Por que as eleições no Leste da Alemanha são importantes | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 01.09.2019
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Alemanha

Por que as eleições no Leste da Alemanha são importantes

As eleições parlamentares regionais na Saxônia e em Brandemburgo, estados da antiga Alemanha Oriental, são observadas com atenção em todo o país. Bem nas pesquisas, extrema direita pode conquistar resultados históricos.

Propaganda eleitoral em Potsdam, capital de Brandemburgo

Propaganda eleitoral em Potsdam, capital de Brandemburgo

Quando agosto chegar ao fim, todos os olhos da Alemanha estarão voltados para o leste: no próximo domingo (01/09), os eleitores dos estados da Saxônia e de Brandemburgo irão às urnas para eleições parlamentares regionais.

Os resultados, no entanto, não definirão apenas as assembleias legislativas de ambas as regiões para os próximos cinco anos, mas poderão ter repercussão em nível nacional e marcar uma reviravolta na história política pós-reunificação desses dois antigos estados da Alemanha Oriental.

Mas o que torna essas eleições estaduais tão importantes para a Alemanha? A seguir, cinco motivos que explicam o peso desses pleitos.

1. Possível vitória histórica da AfD

O partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) não é um fenômeno exclusivo do Leste alemão. A legenda está representada em todas as assembleias legislativas do país e é a principal força de oposição no Parlamento nacional, o Bundestag. A AfD, porém, tem um amplo suporte no Leste, onde sua liderança é especialmente linha-dura.

Enquanto o partido tem cerca de 13% de apoio no âmbito nacional, suas intenções de voto na Saxônia chegam a 25% e, em Brandemburgo, a 21%, onde é líder das pesquisas.

Esses resultados são impulsionados em parte por um discurso anti-imigração. Muitos eleitores da legenda no Leste da Alemanha criticam a política migratória da chanceler federal, Angela Merkel. Pesquisas recentes mostram que imigração e política de refúgio são temas determinantes na eleição da Saxônia.

Se a AfD se tornar o partido mais forte em qualquer um dos dois estados, será a primeira grande vitória da legenda de apenas seis anos de existência, e será a primeira vez, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, que um partido de extrema direita ganha uma eleição estadual.

Uma vitória também aumentaria o ímpeto do partido antes das eleições de outubro na Turíngia, lar de um dos líderes mais extremos da AfD, Björn Höcke.

2. A Esquerda em uma encruzilhada

A Turíngia é o único estado governado pelo partido A Esquerda em toda a história da Alemanha. Sucessora do antigo partido governista da República Democrática Alemã (RDA), o Partido Socialista Unitário da Alemanha (SED), A Esquerda sempre teve um melhor desempenho nas regiões onde estão suas raízes históricas.

Hoje, A Esquerda é muitas vezes chamada de partido do povo da Alemanha Oriental ou de partido de protesto, mas seu apoio tem caído no leste no decorrer da última década. Durante a atual campanha, a AfD se autodenominou herdeira da Wende (virada), termo que se refere à transição democrática pacífica durante a reunificação.

Se os eleitores da Esquerda migrarem para a AfD, o resultado permitiria que o partido populista de direita assumisse o papel da legenda esquerdista como partido antissistema do Leste alemão.

3. Verdes buscam prosperar num ambiente historicamente difícil

O Partido Verde, amplamente definido pelas políticas de proteção climática, se saiu bem nas últimas eleições no país, mas o Leste alemão não é considerado um território amistoso para os ambientalistas – particularmente Saxônia e Brandemburgo, marcados historicamente pela mineração de lignito, setor que ainda emprega pessoas na região.

Embora o número de empregos na mineração tenha caído drasticamente desde a reunificação, eleitores mais velhos – especialmente aqueles que vivenciariam cortes de vagas no setor e o fechamento de indústrias – podem ter dificuldade em aceitar o apelo dos verdes para rapidamente acabar com atividades poluidoras.

No passado, o Partido Verde muitas vezes penava para conseguir assentos nas assembleias da Saxônia e de Brandemburgo. Contudo, pesquisas de opinião recentes mostraram que o apoio à legenda cresceu no Leste.

Em Brandemburgo, os verdes competem em pé de igualdade com forças políticas tradicionais como a conservadora União Democrata Cristã (CDU), de Merkel, ou o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda.

Devido à sua postura favorável à imigração, os verdes são vistos por muitos como a legenda que se encontra no lado oposto ao da AfD. Dependendo do resultado dos outros partidos, os verdes poderão ter um peso fundamental na formação dos novos governos regionais. E, no mínimo, os resultados das urnas podem ser um bom presságio para o futuro da legenda na Alemanha.

4. Potencial racha no governo Merkel

As eleições estaduais serão um teste decisivo para a força da coalizão de governo entre CDU e SPD. As lideranças nacionais das duas legendas já marcaram para meados de outubro uma avaliação da primeira metade do mandato da frágil coalizão.

Brandemburgo é reduto do SDP, enquanto a Saxônia é da CDU. Mas ambos devem levar uma rasteira nas eleições regionais, e as repercussões desse resultado podem levar ao colapso da coalizão do governo federal. Tal situação, no entanto, não significaria necessariamente novas eleições.

A CDU de Merkel poderia ainda formar um governo de minoria. Resultados fracos nas eleições poderiam convencê-los a desistir do governo conjunto, com a esperança de que uma reorganização pudesse melhorar seu apoio.

5. Calmaria antes da tempestade?

Enquanto as disputas eleitorais de 1º de setembro estão muito próximas para uma previsão confiável, um resultado parece certo: o aumento da fragmentação política. A tendência já é observada em nível nacional e europeu, e Saxônia e Brandemburgo provavelmente não serão exceção.

As atuais coalizões estaduais não devem conseguir manter a maioria com apenas dois partidos. Todas as legendas tradicionais se recusam a formar governos com a AfD, o que significa que três ou quatro partidos serão necessários para formar uma coalizão majoritária. Isso pode ser mais complicado se a AfD emergir como o partido mais votado em algum desses estados.

Grandes compromissos políticos podem ser necessários, demandando tempo e possivelmente levando a parcerias instáveis. Essa não é a situação preferida dos alemães, que gostam de estabilidade. Embora os três estados juntos representem apenas 10% da população total da Alemanha, essas eleições têm poder para desencadear uma tempestade política.

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