Merkel diz que há luz no fim do túnel da pandemia | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 25.03.2021

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Coronavírus

Merkel diz que há luz no fim do túnel da pandemia

Um dia após espetacular pedido de perdão pelo vaivém na política de lockdown, chanceler federal promete uma saída do confinamento aos alemães. Após meses de restrições, clima no país é de exaustão.

Angela Merkel discursa no Bundestag

Merkel defendeu sua gestão da pandemia em discurso no Bundestag

Em cerca de 20 minutos de discurso no Parlamento nesta quinta-feira (25/03), a chanceler federal alemã, Angela Merkel, conseguiu resumir o clima no país. Fez isso com duas perguntas curtas: "Teria sido tudo em vão? Será que  vai continuar desse jeito?" Sim, esse é o atual clima na Alemanha.

Meses de lockdown devido à pandemia já se passaram, milhares de existências estão ameaçadas pelo confinamento, as pessoas estão exaustas, uma mistura de resignação e desespero paira como névoa sobre a Alemanha. Porque, apesar de todos os esforços, o número de infecções segue aumentando. Nesta quinta-feira, foram contabilizados 22.657 novos casos de covid-19 no país em 24 horas, mais do que 5 mil do que o registrado há uma semana.

Mas a chanceler não parece desanimada. Não, isso não vai durar para sempre, ela promete. "Há uma luz no fim do túnel", mesmo que ainda leve alguns meses. E então enumera seus argumentos: a velocidade da vacinação aumenta cada vez mais, testes caseiros e testes rápidos contra a covid-19 estão agora disponíveis em quantidade suficiente e têm apenas que ser melhor distribuídos pelos estados. "Vamos vencer este vírus", disse Merkel.

Num gesto espetacular na quarta-feira, a líder alemã assumiu a responsabilidade pelos detalhes altamente polêmicos das últimas resoluções sobre restrições na pandemia dos governos federal e estaduais, falou de um erro pessoal e pediu perdão à população. Algo assim nunca tinha acontecido em 15 anos da gestão Merkel. Especificamente, a chanceler havia inicialmente proposto que as pessoas na Alemanha entrassem numa espécie de "período de paralisação" durante o feriadão de Páscoa, sem determinar como isso poderia ser implementado e o que isso significaria em termos concretos.

Então, após severas críticas de muitos setores, ela voltou atrás da decisão e pediu perdão. A ideia frustrada do recesso de Páscoa é um exemplo de como os nervos estão à flor da pele também na sede do governo alemão.

Merkel agora usou seu pronunciamento no Bundestag, o Parlamento alemão, para refletir sobre a situação numa perspectiva internacional. "Proponho que deem uma olhada nos países vizinhos", disse a chanceler, observando que em todos os lugares há medidas semelhantes às da Alemanha e, no entanto, as infecções vêm subindo.

Ela atribuiu a culpa às agressivas mutações do vírus. E se defendeu vigorosamente contra seus críticos: "Você não pode alcançar nada se apenas vir o lado negativo." Ela lembrou também que o polêmico aplicativo alemão Corona-Warn-App também é usado em 17 países europeus e que na Finlândia quase todos os cidadãos o baixaram.

Como sempre, a hesitação

Mas Merkel tem consciência de que sua autoridade foi afetada, apesar de todos os elogios por seu nobre pedido de desculpas, proferidos por representantes de quase todos os partidos do Bundestag. Recentemente, este governo foi acusado de hesitação e falta de coragem, e as críticas partiram inclusive de dentro de suas próprias fileiras.

No Parlamento alemão houve quem lembrasse que muito poucos testes são realizados no setor privado, nas empresas, e a taxa de home office é baixa. Há um compromisso voluntário das empresas para mudar isso até 1º de abril, mas quase nada aconteceu até agora. Merkel promete que depois de 1º de abril medidas compulsórias serão implementadas. Mas quando exatamente? "Falaremos sobre isso em 13 de abril", disse a chefe de governo.

Merkel não mudará seu curso. Ela ressaltou que, mesmo agora, flexibilizações podem ser implementadas em conjunto com o uso de testes rápidos para covid-19, em regiões onde o número de infecções é baixo. "Todos os cidadãos na Alemanha podem fazer isso, nada impede", diz Merkel. Mas avisa que se os números de casos dispararem, será preciso considerar outras restrições.

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