Steve Bannon é preso por fraude nos Estados Unidos | Notícias internacionais e análises | DW | 20.08.2020

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Estados Unidos

Steve Bannon é preso por fraude nos Estados Unidos

Ex-estrategista de Trump é acusado de fraudar campanha de arrecadação de fundos para construção de muro na fronteira com o México. Ele se declarou inocente e foi solto no mesmo dia, após pagar fiança de U$ 5 milhões.

Steve Bannon na fronteira entre EUA e México

Bannon é considerado um dos maiores ícones da extrema direita

Steve Bannon, o ex-estrategista-chefe do presidente americano, Donald Trump, foi preso nesta quinta-feira (20/08) nos Estados Unidos. Ele é acusado de conspiração para cometer fraude numa campanha de financiamento coletivo para a arrecadação de fundos para apoiar a construção do muro na fronteira com o México, segundo informou o Departamento de Justiça dos EUA.

Além de Bannon, foram detidos também outros três acusados. De acordo com a Promotoria Federal americana, eles teriam "orquestrado um esquema para fraudar centenas de milhares de doadores".

Iniciada em 2018, a campanha chamada "Nós construiremos o muro" arrecadou mais de 25 milhões de dólares (cerca de 141 milhões de reais).

Segundo os promotores, Bannon prometeu usar todo o valor arrecadado na obra, mas o dinheiro foi usado, entre outros fins, para financiar despesas pessoais e o luxuoso estilo de vida de Brian Kolfage, descrito como o rosto público e fundador da campanha.

Os promotores afirmam que o grupo falsificou notas e acordos com fornecedores fictícios para esconder o que realmente estava acontecendo. Os quatros também foram acusados de conspiração para lavar dinheiro.

Horas após ser preso, Bannon se declarou inocente perante um tribunal federal em Manhattan. Na audiência, ele apareceu com as mãos algemadas à frente do corpo e usando uma máscara branca que cobria quase todo seu rosto.

O juiz aprovou sua soltura em troca do pagamento de uma fiança de 5 milhões de dólares (quase 28 milhões de reais), e ele foi então libertado, sob a proibição de deixar o país. Antes, teve de apresentar garantias no valor de 1,75 milhão de dólares em forma de dinheiro ou propriedades.

Bannon, uma figura proeminente da extrema direita americana, foi assessor de campanha de Trump, que fez da construção do muro na fronteira com o México uma de suas principais promessas na corrida eleitoral de 2016.

O americano é considerado um dos maiores ícones da extrema direita e esteve à frente do portal Breitbart News, que ajudou a propagar a nova ultradireita dos Estados Unidos.

Trump nomeou Bannon como seu estrategista-chefe logo após assumir a presidência. Ele permaneceu no cargo durante apenas sete meses.

No governo, ele defendia que Trump deveria manter o discurso populista que o levara ao poder e o encorajou, entre outras coisas, a emitir o polêmico veto migratório contra os refugiados e os imigrantes de determinados países muçulmanos, bem como a retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima.

Após a prisão de Bannon nesta quinta-feira, o presidente americano foi rápido em se distanciar do acusado e do projeto de arrecadação de doações. "Quando li sobre isso, eu não gostei. Eu disse que isso era para o governo, e não para pessoas privadas. E me soou como exibicionismo", disse Trump a repórteres na Casa Branca.

Em 2018, Bannon se aproximou da família Bolsonaro. Em agosto daquele ano, ele se reuniu com Eduardo Bolsonaro em Nova York. Na ocasião, o deputado federal relatou que Bannon era um entusiasta de seu pai e que ambos manteriam contato "para somar forças, principalmente contra o marxismo cultural". Em outubro, durante as eleições presidenciais brasileiras, o extremista de direita declarou apoio ao então candidato Jair Bolsonaro.

CN/rtr/ap/afp

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