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Theresa May, primeira-ministra britânica
"Estou preparada para deixar este cargo mais cedo para fazer o que é certo para o nosso país", disse MayFoto: Getty Images/J. Taylor

May promete renunciar se Parlamento aprovar acordo do Brexit

27 de março de 2019

Primeira-ministra cede à pressão de conservadores eurocéticos e coloca cargo à disposição a fim de salvar acordo que garante um divórcio ordenado entre Reino Unido e UE. Parlamentares debatem outras opções de saída.

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A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, prometeu abriu mão de seu cargo a fim de salvar o acordo negociado com a União Europeia (UE) sobre o Brexit. Se o Parlamento britânico aprovar finalmente o texto, ela renuncia ao posto, disse a premiê nesta quarta-feira (27/03).

"Estou preparada para deixar este cargo mais cedo do que eu pretendia a fim de fazer o que é certo para o nosso país e para o nosso partido", afirmou May durante uma reunião com parlamentares do Partido Conservador, segundo transcrição divulgada por seu gabinete.

"Peço a todos nesta sala que apoiem o acordo para que, assim, nós possamos completar nosso dever histórico – cumprir a decisão do povo britânico e deixar a União Europeia de forma suave e ordenada", completou a primeira-ministra.

Em reunião descrita como "sombria" por alguns de seus numerosos participantes, May disse a partidários que estava ciente do desejo de uma nova abordagem – e de uma nova liderança – na segunda fase das negociações do divórcio, e que "não ficará no caminho". "Mas precisamos fazer avançar o acordo e entregar o Brexit."

A premiê enfrenta crescente pressão para deixar o cargo por parte de conservadores pró-Brexit. Vários legisladores disseram que apoiariam o acordo de divórcio negociado por May se outro líder fosse escolhido para comandar a próxima fase de negociações, que deve determinar o futuro das relações entre o Reino Unido e a União Europeia.

Apesar de ter cedido à pressão, May não disse quando deve renunciar ao cargo. O parlamentar eurocético Jacob Rees-Mogg, da ala mais à direita do Partido Conservador, afirmou que a premiê deixou "muito claro" que, se o Reino Unido deixar a UE em 22 de maio, ela partirá logo depois.

Ele, que teve atritos com a primeira-ministra durante o processo do Brexit, disse ainda que May foi "muito digna" em sua decisão. "Ela solucionou bem seu caso e reiterou que cumpriu seu dever."

Com a concessão, May tenta romper um impasse entre governo e parlamentares sobre os termos do divórcio, depois de o Parlamento britânico ter rejeitado o acordo negociado pela premiê com Bruxelas em duas votações esmagadoras, em janeiro e março deste ano. Uma terceira votação deveria ser realizada até esta sexta-feira.

Isso porque, na semana passada, os líderes da União Europeia concordaram em adiar o Brexit – antes previsto para 29 de março – até 22 de maio, mas somente se o Parlamento britânico aprovar o acordo de May até o fim desta semana. Se o acordo não for aprovado, as negociações de saída serão estendidas somente até 12 de abril.

Parlamentares recusam oito alternativas

Ao mesmo tempo, uma votação de diversas opções sobre como deve se dar a saída do Reino Unido do bloco acabou sem que nenhuma fosse escolhida, evidenciando a divisão do Parlamento. 

O presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, havia selecionado oito opções a serem submetidas à votação a partir de uma lista de 16 alternativas apresentadas pelos legisladores. As opções incluíam deixar a União Europeia sem um acordo de saída; permanecer na união aduaneira e no mercado único da UE; submeter qualquer acordo de divórcio a referendo popular; e cancelar o Brexit se a perspectiva de uma partida sem acordo se aproximar.

Nenhuma recebeu maioria dos votos. As mais populares foram a proposta de permanecer na união aduaneira, que teve 272 votos contra e 264 a favor, e o pedido de referendo popular, derrotado por 295 votos contra e 268 a favor. Ambas as ideias tiveram maior apoio que os 242 votos obtidos pela proposta de May apresentada mais cedo neste mês.

A proposta de deixar a EU sem acordo foi apoiada por 160 deputados e recusada por 400.

O plano é que as ideias mais populares passem por uma segunda votação na segunda-feira para que se escolha uma opção com potencial de alcançar maioria. O Parlamento, então, instruiria o governo a negociá-la com a UE.

May disse que considerará o resultado das votações, mas se recusou a tomá-lo como vinculante.

EK/PJ/afp/ap/dpa/efe

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