Senado dos EUA absolve Trump em julgamento de impeachment | Notícias internacionais e análises | DW | 05.02.2020

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Estados Unidos

Senado dos EUA absolve Trump em julgamento de impeachment

Presidente americano é declarado inocente das acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso, no escândalo envolvendo o governo da Ucrânia. Apenas um senador republicano rompe com o partido e vota contra Trump.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Casa Branca disse que Trump recebeu "completa exoneração" em seu julgamento de impeachment

O Senado dos Estados Unidos absolveu nesta quarta-feira (05/02) o presidente Donald Trump das acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso, no escândalo envolvendo pedidos, ao governo da Ucrânia, de investigação do ex-vice-presidente Joe Biden.

Dos 100 senadores, 52 votaram a favor de inocentar Trump da acusação de abuso de poder, enquanto 48 votaram a favor de declará-lo culpado. Eram necessários 67 votos favoráveis ao impeachment para que o presidente fosse removido do cargo.

Todos os republicanos votaram alinhados ao mandatário, com exceção do senador Mitt Romney, que se uniu aos democratas e disse considerá-lo culpado de abusar de seu poder como chefe de Estado. Nenhum democrata votou por absolvê-lo dessa acusação.

Ao votarem sobre a acusação de obstrução do Congresso, 53 senadores disseram considerar Trump inocente, enquanto 47 o declararam culpado. Dessa vez, Romney seguiu o voto dos republicanos. Nenhum democrata votou pela absolvição.

As duas votações foram realizadas nesta quarta-feira, dando fim a um conturbado processo de impeachment no Congresso americano, que durou 135 dias.

No Twitter, Trump festejou o resultado, que ele chamou de "vitória do nosso país na farsa do impeachment", e anunciou um discurso para esta quinta-feira, que, segundo assessores, será na linha "como eu havia dito, eu era inocente".

As votações seguiram o seguinte rito: todos os cem senadores foram convocados em ordem alfabética e disseram ao microfone como votavam sobre cada uma das duas acusações, ou seja, se consideravam o presidente culpado ou não.

O resultado já era esperado numa Casa controlada por republicanos, que ocupam 53 das 100 cadeiras do Senado. Para que Trump fosse condenado, era necessário que 20 partidários mudassem de lado e votassem contra o líder republicano.

O presidente ainda não se manifestou sobre o resultado. Em mensagem no Twitter, ele disse apenas que fará um pronunciamento público ao meio-dia (hora local, 14h em Brasília) desta quinta-feira para "discutir a vitória de nosso país na farsa do impeachment".

"O presidente Trump foi totalmente livrado de culpa, e agora é hora de voltar aos negócios do povo americano", afirmou o gerente de campanha do presidente, Brad Parscale, em comunicado.

Em tom semelhante, a Casa Branca disse que Trump recebeu "completa exoneração" em seu julgamento de impeachment. "O presidente está feliz em colocar no passado esse último capítulo de comportamento vergonhoso por parte dos democratas", declarou a porta-voz Stephanie Grisham.

Ela ainda acusou a oposição democrata de usar o processo de impeachment para tentar influenciar a próxima eleição presidencial americana e questionou: "Não haverá retribuição?"

Por sua vez, a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, repudiou a absolvição de Trump na câmara alta do Congresso e disse que o mandatário continua sendo "uma ameaça contínua à democracia americana, com sua insistência de que está acima da lei e que pode corromper as eleições se quiser".

"Hoje, o presidente e os republicanos do Senado normalizaram a ilegalidade e rejeitaram o sistema de freios e contrapesos da nossa Constituição", disse Pelosi, que abriu o inquérito de impeachment de Trump na Câmara, em comunicado.

As acusações

Em 25 de julho do ano passado, Trump telefonou para o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, e exigiu que ele abrisse uma investigação sobre os negócios de Hunter Biden, filho de seu provável adversário eleitoral, o pré-candidato democrata Joe Biden.

Segundo os democratas, Trump segurou um repasse de 400 milhões de dólares em ajuda militar à Ucrânia e adiou uma visita de Zelenski à Casa Branca para forçar que o governo de Kiev iniciasse as investigações de seu rival.

Um agente do serviço secreto americano acionou um mecanismo interno de reclamação sobre o telefonema. Os democratas então iniciaram uma investigação sobre a eventual abertura de um processo de impeachment contra Trump. Várias testemunhas foram ouvidas.

Depois de semanas de audiências no Comitê de Justiça da Câmara dos Representantes, os parlamentares acusaram Trump de abuso de poder – porque a investigação do filho de Biden poderia resultar em vantagens eleitorais para o atual presidente – e obstrução dos poderes investigativos – pois a Casa Branca teria dificultado o trabalho dos deputados.

O rompimento de Romney

"Corromper uma eleição para se manter no cargo é talvez a violação mais abusiva e destrutiva do juramento feito sobre o cargo que eu possa imaginar", afirmara o republicano Romney num discurso emocionado no Senado.

O parlamentar de Utah é o primeiro senador na história dos Estados Unidos a votar para condenar um membro de seu próprio partido em um julgamento de impeachment.

O filho de Trump, Donald Trump Jr., disse que Romney deveria ser expulso do Partido Republicano. "Ele foi fraco demais para vencer os democratas, então está se unindo a eles agora", escreveu no Twitter. Romney foi o candidato republicano à presidência em 2012, mas perdeu para o democrata Barack Obama.

Trump é o terceiro presidente dos EUA a passar por um processo de impeachment. Os dois anteriores, Andrew Johnson em 1868 e Bill Clinton em 1998, também foram absolvidos.

O julgamento termina nove meses antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos, em novembro, quando Trump pedirá aos eleitores de um país profundamente dividido um segundo mandato à frente da Casa Branca.

EK/afp/dpa/rtr

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