Alemanha planeja gigantesco programa de testagem | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 04.03.2021

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Coronavírus

Alemanha planeja gigantesco programa de testagem

Plano do governo Angela Merkel é que cada morador do país tenha acesso a pelo menos um teste de covid-19 por semana. Passo é considerado fundamental para manter epidemia sob controle no país.

O governo alemão planeja, a partir da próxima semana, implementar um enorme programa nacional de testagem rápida para covid-19, como medida fundamental para que o país possa, aos poucos, levantar as restrições de movimentação.

Segundo o plano, definido na quarta-feira pelo governo Angela Merkel e os governadores dos estados, cada pessoa na Alemanha terá direito a um teste por semana gratuitamente.

Os testes poderão ser feitos em centros de testagem, no consultório médico ou no local de trabalho, e serão administrados por pessoal treinado.

Escolas e creches são um foco particular, como um meio de colocar crianças e professores em segurança e regularmente de volta às salas de aula.

Nesta quinta-feira, o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, disse que o governo garantiu pelo menos 200 milhões de testes autoaplicáveis de covid-19 e 800 milhões de testes rápidos, dos quais 150 milhões estão em estoque com fornecedores.

As autoridades sanitárias defendem a realização de dois testes por pessoa, o que significaria 160 milhões de testes por semana. No entanto, mesmo metade dessa cifra poderia esgotar rapidamente os estoques. Críticos dizem que é importante garantir estoques de testes suficientes antes que as autoridades se comprometam a afrouxar o lockdown – e não o contrário.

"Abrir escolas sem testes rápidos aumentará a taxa de incidência", disse o deputado e epidemiologista Karl Lauterbach, do Partido Social-Democrata (SPD). "É bom que os testes gratuitos estejam chegando, mas a estratégia de testes para escolas e locais de trabalho não está clara porque não há testes rápidos suficientes. De modo geral, estou muito preocupado."

Apesar do acordo de quarta-feira entre os governos federal e estaduais, as autoridades locais estão céticas. Cidades menores e áreas rurais podem ter dificuldades para receber e realizar os testes necessários.

"Neste momento eu não posso dizer como funcionarão os testes em certos centros", disse Oliver Hermann, prefeito da pequena cidade de Wittenberge e presidente da associação de cidades e municípios do estado de Brandemburgo. "Seria bom se pudéssemos ter uma comunicação clara e uma estratégia desde cedo."

Testes em farmácias e supermercados

Grandes redes de supermercados, drogarias e farmácias disseram que em breve começarão a vender kits de testes autoaplicáveis. São testes que qualquer pessoa pode usar, sem treinamento.

Os preços ainda não foram confirmados. Spahn disse que gostaria que eles custassem 1 euro. A rede de supermercados Aldi afirmou que um pacote de cinco testes caseiros pode custar 25 euros e que os clientes poderão levar um pacote por vez.

Até agora, os testes PCR, que são altamente precisos mas requerem processamento de laboratório e levam mais tempo para obter resultados, foram reservados em grande parte para quem apresentar sintoma.

Testes rápidos estão disponíveis para trabalhadores essenciais, como professores e pessoal médico. Todos os outros tiveram que organizar e pagar por seus próprios testes, em um consultório médico ou centro de testes improvisados.

Os testes rápidos podem fornecer um resultado razoavelmente preciso em menos de 30 minutos. Mas as autoridades de saúde pública advertem que eles exigem cuidado especial na avaliação do resultado e não podem conter a disseminação da infecção por si só.

Testes rápidos exigem cuidado

Embora um teste rápido seja tão preciso quanto um teste PCR, o que torna os falsos positivos improváveis, eles são menos sensíveis. Isso significa que os falsos negativos são possíveis, dando às pessoas a sensação de que podem viver sem medo de espalhar o vírus.

"Um teste rápido não é um passe livre de curto prazo para participar da vida pública", escreveu Tobias Kurth, diretor do Instituto de Saúde Pública do hospital Charité de Berlim, no Twitter, em fevereiro.

Os testes rápidos, seja para uso doméstico ou por pessoal especializado, também sofrem com a falta de padrões. O Instituto Paul Ehrlich, da Alemanha, desenvolveu critérios mínimos a serem seguidos pelos fabricantes de testes, mas eles são diretrizes, e não exigências. Dezenas de tais testes estão no mercado na Alemanha, e poucos foram avaliados de forma independente.

Isso está mudando lentamente. Na semana passada, o Instituto Alemão de Medicamentos e Dispositivos Médicos (BfArM) publicou uma lista de testes domiciliares que receberam aprovação especial. Os testes rápidos precisarão cumprir certos padrões antes que o governo pague por eles.

Apesar do risco de falsos negativos, as autoridades esperam que testes mais rápidos identifiquem mais casos, levando a um isolamento mais rápido dos infectados e permitindo que as pessoas não infectadas continuem com suas vidas.