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"Queremos justiça", diz mãe de morto no Jacarezinho

10 de maio de 2021

Os mortos na operação da Polícia Civil no Jacarezinho, no Rio, começaram a ser enterrados. Entre muita dor, familiares denunciam a brutalidade da polícia no massacre. "Peço justiça por todos. Nós somos mães, e eles eram pais de família", diz a mãe de um dos mortos.

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Os mortos durante a ação da Polícia Civil no Jacarezinho começaram a ser enterrados. Entre muita dor, familiares denunciaram a brutalidade da polícia no massacre que deixou 28 mortos: 27 civis e um policial militar. Ediluze sepultou seu filho Márcio da Silva Bezerra, de 43 anos, às vésperas do Dia das Mães. O filho é um dos 27 mortos acusados de envolvimento com tráfico de drogas
durante a operação da polícia na comunidade do Jacarezinho. A mãe diz que Márcio deixou três filhos e pediu justiça por todos.

"Então eu quero justiça, eu peço justiça por todos. Nós somos mães, eles eram pais de família, entendeu? Então nós estamos sofrendo, sofrendo muito e muito, porque o que eles fizeram com os nossos filhos... não foi justo", afirmou Ediluze da Silva Bezerra.

A irmã da vítima, Mirian Bezerra, contou que os policiais subiram a favela matando os suspeitos. "Isso é uma crueldade. Eles são assassinos, são milicianos sem vergonha que foram para matar mais de 30 pessoas. Agora, no Dia da Mães, todos estão chorando. Mais de 30 [mortos] e ainda tem sete desaparecidos. Cadê esses corpos?", indagou.

O corpo do inspetor André Leonardo de Mello Frias foi enterrado na sexta-feira (07/05). Policiais civis de diversas delegacias do Rio saíram da Cidade da Polícia, na Zona Norte, para o enterro na Zona Oeste da cidade. As viaturas ligaram suas sirenes em homenagem ao policial que fazia parte da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD). Ele foi baleado na cabeça logo depois que saiu de um veículo blindado quando o disparo ricocheteou no chão e o atingiu.

No sábado (08/05), centenas de pessoas protestaram na Avenida Paulista, em São Paulo, para exigir justiça para as vítimas da operação policial no Jacarezinho. O protesto foi organizado pela Coalizão Negra por Direitos, que reúne mais de 200 instituições do movimento negro em todo o Brasil. A coalizão pediu uma investigação independente da ação e um plano de redução da violência e letalidade policial. Os manifestantes acenderam velas para homenagear os mortos e levaram cartazes com críticas ao presidente Jair Bolsonaro e ao governo do Rio.

"Foram 29 pessoas mortas, assassinadas pela milícia do Rio de Janeiro. E para a gente é um absurdo. Chega! Já estamos no meio de uma pandemia e assassinam cada vez mais os jovens, os pretos de nossa sociedade", afirmou uma manifestante.

A operação policial na favela foi a mais letal da história do Rio, e o MPRJ abriu uma investigação para apurar a ação policial. A ONU cobrou uma apuração independente e afirmou que há um histórico de uso desproporcional e desnecessário da força pela polícia.