Theresa May, a estrela em ascensão da política britânica | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 06.07.2016
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Mundo

Theresa May, a estrela em ascensão da política britânica

Sucessora do primeiro-ministro David Cameron, a ministra do Interior do Reino Unido é tida como íntegra, trabalhadora e pragmática. Muitos a veem como a versão britânica de Angela Merkel.

Theresa May, 59 anos, tem uma fraqueza por sapatos extravagantes, o que faz com que ela frequentemente esteja nas manchetes. Foi assim quando ela compareceu a um compromisso calçando sapatos pretos de salto alto com bicos de metal.

Não se sabe se ela queria chamar a atenção, mas May não precisa disso. Ela é tida como o total oposto da maioria dos políticos britânicos, como a versão britânica da chanceler federal alemã, Angela Merkel. É considerada íntegra, sem vaidades, trabalhadora, sóbria e pragmática.

Assim ela é descrita não só por muitos colegas do Partido Conservador (também chamados, coloquialmente, de "tories"), como também por aqueles que conhecem na intimidade esta mulher casada e sem filhos, filha de um clérigo anglicano.

Sem tempo para conversa fiada

E é com essas características que May – que foi educada em Oxford e trabalhou por seis anos no Banco da Inglaterra, o banco central do Reino Unido – comanda, desde 2010, o Ministério do Interior britânico. Muitos a admiram por isso, pois havia cem anos que ninguém permanecia por tanto tempo nesse cargo.

Essa resistência é uma razão pela qual May várias vezes foi comparada à "dama de ferro" Margaret Thatcher. Mas tais comparações costumam ser embaraçosas para ela. Numa entrevista para a BBC, ela deixou claro que não tem tempo para conversa fiada. May não é pessoa de falar à toa e se ocupa com as tarefas que tem pela frente. Uma delas é a de suceder o primeiro-ministro David Cameron.

May com seu colega francês, Bernard Cazeneuve, durante conversas sobre o Eurotúnel em Calais

May com seu colega francês, Bernard Cazeneuve, durante conversas sobre o Eurotúnel em Calais

May e o Brexit

Conciliadora ou linha-dura? Essa questão preocupa sobretudo os britânicos que lamentam profundamente o Brexit. O que se deve esperar de May como sucessora de Cameron?

Durante a campanha do referendo, May se mostrou reticente, mas aberta a críticas à União Europeia. Ela apoiou a campanha pela permanência, ao lado de Cameron, mas não se furtou de fazer críticas à UE. Reclamou repetidas vezes que a principal falha do bloco é sua política de segurança.

Ao anunciar oficialmente sua candidatura, May disse que não haverá um segundo referendo. Anunciou que, caso se tornasse primeira-ministra, só oficializaria o pedido de saída do Reino Unido da UE daqui a alguns meses, assegurando que o artigo 50 do Tratado da UE e, portanto, o pedido de saída, não seria ativado antes do final do ano.

May ressaltou, porém, que a opção pelo Brexit é irreversível. Ela disse na TV britânica que o voto dos britânicos para sair da UE foi uma mensagem forte contra a liberdade de circulação. No mais tardar após o Brexit, ela planeja reduzir a imigração no Reino Unido. Como ministra do Interior, May tem mostrado seguir uma política linha-dura, particularmente nas questões de imigração. Isso deve ter sido benéfico na corrida interna do partido, já que muitos "tories" pedem uma reforma das leis de imigração.

Sua declaração mais picante é "onde há imigração, é impossível construir uma sociedade coesa". May já quis restringir o financiamento para estudantes estrangeiros em universidades britânicas e cobrar taxas mais elevadas de seguro de saúde de trabalhadores de outros países da UE.

Ministra do Interior Theresa May deixa, com colegas de gabinete, a residência oficial do premiê britânico em Londres

Ministra do Interior Theresa May deixa, com colegas de gabinete, a residência oficial do premiê britânico em Londres

Candidata com amplo apoio

May tinha menos de 30 anos quando começou na política local. No início dos anos 90, foi eleita para a Câmara dos Comuns. Anos atrás, ela foi sincera a ponto de descrever seu próprio partido como nasty party (partido perverso). Aparentemente, ninguém levou a mal esse tipo particular de franqueza.

Ela contou com apoio de mais de 60% de seus correligionários, de acordo com um levantamento realizado pelo instituto de pesquisas ICM. Também na primeira votação da bancada de seu partido no Parlamento, 165 de 330 deputados "tories" votaram em May. Em segundo lugar ficou a ministra da Energia, Andrea Leadsom, com 66 votos, seguida pelo ministro da Justiça, Michael Gove, com 48 votos.

O ministro do Trabalho, Stephen Crabb, recebeu 34, e o ex-ministro da Defesa Liam Fox, 16 votos. Por ter ficado em último lugar, Fox saiu automaticamente da corrida. Crabb retirou sua candidatura logo depois. Ambos apoiaram May.

Uma das razões para a popularidade de May seria um desejo ardente por tranquilidade e confiabilidade entre os "tories".

Apoio de Cameron

May é vista como alguém que preparou o caminho de Cameron para o poder. Por isso, o premiê sempre apoiou May como sua sucessora. O ICM apurou que ela também tem uma boa imagem entre a população. O jornal The Sun on Sunday citou o ICM com a frase "ela é claramente considerada a candidata mais competente, por homens e mulheres, em todas as regiões do país e entre adeptos e membros de todos os partidos".

A maior parte da imprensa britânica, normalmente muito agressiva, também elogiou May como uma candidata do bom senso. O Telegraph a chamou de "estrela em ascensão".

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