Netanyahu fracassa em formar governo e tem o cargo ameaçado | Notícias internacionais e análises | DW | 05.05.2021

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Mundo

Netanyahu fracassa em formar governo e tem o cargo ameaçado

Prazo estabelecido após novo impasse nas eleições termina sem acordo entre primeiro-ministro e outras facções políticas. Partidos de oposição já negociam para remover o premiê, no poder há 12 anos.

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em frente a um pódio e bandeiras de Israel. Ele está ameaçado no cargo depois de 12 anos

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ameaçado no cargo depois de 12 anos

Expirou nesta quarta-feira (05/05) o mandado concedido para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, formar um novo governo, o que abre caminho para seus rivais o removerem do poder depois de 12 anos à frente do governo.

Netanyahu tinha 28 dias para formar uma nova coalizão, após os resultados inconclusivos das eleições gerais do dia 23 de março, a quarta votação em menos de dois anos em Israel.

O partido Likud, do líder de 71 anos, conquistou mais cadeiras no Knesset, o Parlamento israelense, do que seus adversários, mas ficou abaixo da maioria absoluta. Á meia noite, no horário local, esgotou-se a janela de quatro semanas concedida pelo presidente de Israel, Reuven Rivlin.

A partir de agora, a decisão volta para as mãos de Rivlin, que logo após o fim do prazo anunciou que conversará com os 13 partidos com representação no Knesset para "discutir a continuação do processo para formar um governo”.

Nos próximos dias, o presidente deverá conceder a uma das legendas de oposição a chance para formar uma nova coalizão. Ele pode também pedir ao Parlamento que indique um de seus membros como primeiro-ministro. Se, ainda assim, as forças políticas não conseguirem chegar a um acordo, o país será forçado a marcar uma nova eleição.

Sobrevivente político

Netanyahu, que governou de 1996 a 1999 e, mais tarde, de 2009 em diante, ganhou a reputação ser um sobrevivente político. Atualmente, ele também está em meio a um julgamento por acusações de corrupção.

O impasse atual não significa que ele terá de deixar o poder imediatamente, mas representa uma ameaça sem precedentes à sua permanência à frente do governo.

Muitos de seus adversários, apesar de diferenças ideológicas profundas, já vinham mantendo conversas informais sobre possíveis acordos para forjar alianças.

O próximo nome a receber o mandato de 28 dias para formar um governo deverá ser Yair Lapid, após seu partido, o centrista Yesh Atid, terminar as eleições em segundo lugar.

Lapid confirmou que já convidou o ex-aliado de Netanyahu, o nacionalista Naftali Bennett, para formar uma coalizão.

O líder do partido Yamina também havia sido contactado pelo Likud, mas se recusou a compor uma aliança. O partido governista culpou Bennett pelo fracasso das negociações, que poderá selar o fim da era Netanyahu.

Lapid afirmou que está pronto para compartilhar o cargo de primeiro-ministro com Bennett de maneira rotativa, com o nacionalista assumindo o período inicial.

"Esta é uma oportunidade histórica, de romper as barreiras no coração da sociedade israelense. Unir a religião e o secularismo, a esquerda, a direita e o centro”, disse Lapid. "Está é a hora de escolher entre um governo de unidade ou a continuação da divisão.”

rc (AFP, AP)

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