que é essencial", insistiu. "Acho que nossa responsabilidade é superar ambiguidades que podem ser prejudiciais e assumir um verdadeiro debate estratégico."

Na declaração final adotada nesta quarta-feira, a organização reconheceu pela primeira vez a crescente influência e as políticas internacionais da China como "oportunidades e desafios".

Também denunciou as ações agressivas da Rússia e alertou que permanecerá uma aliança nuclear enquanto houver armas nucleares.

A alemã Angela Merkel, por sua vez, considerou a reunião "muito construtiva", apesar das dissensões: "Concordamos hoje que o terrorismo é o principal inimigo."

"É claro que existem diferenças, seria muito estranho de outra forma", reconheceu o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, ao final da reunião, que se empenhou durante os dois dias em defender o papel da aliança.

"Sempre acabamos conseguindo superar essas diferenças e nos unir em torno do nosso principal objetivo, que é nos defendermos", ressaltou. Stoltenberg foi encarregado de uma missão de reflexão sobre os objetivos da Otan no final da reunião.

"Solidariedade, união e coesão são os princípios básicos da nossa aliança. Um ataque contra um aliado será considerado um ataque contra todos", enfatizaram os participantes em declaração aprovada ao término da cúpula.

Mas a declaração final por pouco não recebeu o apoio da Turquia, que ameaçou bloquear a adoção de novos planos de defesa para os Estados Bálticos e a Polônia caso os outros membros da Otan não reconhecessem a milícia curda YPG como "organização terrorista".

Segundo Stoltenberg, a reunião não abordou "especificamente" a exigência turca sobre o terrorismo curdo, uma questão sobre a qual é "bem sabido" que os aliados têm opiniões diferentes. Ao final, os líderes conseguiram negociar e aprovar o plano de defesa para os países Bálticos nesta quarta-feira

JPS/afp/efe/lusa

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