1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
Três homens carregam uma grande obra de arte de madeira enquanto descem uma escada
Funcionários carregam para local seguro uma iconóstase do século 18Foto: Bernat Armangue/AP Photo/picture alliance

Maior museu de arte da Ucrânia corre para salvar suas obras

6 de março de 2022

Obras são cuidadosamente embaladas e levadas a locais seguros. Funcionários do Museu Nacional Andrey Sheptytsky, em Lviv, temem que um avanço dos ataques russos possa destruir o patrimônio histórico e artístico.

https://www.dw.com/pt-br/maior-museu-de-arte-da-ucr%C3%A2nia-corre-para-salvar-suas-obras/a-61035933

Em meio à fuga de mais de 1,5 milhão de pessoas e dos constantes ataques russos, grupos correm contra o tempo na Ucrânia para salvar itens históricos da destruição.

O diretor do Museu Nacional Andrey Sheptytsky, o maior museu de arte da Ucrânia, percorre os corredores do prédio supervisionando os funcionários que guardam as coleções para proteger o patrimônio nacional caso a invasão russa avance para o oeste.

Em uma galeria parcialmente vazia, funcionários colocam em caixas de papelão peças barrocas cuidadosamente embrulhadas. A poucos metros dali, um grupo desce a majestosa escadaria principal do museu carregando uma gigantesca obra de arte sacra, a iconóstase Bohorodchany, do século 18.

"Às vezes, as lágrimas vêm porque muito trabalho foi colocado aqui. Leva tempo, energia. Você está fazendo algo bom, se sente satisfeito. E então, hoje, você vê paredes vazias, parece amargo, triste. Não acreditávamos até o último minuto que isso pudesse acontecer'', disse o diretor-geral do museu, Ihor Kozhan.

As portas da instituição, localizada na cidade de Lviv, próxima à fronteira com a Polônia, estão fechadas desde que começou a invasão russa à Ucrânia, em 24 de fevereiro. Patrimônios históricos em todo o país estão em perigo, à medida que os combates continuam.

Korzhan disse que recebe ligações diárias de outras instituições culturais europeias oferecendo ajuda, enquanto ele e sua equipe correm para preservar as obras do museu.

Foto mostra um imenso livro antigo. É possível ver mãos com luvas, que o manuseiam.
Trabalhadores do departamento de manuscritos raros e livros impressos antigos armazenam as obras em caixas de papelãoFoto: Bernat Armangue/AP Photo/picture alliance

Futuro das obras é incerto

Anna Naurobska, chefe do departamento de manuscritos e livros raros do museu, ainda não sabe onde guardar com segurança a coleção de mais de 12 mil itens, que foram embalados em caixas.

"Esta é a nossa história. Esta é a nossa vida. É muito importante para nós'', disse Naurobska.

Ela entra em outra sala e ergue um volume enorme. Lágrimas se formam em seus olhos: "é um livro russo", diz ela, colocando-o de volta na prateleira. "Estou com tanta raiva", declara.

Homem trabalha em um container de metal em um pátio
Obras do Museu da História da Religião são protegidas em containers de metalFoto: Bernat Armangue/AP Photo/picture alliance

Como o museu, outros locais em Lviv estão correndo para proteger obras de importância artística e cultural. As vitrines do Museu de História da Religião estão quase vazias. Os trabalhadores montam recipientes de metal no pátio para armazenar com segurança os itens restantes antes de colocá-los nos porões.

Dois homens envolvem escultura em espuma e plástico. Escultura está ao ar livre.
Esculturas da Catedral Latina são protegidas com espuma e plásticoFoto: Bernat Armangue/AP/picture alliance

Na Catedral Latina, as esculturas foram cobertas com papelão, espuma e plástico na esperança de protegê-las de possíveis estilhaços.

Em meio às paredes vazias e estátuas encobertas, Kozhan lamenta a situação do museu, que sobreviveu a duas guerras mundiais.

"Museu tem que viver. As pessoas têm que estar lá, e antes de tudo as crianças. Eles têm que aprender o básico de sua cultura'', emociona-se.

le (AP)