″O país vai finalmente conhecer a verdade″, diz Lula | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 14.06.2019
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Brasil

"O país vai finalmente conhecer a verdade", diz Lula

Na primeira entrevista após as reportagens do "Intercept", ex-presidente ataca Moro e Dallagnol e faz duras críticas ao "monstro" Bolsonaro. Petista diz que ainda quer voltar à presidência.

Ex-presidente Lula quer voltar à presidência para rever e refazer coisas que eu não tinha consciência de que era preciso fazer

Lula quer voltar à presidência para "rever e refazer coisas que eu não tinha consciência de que era preciso fazer"

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua primeira entrevista após o escândalo gerado pelas reportagens do site The Intercept Brasil, disse estar feliz com o fato de que "o país finalmente vai conhecer a verdade", sobre seus detratores e sobre o caso que o levou à prisão. Ele também fez duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro.

O Intercept divulga desde domingo trocas de mensagens atribuídas ao coordenador da força-tarefa da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, e ao ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro. As conversas levantaram questionamentos sobre o caso que resultou na condenação do ex-presidente.

"Moro é mentiroso", disse Lula aos jornalistas Juca Kfouri e José Trajano na entrevista transmitida nesta quinta-feira (13/04) pela emissora TVT. Ele avalia que o juiz estava condenado a condená-lo porque "a mentira tinha ido muito longe".

Segundo o conteúdo das conversas divulgadas, Moro e Dallagnol mantiveram contatos frequentes durante o processo e o então juiz chegou a dar dicas aos promotores sobre como proceder.

Lula disse que Dallagnol deveria ter sido preso ao dizer que não tinha provas contra o ex-presidente, mas tinha convicção. "Ele deveria ter sido preso ali", afirmou. "Pode pegar a turma da força-tarefa, o Moro, enfiar num liquidificador, e quando for tomar o suco, não dá a honestidade do Lula."

Ele defende que as investigações contra a corrupção devem continuar, e políticos e empresários corruptos têm de ser presos com base em mecanismos e leis que, segundo ele, foram criadas nos governos do Partido dos Trabalhadores (PT).

Lula disse que o vazamento das mensagens trouxe "a verdade à sociedade brasileira", mas evitou especular sobre as consequências dessas revelações.

"Estou ficando feliz com o fato de que o país finalmente vai conhecer a verdade", disse, ressaltando que sempre disse que Moro estava "condenado a condená-lo" porque "a mentira tinha ido muito longe". 

O petista criticou duramente o atual presidente, dizendo que "o país pariu essa coisa chamada Bolsonaro" nas últimas eleições. Ele citou uma frase do escritor moçambicano Mia Couto ao dizer que a sociedade, com medo, se aproximou do "monstro para pegar proteção" e elegeu "o pior dos coronéis".

"Ele conseguiu se vender para a sociedade enraivecida como antissistema. E a tendência é não dar certo", observou. O ex-presidente criticou o papel da mídia que, segundo afirma, espalhou temores políticos entre os brasileiros.

Lula até lançou dúvidas sobre a facada sofrida pelo pesselista durante a campanha. "Eu, sinceramente... aquela facada tem uma coisa muito estranha, uma facada que não aparece sangue, uma facada que o cara que dá a facada é protegido pelos seguranças do Bolsonaro", comentou.

Lula disse que se os eleitores se sentiam traídos pelo PT deveria ter escolhido outras opções para exercerem "vingança". "Alguém que se sentiu traído pelo PT não poderia ter votado no Bolsonaro. Se o cara se sentiu traído, poderia ter votado em coisa melhor, o Boulos foi candidato, o Ciro, embora não mereça porque é muito grosseiro, foi candidato", afirmou.

Lula expressou o desejo de voltar à presidência do país para "rever e refazer coisas que eu não tinha consciência de que era preciso fazer".

RC/ots

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