Policial do caso Jean Charles vai comandar Scotland Yard | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 22.02.2017
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Mundo

Policial do caso Jean Charles vai comandar Scotland Yard

Cressida Dick esteve à frente da operação que resultou na morte do brasileiro em Londres. Ela será a primeira mulher a ocupar o cargo de comissária-chefe da Polícia Metropolitana da capital britânica.

Nova chefe da Scotland Yard, Cressida Dick

Cressida Dick tem mais de 30 anos de experiência na polícia

Cressida Dick, de 56 anos, foi anunciada como a nova chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Met Police), também conhecida como Scotland Yard, nesta quarta-feira (22/02). Dick é a primeira mulher a comandar a corporação, fundada em 1829.

Com mais de 30 anos de polícia, ela comandou a operação que resultou na morte do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, de 27 anos, em 2005, duas semanas após uma série de ataques terroristas na capital do Reino Unido.

Foi Dick que deu a ordem para que Menezes, que havia sido confundido com um suspeito de terrorismo, fosse impedido "a qualquer custo" de entrar em uma estação de metrô de Londres.

Pouco antes, ao sair de casa, Menezes havia sido erroneamente identificado como o etíope naturalizado britânico Osman Hussain, que morava no mesmo conjunto habitacional do brasileiro e era procurado pela polícia.

Após a ordem de Dick, o brasileiro foi baleado sete vezes na cabeça e uma no ombro ao entrar na estação. Dois anos depois, a polícia de Londres foi condenada a pagar uma multa de 175 mil libras por violar padrões de segurança e saúde no caso. A polícia ainda teve que pagar as custas legais do processo, no valor de 385 mil libras.

Brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia de Londres em 2005

Jean Charles foi confundido com procurado pela polícia e morto a tiros

Para indignação da família, no entanto, o Ministério Público do Reino Unido decidiu não processar nenhum policial individualmente.

Em 2008, uma investigação da Independent Police Complaints Commission (IPCC), órgão responsável por investigar denúncias contra a polícia, concluiu sua análise do caso e listou todos os erros que foram cometidos durante a operação. Ainda assim, a comissão sugeriu que nenhum policial deveria ser processado individualmente.

Dick acabou sendo exonerada de qualquer culpa, e sua carreira prosseguiu. Ela acabou sendo responsável por chefiar uma unidade de combate ao terrorismo e atuou na segurança dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, disse que a indicação de Dick marca um "dia histórico" em Londres. "É essencial que encontremos a melhor pessoa possível para liderar a Met nos próximos anos, e estou confiante de que nós conseguimos".

Críticas da família do brasileiro

A família de Jean Charles, no entanto, já havia divulgado na semana passada uma declaração em que criticou a indicação iminente de Dick para o posto.

"Não se pode esperar que aceitemos que o cargo máximo da polícia do país, um posto onde se espera os mais elevados padrões de profissionalismo [...] seja preenchido por alguém que claramente falhou em preencher esse requisito." 

Nesta quarta-feira, uma nova declaração da família apontou que "a mensagem da indicação [de Dick] é que policiais podem agir com impunidade".

O comando da Scotland Yard estava nas mãos de Sir Bernard Hogan-Howe desde 2011. No cargo, Dick deve receber 270 mil libras (cerca de 1 milhão de reais) como salário anual.

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