Lula e a Alemanha | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 25.01.2018
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Coluna Caros Brasileiros

Lula e a Alemanha

Ex-presidente simboliza uma história teuto-brasileira de sucesso e é visto por muitos alemães como figura de proa na luta por um mundo melhor e mais justo.

Lula ao lado de Angela Merkel, em 2009, durante entrevista em Berlim

Lula ao lado de Angela Merkel, em 2009, durante entrevista em Berlim

Caros brasileiros,

Lula atrás das grades? A ideia de que o ex-chefe de Estado brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva tenha que, em breve, ir para a cadeia não é estranha apenas para mim, mas para muitas pessoas na Alemanha. Lula, afinal, é visto por aqui como símbolo de uma história teuto-brasileira de sucesso.

Esta história teuto-brasileira de sucesso se baseia numa cooperação de mais de 30 anos entre a social-democracia alemã e o PT, entre a Confederação Alemã de Sindicatos e a CUT, entre a Fundação Friedrich Ebert, ligada ao SPD, e iniciativas de cunho social e político no Brasil.

E ela se baseia no sucesso de uma indústria que pertence ao DNA da Alemanha: a automobilística. O grupo Volkswagen em Wolfsburg, a líder de mercado Volkswagen do Brasil e os sindicatos dos dois lados do Atlântico estão ligados por uma relação muito especial. Ainda durante a ditadura militar, a Volkswagen do Brasil permitiu a criação de conselhos de trabalhadores – a pressão vinda de Wolfsburg tornou isso possível.

Astrid Prange escreve sobre Brasil e América Latina para a Deutsche Welle

Astrid Prange escreve sobre Brasil e América Latina para a Deutsche Welle

Lula é uma das principais cabeças do movimento sindical internacional, que é em grande parte apoiado por integrantes alemães. Ele é também, com isso, parte de um desejo alemão por justiça global. Para muitos apoiadores aqui na Alemanha, ele é a figura de proa na luta por um mundo melhor, como uma espécie de versão brasileira do primeiro presidente do Reich, Friedrich Ebert (1871-1925), que, como operário seleiro e social-democrata, teve uma ascensão semelhante à de Lula.

Quando o chanceler federal Helmut Schmidt (SPD) esteve no Brasil para uma visita oficial, em 1979, ele afrontou o regime militar então comandado pelo presidente João Figueiredo e se encontrou, contra a vontade deste, com o então líder sindical e metalúrgico Lula. Em 2009, Lula visitou Schmidt em Hamburgo e agradeceu a ele, de novo, por esse apoio.

Mas não apenas chanceleres e políticos social-democratas, como Willy Brandt, Gerhard Schröder, Johannes Rau e Helmut Schmidt, mantêm ou mantiveram laços estreitos com Lula. Também entre os cristão-democratas, como o ex-presidente alemão Horst Köhler, Lula desfruta de grande respeito.

Köhler conheceu Lula durante seu mandato como chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), de 2000 a 2004. A crítica de Lula às receitas de saneamento do FMI para a América Latina colaboraram para uma mudança de rumo nas políticas do fundo.

A chanceler federal Angela Merkel (CDU) também chamou Lula de amigo. "Nós já nos encontramos várias, várias vezes, e eu tenho que dizer que nos tornamos grandes amigos", disse ela em 3 de dezembro de 2009, durante uma entrevista conjunta à imprensa em Berlim. Lula faz parte da Alemanha.

Astrid Prange de Oliveira foi para o Rio de Janeiro solteira. De lá, escreveu por oito anos para o diário taz de Berlim e outros jornais e rádios. Voltou à Alemanha com uma família carioca e, por isso, considera o Rio sua segunda casa. Hoje ela escreve sobre o Brasil e a América Latina para a Deutsche Welle. Siga a jornalista no Twitter: @aposylt.

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