Julgamento de escritor turco-alemão causa protestos | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 08.12.2010
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Mundo

Julgamento de escritor turco-alemão causa protestos

Autor turco-alemão que vivia como exilado na Alemanha é absolvido em julgamento controverso, após quatro meses preso em Istambul. Processo tem motivação política, denunciam críticos.

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Ex-ativista de esquerda, Akhanlı, foi absolvido

O julgamento contra o escritor turco naturalizado alemão Dogan Akhanli, de 53 anos, foi interrompido nesta quarta-feira (08/12). Após quatro meses de prisão em Istambul, o réu acusado de roubo e homicídio foi libertado da prisão preventiva.

Em um processo que provocou controvérsias e protestos entre intelectuais e políticos na Alemanha e Turquia, as testemunhas de acusação voltaram atrás e inocentaram o réu do assalto que supostamente teria cometido 21 anos atrás.

Preso há quatro meses, enquanto desembarcava em seu país natal para visitar o pai, Akhanli foi acusado de ter participado de um assalto a uma casa de câmbio em Istambul em outubro de 1989, durante o qual um homem foi morto.

"Posso dizer, com toda certeza, que este homem não estava entre os criminosos", afirmou Ünay Tutum, filho do dono da casa de câmbio morto no assalto. Outra testemunha afirmou que sofreu ameaças de policiais em 1992 e incriminou Akhanli "porque ele estava na Alemanha e nada poderia acontecer a ele".

O autor – exilado político residente em Colônia, na Alemanha, desde 1991 – sempre negou a culpa pelos crimes de que era acusado.

Prêmio Nobel e Anistia pediram libertação de Akhanli

O processo foi observado por amigos e partidários de Akhanli, entre eles o escritor e jornalista alemão Günter Wallraff (autor do livro Cabeça de turco, entre outros). "Se for para respeitar o Estado de direito, ele terá que ser solto. E é isso o que espero", previu Wallraff antes do início do julgamento. Ele viajou à Turquia junto com outros intelectuais e políticos, a fim de demonstrar apoio a Akhanlis.

O prêmio Nobel de Literatura Orhan Pamuk e a ativista turca de direitos humanos Eren Keskin foram as outras personalidades que se engajaram pela libertação do autor. A Anistia Internacional e diplomatas alemães também acompanharam o processo.

Akhanli foi preso em 10 de agosto passado ao desembarcar no aeroporto de Istambul. Ele fora à Turquia para visitar seu pai, que estava muito doente na época e acabou falecendo no fim do mês passado, sem ter visto o filho.

Preso depois do golpe militar

Akhanli nasceu no norte da Turquia e foi militante de esquerda. Depois do golpe militar de 1980, entrou na clandestinidade e foi preso quatro anos depois, permanecendo na cadeia de 1985 a 1987, período no qual afirma ter sido torturado. No início dos anos 90, fugiu para a Alemanha, país que o reconheceu como refugiado político e posteriormente lhe outorgou a cidadania.

MD/dpa/afp
Revisão: Simone Lopes

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