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Olaf Scholz, ministro das Finanças alemão e candidato a chanceler federal
"Não há falta de disposição de gastar dinheiro" com vacinas, afirma Scholz à DWFoto: Ronka Oberhammer/DW

"Precisamos continuar assegurando a exportação de vacinas"

Rebecca Staudenmaier
11 de agosto de 2021

Em entrevista à DW, candidato social-democrata à chefia de governo da Alemanha expõe sua visão do papel global do país na pandemia de covid-19. Olaf Scholz abordou também a nova onda migratória e as tensões com a Rússia.

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O ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz, concorre à chefia de governo federal nas eleições gerais de 26 de setembro por seu Partido Social-Democrata (SPD), sucedendo a Angela Merkel. Em entrevista exclusiva à DW, ele confirmou a obrigação de seu país de garantir o fornecimento de vacinas contra a covid-19 para os países necessitados.

"Precisamos assegurar que as vacinas continuem sendo exportadas para todo o planeta, e devemos expandir as capacidades de produção de modo que o resto do mundo receba doses suficientes. Não há falta de disposição de gastar dinheiro. Já fizemos isso, e precisamos continuar a fazê-lo. Há grande disposição para coordenar as capacidades de produção, a fim de garantir que haja suficientes doses disponíveis."

O político de centro-esquerda foi firme, contudo, em frisar que a responsabilidade de assegurar as doses não cabe exclusivamente à Alemanha: os países receptores também devem organizar suas campanhas de vacinação contra o novo coronavírus.

"Não falta disposição para gastar com vacinas", diz Scholz

"Isso precisa ser organizado por todos os responsáveis, tanto em nível internacional como pelos países afetados, de modo a assegurar que as vacinas cheguem a todos os cidadãos do Sul global."

Na qualidade de chefe das Finanças durante a pandemia, Scholz supervisionou a aprovação de um pacote de ajuda de 400 bilhões de euros. No entanto, descartou a crítica de que os fundos não bastariam para enfrentar as desigualdades econômicas crescentes causadas pela crise sanitária.

Novo desafio migratório

Com um número crescente de indivíduos fugindo da violência no Afeganistão, a questão dos requerentes de refúgio e migrantes na Alemanha está mais uma vez no foco das atenções, às vésperas das eleições legislativas no país.

Indagado como planeja lidar com uma potencial nova onda migratória, o candidato social-democrata frisou a necessidade de prover assistência aos países onde eles aportem primeiramente, em vez de se comprometer a acolher um grande número de refugiados na Alemanha.

"Na política alemã e europeia, não creio que estejamos suficientemente atentos para o que acontece com os refugiados quando países vizinhos os acolhem. Muitos não são governados como imaginamos na Alemanha, mas num primeiro momento lhes oferecem segurança e proteção."

"Por isso, precisa haver perspectivas de integração nesses países da África, Ásia e América do Sul. E precisamos partilhar responsabilidade nesse ponto", enfatizou o político social-democrata.

Política mais rigorosa para a Rússia

Caso o SPD vença e ele se torne chanceler federal, Scholz pretende impulsionar uma nova estratégia na forma de lidar com a Rússia e outros países do Leste Europeu.

"Precisamos de uma nova política em relação ao Leste que revitalize o princípio da OSCE [Organização para Segurança e Cooperação na Europa] e da CSCE [Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa], mas como um princípio da União Europeia.

"Eu diria que a Rússia e outros países precisam aceitar que a integração europeia prosseguirá. Se queremos garantir a segurança conjunta na Europa, o que importa é a União Europeia e a Rússia", prosseguiu Scholz.

Ele considera a anexação da península da Crimeia por Moscou "um enorme problema", que continua gerando tensões no leste da Ucrânia. O ministro lembrou que, dos princípios da CSCE, consta "a clara afirmativa de que as fronteiras da Europa não devem mais ser deslocadas com violência". "Por isso é imperativo retornarmos ao Estado de direito. Ter poder não significa estar certo."

Scholz não exclui a possibilidade de uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, já que o governo alemão "sempre se encontrou com o governo russo" e já houve numerosas conversas nos últimos anos.

Os comentários do candidato social-democrata chegam em meio também a um aumento das tensões entre a UE e Belarus por infrações de direitos humanos. Paralelamente, prosseguem as controvérsias com os membros da UE Polônia e Hungria sobre o que Bruxelas classifica como violações do Estado de direito.