Nobel de Literatura não será concedido em 2018 | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 04.05.2018
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Cultura

Nobel de Literatura não será concedido em 2018

Academia Sueca suspende premiação devido a uma crise interna, causada por acusações de corrupção e abuso sexual. Prêmio será conhecido junto com o de 2019.

Será a primeira vez desde 1949 que o prestigiado Prêmio Nobel de Literatura é adiado para o ano seguinte

Será a primeira vez desde 1949 que o prestigiado Prêmio Nobel de Literatura é adiado para o ano seguinte

A Academia Sueca comunicou nesta sexta-feira (04/05) que o Prêmio Nobel de Literatura não será concedido em 2018, depois que alegações de abusos sexuais e escândalos de crimes financeiros mancharam a reputação da organização.

A Academia Sueca acrescentou que o Nobel de Literatura de 2018 será entregue em 2019. A decisão foi tomada numa reunião semanal em Estocolmo. A justificativa é que a academia não está em condições de escolher um vencedor em meio às recentes polêmicas em torno de assédios sexuais e corrupção financeira.

"Achamos necessário dar um tempo para recuperar a confiança da opinião pública na Academia antes que o próximo laureado possa ser anunciado", disse o secretário permanente Anders Olsson. Segundo ele, a Academia Sueca tomou a decisão "por respeito a laureados anterior e futuros de literatura, à Fundação Nobel e ao público em geral".

Em 1949 foi a última vez que uma nomeação foi postergada – entregue no ano seguinte ao escritor americano William Faulkner. Já 1943 foi o último ano em que o prestigiado prêmio literário não teve um laureado, durante a Segunda Guerra Mundial.

William Faulkner Schriftsteller

A última nomeação postergada foi em 1949 – entregue no ano seguinte ao escritor americano William Faulkner

Corrupção, sexo e conflito de interesses

A disputa interna da Academia Sueca – inclusive com renúncias do conselho – foi desencadeada por um escândalo digno de um drama literário dos mais intrigantes.

No centro das discussões estão a escritora Katarina Frostenson e seu marido, o fotógrafo Jean-Claude Arnault. Ele é um dos nomes mais influentes na cena cultural da Suécia, também em decorrência de seu casamento com Frostenson, que é membro da Academia Sueca.

Devido a várias acusações, inclusive de corrupção, Frostenson deveria ter sido – mas não foi – excluída do órgão em uma reunião no começo de abril. Kjell Espmark, um dos membros que deixaram o grêmio, comentou a fracassada tentativa de exclusão de Frostenson da Academia com a frase: "A amizade foi colocada à frente da integridade."

Frostenson, que é membro da Academia Sueca desde 1992 e, portanto, tem poder de voto na concessão do Prêmio Nobel de Literatura, é alvo de uma série de acusações. Uma delas é a de que teria violado a regra de confidencialidade ao revelar ao marido os nomes dos futuros ganhadores do Nobel de Literatura.

Katarina Frostensson, Jean Claude Arnault

Escritora Katarina Frostenson e o fotógrafo Jean-Claude Arnault são o pivô do escândalo na Academia Sueca

Além disso, descobriu-se que ela era sócia do clube de arte comercial particular do marido. A instituição recebia regularmente apoio financeiro da Academia Sueca, permitindo assim que, na prática, a escritora de 65 anos decidisse sobre doações para si mesma.

No próprio clube, também teriam sido cometidos delitos, tal como a distribuição ilegal de bebidas alcoólicas e fraude fiscal. Um escritório de advocacia a serviço da Academia Sueca chegou a propor que o clube fosse formalmente denunciado.

De assédio sexual a estupro

E como se tudo isso não fosse o bastante para desacreditar a até então prestigiosa academia do Nobel de Literatura, em novembro do ano passado, bem em meio ao debate da campanha #MeToo, também vieram à tona acusações de assédio sexual.

Dezoito mulheres afirmaram ao jornal sueco Dagens Nyheter terem sido assediadas pelo marido de Frostenson – em um caso até houve relato de estupro. Muitos dos abusos teriam ocorrido no centro cultural de Arnault, cofinanciado pela academia, mas também em apartamentos em Estocolmo e Paris, que foram disponibilizados a ele pela Academia Sueca.

Arnault teria usado suas ligações com a instituição para pressionar as vítimas, entre as quais estariam aspirantes a escritoras e ex-funcionárias do clube de arte. Ele nega todas as acusações.

PV/rtr/dpa/afp/ap

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