Jornalistas e ativistas teriam sido espionados com software israelense | Notícias internacionais e análises | DW | 19.07.2021

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Mundo

Jornalistas e ativistas teriam sido espionados com software israelense

Jornais afirmam que governos de vários países teriam invadido celulares de cidadãos por meio do spyware Pegasus. Lista contém 50 mil possíveis alvos. Compra de programa teria sido cogitada no governo Bolsonaro.

Mão com smartphone diante de sede da empresa NSO Group

Empresa israelense NSO Group comercializa software para agências estatais de 40 países

Um consórcio de órgãos de comunicação internacionais denunciou que jornalistas, ativistas e dissidentes políticos em todo o mundo teriam sido alvo de espionagem através de um software desenvolvido pela empresa israelense NSO Group.

A companhia, fundada em 2011, comercializa o spyware Pegasus, que permite acessar mensagens, fotos, contatos e até ouvir chamadas em celulares.

O programa foi projetado para rastrear criminosos e terroristas, mas teria sido usado para espionagem de cidadãos por governos que são clientes da NSO. O grupo de tecnologia israelense vende o software para até 60 agências militares, de inteligência e de segurança estatais em 40 países.

A investigação, publicada no domingo (18/07) por um consórcio de 17 veículos internacionais, incluindo o jornal francês Le Monde, o britânico The Guardian e o americano The Washington Post, é baseada numa lista obtida pelas organizações Forbidden Stories e Anistia Internacional contendo 50 mil números de telefone selecionados pelos clientes da NSO desde 2016 para potencial vigilância.

A lista inclui os números de celular de pelo menos 180 jornalistas, 85 ativistas de direitos humanos, 65 líderes empresariais e mais de 600 políticos e autoridades governamentais, incluindo chefes de Estado e de governo, ministros e diplomatas, de acordo com a análise realizada pelo consórcio.

Correspondentes estrangeiros de vários órgãos de imprensa, incluindo The Wall Street Journal, CNN, France 24, Mediapart, El País e a agência de notícias AFP, fariam parte da lista. Outros nomes no documento, que incluiria ainda um chefe de Estado e dois chefes de governo europeus, deverão ser divulgados nos próximos dias.

O Guardian acrescentou que a menção de um número não significa que o telefone correspondente foi infectado pelo Pegasus ou que houve uma tentativa de invasão. Mas o consórcio acredita que a lista é um indicativo de alvos potenciais de clientes da NSO.

Em declarações ao Washington Post, a empresa se recusou a identificar os governos para os quais vendeu o spyware.

Entretanto, a análise do jornal conclui que, da lista de números de telefones celulares, 15 mil estavam no México e pertenciam a políticos, jornalistas e sindicalistas, entre outros. Outra grande quantidade de possíveis vítimas estaria no Marrocos, Catar, Iêmen, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Bahrein.

Reações

Nesta segunda-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou o escândalo. "Temos de confirmar. Mas se for verdade, é totalmente inaceitável", afirmou, salientando que "a liberdade de imprensa é um valor central da União Europeia".

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pediu aos governos de países democráticos que ajam judicialmente contra aqueles que usaram o programa para espiar jornalistas.

"Os países democráticos devem assumir o controle deste caso particularmente grave, determinar os fatos e sancionar os responsáveis", afirmou Christophe Deloire, secretário-geral da RSF, em comunicado.

A organização lembrou que classificou a NSO como "predadora digital" da liberdade de imprensa em 2020 e que, em 2017, já havia alertado contra o uso do Pegasus na espionagem de jornalistas mexicanos e informantes da Arábia Saudita, Marrocos, Índia e Azerbaijão. 

Outras denúncias

O Pegasus ganhou as manchetes pela primeira vez em 2016, quando o prestigiado Citizen Lab, um centro de pesquisa especializado em ataques cibernéticos da Universidade de Toronto, descobriu vulnerabilidades no iOS, o sistema operacional móvel da Apple.

Já em 2020, o Citizen Lab divulgou um estudo que confirmou a presença do Pegasus nos telefones de dezenas de funcionários da emissora de televisão Al-Jazeera no Catar. 

Em 2019, foi a vez de o Whatsapp reconhecer que alguns de seus usuários na Índia haviam sido espiados por meio do programa da NSO.

Carlos Bolsonaro

Em maio deste ano, uma reportagem publicada pelo portal de notícias UOL afirmou que o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, participou de conversas para que a NSO fosse incluída numa licitação do Ministério da Justiça para compra do Pegasus.

Ainda segundo o UOL, o envolvimento de Carlos Bolsonaro teria irritado militares do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da Agência Nacional de Inteligência (Abin), já que o tema seria alheio à alçada do vereador do Rio de Janeiro. Na ocasião, Carlos negou ter articulado tal negociação.

md (Lusa, AFP, Efe)